quinta-feira, 7 de maio de 2026

Exportações industriais de alta tecnologia saltam 51% até março

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 7 de maio de 2026

O salto nas vendas de aviões da Embraer para o resto do mundo contribuiu para impulsionar as exportações dos setores de alta tecnologia na indústria de transformação, o que ajudou a conter o avanço do déficit comercial acumulado nos primeiros três meses deste ano nesta área. Entre janeiro e março deste ano, a indústria de alto conteúdo tecnológico exportou em torno de US$ 2,216 bilhões, no levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), experimentando crescimento de 50,85% frente ao primeiro trimestre de 2025, quando as vendas externas neste segmento haviam alcançado US$ 1,469 bilhão.

Pouco mais de 94% do crescimento registrado pelas exportações de bens industriais tiveram como origem o salto de 91,20% nas vendas externas de aeronaves, que subiram de US$ 773,0 milhões para US$ 1,478 bilhão, passando a representar 66,7% de todas as exportações de alta tecnologia do setor de transformação. Na leitura do instituto, boa parcela daquele resultado pode ser associada “a uma base deprimida de comparação na entrada do ano passado devido às perturbações do comércio mundial com as medidas do governo (Donald) Trump”.

Graças a esse desempenho, a alta tecnologia explicou ainda, conforme anota o Iedi, em torno de 63,0% do crescimento verificado para as exportações totais realizadas pela indústria de transformação, que saíram de US$ 42,882 bilhões entre janeiro e março do ano passado para US$ 43,865 bilhões nos mesmos três meses deste ano. Aqueles dados mostram, numa anotação menos positiva, um incremento limitado, próximo de US$ 1,183 bilhão, numa variação ligeiramente inferior a 2,8%, o que se compara com a alta de 7,1% acumulada pelo total das exportações brasileiras em igual período. A fatia da indústria de transformação nas vendas externas totais, diante dessa variação muito modesta, recuou de 55,5% para 53,27% entre o primeiro trimestre do ano passado e os três meses iniciais deste ano.

Compras externas

No dado consolidado para todo o setor de transformação, as importações igualmente experimentaram crescimento relativamente modesto ao passarem de US$ 62,126 bilhões para US$ 63,541 bilhões, variando 2,3%. A despeito disso, a participação nas importações gerais chegou a se elevar de 92,35% para 93,22% já que as compras externas totais anotaram variação ainda menos expressiva, crescendo 1,33%. Na soma geral, o País chegou a importar US$ 68,163 bilhões no primeiro trimestre deste ano, frente a US$ 67,272 bilhões em idêntico intervalo de 2025. Como se observa, houve nítido descompasso entre as velocidades de crescimento de exportações e importações na indústria de transformação em relação ao restante da economia, com o primeiro grupo apresentando incremento equivalente a menos de 40% da alta registrada pelo total exportado. No segundo grupo, a velocidade de crescimento foi quase 70% mais acentuada no setor de transformação (2,8% diante de 1,33% para o total das importações).

Balanço

A diferença entre exportações e importações na indústria traduziu-se em déficit de US$ 19,676 bilhões nos três meses iniciais deste ano, diante de resultado também negativo de US$ 19,444 bilhões entre janeiro e março do ano passado, apontando uma variação de 1,19%.

Para comparar, a economia como um todo produziu um superávit (exportações maiores do que importações) na faixa de US$ 14,175 bilhões no primeiro trimestre deste ano, o que significou um aumento de 47,55% em relação a um saldo positivo de US$ 9,606 bilhões nos mesmos três meses de 2025.

Ainda na indústria de transformação, conforme indica o acompanhamento do Iedi, o avanço até mesmo modesto do déficit comercial deveu-se em grande medida à queda no resultado negativo acumulado pela balança comercial das empresas de alta conteúdo tecnológico. O déficit comercial naquela área baixou de US$ 12,484 bilhões para US$ 11,395 bilhões, caindo 8,72% (ou seja, algo como US$ 1,089 bilhão a menos), refletindo ainda a redução de 2,45% nas importações.

As compras externas de bens de alta tecnologia recuaram de US$ 13,953 bilhões para US$ 13,611 bilhões. Mais uma vez, com a contribuição da indústria aeronáutica, que teve suas importações reduzidas de US$ 3,333 bilhões para US$ 1,809 bilhão, num tombo de 45,7%. A participação das aeronaves nas importações do setor de transformação como um todo foi reduzida de 23,9% para 13,3%.

Excluído o setor aeronáutico, as importações de alta tecnologia aumentariam 14,83%, de US$ 10,278 bilhões para US$ 11,802 bilhões. O déficit comercial, ainda desconsiderando a indústria de aeronaves, cresceria 15,47% ao avançar de US$ 9,582 bilhões para US$ 11,064 bilhões.

O segmento de média-alta tecnologia, que inclui fabricantes de máquinas e equipamentos em geral, produtos químicos (exceto farmacêuticos), aparelhos e instrumentos médicos, odontológicos e óticos, veículos automotores e equipamentos bélicos pesados, armas e munições, seguiu direção inversa àquela observada para os setores de alta tecnologia. As exportações sofreram baixa de 4,40% no trimestre analisado, saindo de US$ 9,753 bilhões para US$ 9,324 bilhões. Mas as importações avançaram 3,64% no período, passando de US$ 28,494 bilhões para US$ 29,532 bilhões. Como resultado, o déficit no setor avançou de US$ 18,741 bilhões para US$ 20,208 bilhões, em alta de 7,83% (compensada em grande parte pela queda no déficit na alta tecnologia).

Na prática, registra o Iedi, praticamente todo o crescimento do déficit na indústria de média-alta tecnologia pode ser atribuído à escalada do rombo comercial na indústria de veículos, que aumentou de US$ 1,651 bilhão para US$ 3,247 bilhões, num salto de 96,67% (quer dizer, em torno de US$ 1,596 bilhão a mais). Ainda nesta área, as importações cresceram 23,6%, “tendo no desembarque de exemplares elétricos chineses uma importante alavanca, reagindo não apenas à apreciação do real e ao dinamismo de lançamento desta indústria na China”, pondera o Iedi, acrescentando uma antecipação das compras diante do aumento para 35% das tarifas de importação sobre veículos elétricos, a vigorar em julho.

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