Evangélicos não são uma só massa, muito menos de manobra
Uma discussão que começou no sábado (7) e está atravessando a semana é o percentual de evangélicos que, segundo Lula, deveria apoiá-lo porque desfruta de benefícios do governo: 90%. Pesquisas apontam o oposto: 70% dos protestantes não votariam para reeleger o atual presidente. Os dois lados têm razão, pois é óbvio que os responsáveis pelos cadastros dos programas sociais não vetariam alguém motivados por religião, ao mesmo tempo em que o número de não católicos dependentes de projetos oficiais jamais foi de um em cada dez. Apenas evidenciou o distanciamento da esquerda em relação ao segmento.
Bem que o presidente tenta, como é o caso da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal. Messias é batista e já levou integrantes da bancada evangélica para culto com Lula dentro do Palácio do Planalto. Nada adiantou: as igrejas continuaram se movendo à direita. Precisa ser esclarecido que os evangélicos não são uma só massa, de pessoas que pensam e agem de maneira uniforme. No Censo 2022, o IBGE encontrou 47 milhões e 400 mil evangélicos. Decidem qualquer eleição: no pleito anterior, a diferença entre Lula (60.345.999) e Jair Bolsonaro (58.206.354) foi de 2.139.645 – ou seja, até os espíritas são fundamentais: o Censo revelou que são 3 milhões e 200 mil.
É inútil convencer pastores como Silas Malafaia ou igrejas inteiras, como as mais barulhentas, com presença nas TVs abertas. Evangélicos aderem a pautas: são contra o aborto e o PT é a favor; a maioria acha estranho o casamento gay e o PT é um dos pioneiros do contrário. A continuar assim, pode dar bolsas para 100% deles que não mudam o voto. (Especial para O HOJE)