Coluna

Exportação cai ainda mais e amplia tombo no saldo comercial de Goiás com o mundo

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 05 de setembro de 2019

A
retração nas compras de soja pela China ao longo do ano, num cenário que
combina os efeitos da febre suína africana sobre o plantel chinês e o agravamento
nas tensões comerciais entre o país asiático e os Estados Unidos, contribuiu
para ampliar a retração das exportações goianas no acumulado entre janeiro e agosto,
agravando a tendência de baixa do superávit comercial (exportações menos
importações) de Goiás com o resto do mundo. Nos primeiros oito meses deste ano,
o Estado exportou US$ 4,364 bilhões, numa queda de 17,45% na comparação com US$
5,286 bilhões acumulados entre janeiro e agosto de 2018, o que correspondeu a
uma perda de US$ 922,468 milhões. Para comparação, até junho deste ano, a
redução havia sido de 16,25% frente aos seis primeiros meses de 2018.

Como
as importações recuaram numa velocidade muito menos intensa naquela mesma
comparação, saindo de US$ 2,365 bilhões para US$ 2,347 bilhões (-0,76% ou US$
17,891 milhões a menos), o superávit comercial do Estado despencou quase 31%,
passando de US$ 2,921 bilhões para pouco menos de US$ 2,017 bilhões, ou seja,
US$ 904,577 milhões de perda. Tanto as vendas externas quanto o saldo comercial
foram os mais baixos para o período desde 2015, quando o Estado havia exportado
US$ 3,919 bilhões e acumulado um saldo de US$ 1,551 bilhão depois de
descontadas importações de US$ 2,368 bilhões.

A
maior contribuição para a redução vertical do resultado veio exatamente da
China, principal mercado de destino para as exportações goianas, respondendo
por quase 38% de todas as vendas externas realizadas a partir do Estado. No ano
passado, Goiás chegou a vender aos chineses qualquer coisa ao redor de US$
2,276 bilhões, ou seja, algo como 43,1% de tudo o que havia exportado nos oito
meses iniciais do exercício. Neste ano, em igual período, as exportações
goianas para a China baixaram 27,9%, para US$ 1,641 bilhão (37,6% do total),
correspondendo a US$ 635,225 milhões a menos. Isso significa que o mercado
chinês foi responsável por 68,9% da redução sofrida pelo total das exportações
goianas.

Concentração e
desequilíbrio

Em
contrapartida, as importações de produtos chineses saltaram 54,30%, avançando
de US$ 182,388 milhões para US$ 281,431 milhões, o que fez desabar o saldo
comercial de Goiás com aquele país de US$ 2,094 bilhões para US$ 1,359 bilhão
(35,07% a menos). Em números absolutos, o superávit goiano com a China encolheu
U$ 734,268 milhões, o que representou, por sua vez, praticamente 81,2% do tombo
registrado pelo saldo comercial total do Estado. Ainda assim, a dependência da
balança comercial goiana em relação à China manteve-se elevada, denunciando
ainda uma relação comercial desigual, já que as exportações para lá continuam
concentradas na soja em grão, enquanto as importações apresentam uma larga
participação de bens industrializados e manufaturas de maior valor agregado.

Balanço

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Segundo
dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio
Exterior e Serviços (Secex/Mdic), levantados pela coluna, produtos químicos
orgânicos (US$ 64,309 milhões), veículos, tratores, suas peças e acessórios
(US$ 58,811 milhões), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (US$ 33,136
milhões), adubos (US$ 30,322 milhões) e caldeiras, máquinas e aparelhos
mecânicos (US$ 26,695 milhões) responderam por 75,8% do valor total de produtos
chineses importados por Goiás.

·  
Os
destaques, até agosto, ficaram por conta de veículos, peças e acessórios e
máquinas e aparelhos mecânicos. No primeiro caso, as compras aumentaram 40,5
vezes e, no segundo, mais 285,2% em relação aos oito meses iniciais de 2018.

·  
Do
lado das exportações, a soja em grão concentrou 64,2% do total embarcado por
Goiás rumo ao mercado chinês, com vendas externas de US$ 1,054 bilhão – numa
retração de 41,9% em relação a 2018. A participação chinesa nas exportações
totais do grão atingiu 84,45% entre janeiro e agosto deste ano, diante de
85,52% em 2018.

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O
Estado exportou, na soma de todos os mercados, US$ 1,248 bilhão de soja em grão
nos oito primeiros meses deste ano, representando um tombo de 41,2% diante do
mesmo intervalo de 2018 (US$ 2,122 bilhões). Sozinha,
apenas a soja em grão representou 94,8% da rasteira sofrida pelas exportações
totais do Estado.

·  
A
segunda maior contribuição para a queda das vendas externas goianas veio do
farelo de soja, que sofreu baixa de 22,1% no período analisado, com as exportações
do setor baixando de US$ 681,505 milhões para US$ 531,045 milhões.

·  
As
exportações de minérios de cobre caíram 25,7%, de US$ 317,740 milhões para US$
236,162 milhões.

Pelo lado mais positivo, as exportações de milho
em grão e ouro dispararam, saltando 232% e 58,2% em relação ao mesmo período do
ano passado, respectivamente. O Estado exportou US$ 301,443 milhões do cereal e
US$ 283,826 milhões do metal. 

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