Exportação goiana atinge recorde, mas saldo comercial encolhe 6,9%

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 07 de julho de 2021

As exportações realizadas a partir de Goiás no primeiro semestre deste ano atingiram seu nível mais elevado em toda a série histórica, superando ligeiramente US$ 4,760 bilhões no período e crescendo 14,35% frente aos primeiros seis meses do ano passado, quando haviam alcançado US$ 4,163 bilhões. O crescimento observado, no entanto, esteve perigosamente concentrado em apenas três classes de produtos, a saber, soja e derivados, carne bovina congelada e ouro. Somados, os três segmentos realizaram exportações no valor de US$ 3,352 bilhões entre janeiro e junho deste ano, respondendo por 70,4% das vendas externas totais do Estado, frente a US$ 2,874 bilhões no mesmo intervalo de 2020, numa lata de 16,62%. O acréscimo registrado pelo grupo respondeu por 79,93% do aumento acumulado pelas exportações totais.

Esse incremento, no entanto, não foi suficiente para fazer frente ao salto experimentado pelas importações, explicado em boa parte pela escalada nas compras de energia importada da Argentina e do Uruguai. As compras externas experimentaram um salto de 47,92% no semestre, saindo de US$ 1,604 bilhão no ano passado para US$ 2,373 bilhões neste ano – ou seja, um avanço equivalente a US$ 768,676 milhões a mais, o que se compara ao acréscimo acumulado pelas exportações, próximo a US$ 597,507 milhões. Embora não tenham batido recorde, as compras externas foram as maiores para o período desde 2013.

O resultado foi uma retração de 6,69% no superávit comercial (exportações menos importações), que baixou de US$ 2,559 bilhões no acumulado entre janeiro e junho do ano passado para pouco menos de US$ 2,388 bilhões neste ano, num recuo de US$ 171,169 milhões.O Estado continua extremamente dependente da China, que respondeu por 85,42% de todo o saldo comercial nos seis primeiros meses deste ano, mesmo perdendo algum espaço na ponta das exportações.

Dependência persistente

A balança comercial entre Goiás e China mostra exportações de US$ 2,358 bilhões na primeira metade deste ano, correspondendo a 49,53% das vendas externas totais. No mesmo período do ano passado, essa participação havia sido de 53,0% com as vendas goianas para aquele mercado da Ásia atingindo alguma coisa ligeiramente inferior a US$ 2,207 bilhões. Entre 2020 e este ano, portanto, o avanço ficou limitado a 6,85%. As importações de produtos goianos pelos chineses cresceram 48,68%, saltando de US$ 214,029 milhões para US$ 318,208 milhões (dos quais perto de 54,0% referentes a compras de veículos, produtos químicos orgânicos e adubos). O saldo comercial avançou discretamente, saindo de US$ 1,992 bilhão para US$ 2,039 bilhões (mais 2,36%), mas foi o suficiente para elevar a participação chinesa no superávit goiano de 77,87% para aqueles 85,42%.

Balanço

  • As compras de energia importada, segundo dados do antigo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, saíram de US$ 10,987 milhõespara US$ 515,532 milhões, num salto de 4.592% na comparação entre o primeiro semestre de 2020 e igual intervalo deste ano. Daquele total, a Argentina respondeu por 91,53%, o que significou importações de US$ 471,878 milhões (61,2 vezes mais o valor gasto pelo Estado na primeira metade do ano passado para comprar energia dos argentinos).
  • A alta nas compras de energia importada respondeu por 65,65% do crescimento das importações totais realizadas pelo Estado entre janeiro e junho deste ano e o mesmo período de 2020, ainda que sua participação no total importado tenha sido de 21,73%. A questão é que os volumes e valores importados em 2020 e nos anos anteriores haviam sido muito baixos e mesmo irrelevantes quando considerados em relação ao total importado pelo Estado. Apenas para reforçar o argumento, no primeiro semestre do ano passado, as compras de energia representaram 0,68% das importações totais.
  • Excluídas as operações de compra de energia da Argentina e do Uruguai, o restante das importações apresentou crescimento ainda relevante, subindo 16,58% frente ao primeiro semestre de 2020, avançando de US$ 1,593 bilhão para US$ 1,857 bilhão. Pouco mais de metade desse incremento pode ser explicado pelo aumento de 34,66% nas importações de adubos e fertilizantes, que subiram de US$ 242,923 milhões para US$ 327,112 milhões, e pela alta de 36,48% nas compras de veículos, tratores, suas partes e acessórios. Neste caso, as importações avançaram de US$ 137,984 milhões para 188,323 milhões.
  • A variação, ainda que parece vigorosa, reflete os baixos valores registrados no ano passado, quando a produção de veículos – aqui e no restante do País – havia chegado literalmente ao fundo do poço. Na comparação com 2019, as compras externas no setor chegaram a despencar 38,5% no primeiro semestre do ano passado. Os números deste ano ainda mostram redução de 16,1% em relação aos seis meses iniciais de 2019.
  • As importações de produtos farmacêuticos, concentradas na Alemanha, Suíça, Irlanda e Estados Unidos, sofreram baixa de 7,45% neste ano e encolheram de US$ 639,869 milhões para US$ 590,367 milhões. O dado parece coerente com os resultados da produção do setor no Estado, que vinham em baixa. Mas também refletem os números mais elevados registrados em 2020, quando haviam crescido 15,3% diante de igual período do ano anterior.
  • No prato das exportações, os embarques de soja em grão responderam por 45,65% do total, praticamente a mesma fatia registrada no semestre inicial de 2020 (45,43%). De fato, as vendas externas do grão cresceram em linha com a média de todo o setor exportador, com alta de 14,92%, saindo de US$ 1,891 bilhão para US$ 2,173 bilhões. As exportações de óleo de soja e ouro, no entanto, experimentaram saltos muito além da média, subindo 89,78% no primeiro caso (de US$ 60,606 milhões para US$ 115,015 milhões) e 52,64% no segundo (de US$ 125,512 milhões para US$ 191,587 milhões).
  • O apetite chinês ajudou a turbinar as exportações de carne bovina congelada, que cresceram 13,35% (de US$ 446,844 milhões para US$ 506,514 milhões, dos quais 71,60% tiveram a China como destino).
Compartilhe: