quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Favoritismo de Issy Quinan na Alego sofre resistência

Wilson Silvestrepor em
Favoritismo de Issy Quinan na Alego sofre resistência
A turma veterana, ou seja, colegas seus de parlamento que foram reeleitos trabalham para desidratar essa vantagem - Ilustração: Takeshi Gondo

Apontado pela mídia, aliados e áulicos do governo como favorito “de Daniel Vilela”, Issy Quinan (MDB) precisa aparar arestas na base governista

 

A célebre frase “política é como nuvem: você olha e ela está de um jeito, olha de novo e ela já mudou”, atribuída a José de Magalhães Pinto (1909-1996), se encaixa perfeitamente na disputa pela Presidência da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Apontado pela mídia, aliados e áulicos do governo como favorito “de Daniel Vilela”, Issy Quinan (MDB) precisa aparar arestas na base governista. A turma veterana, ou seja, colegas seus de parlamento que foram reeleitos, trabalha para desidratar essa vantagem.

Quinan começa a descobrir que essa vantagem conquistada a mais de dois meses da eleição na Alego pode ser um fardo amanhã. A conta não fecha, pois, das 41 cadeiras na Alego, 15 serão ocupadas por parlamentares eleitos pela oposição, número que precisa ser levado em conta por qualquer candidato avalizado pelo Palácio das Esmeraldas. Tirando uma ou outra adesão à base, aquela que se compra com cargos e emendas, a maioria desses parlamentares quer um presidente que garanta um Legislativo mais independente.

Quem tem apostado nesse comportamento menos tutelado pelo governo é o grupo formado por Jamil Calife (PP), Charles Bento (MDB), Wagner Neto (Solidariedade), Virmondes Cruvinel (União Brasil), Cairo Salim (MDB) e Wilde Cambão (União Brasil). Mesmo dentro da base, trabalham para um Legislativo com vida própria, afinal, aliado do governo nem sempre significa interesse igual ao do cidadão-eleitor. Esse grupo independente busca um nome de consenso capaz de seduzir até quem se senta na oposição. Juntos, eles garantem os 21 votos necessários para eleger o próximo presidente da Casa. Uma conta que nem Issy Quinan, nem Daniel Vilela, podem se dar ao luxo de ignorar.

Torcida palaciana
Nos bastidores dos deputados contrários ao favoritismo de Issy Quinan para comandar a Presidência da Alego, os comentários são de que “os novos deputados foram incentivados a votar em Quinan por auxiliares próximos a Daniel Vilela”. Essa é a síntese do pensamento dos ‘opositores’ de Quinan, que contam com os votos da oposição.

Grupo independente
Segundo apuração da coluna, Antônio Gomide (PT) já teria sinalizado ao grupo dos independentes que o candidato escolhido por eles para disputar a Presidência da Assembleia contará com os votos da bancada petista, afinal, na oposição a Daniel Vilela (MDB), interessa aos petistas um Legislativo mais independente do Palácio.

Gracinha perdoa?
Se depender de mágoas antigas, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) pode esquecer o voto de Gracinha Caiado (União Brasil) na eleição pela Presidência do Senado. Além de ter sabotado a pré-candidatura presidencial de Ronaldo Caiado (PSD) pela União Progressista, uma fonte palaciana lembrou à coluna que, ainda em 2019, Alcolumbre negou a cessão da então chefe de gabinete de Caiado no Senado para o Governo de Goiás, episódio que nunca foi perdoado pelo goiano.

Colheita de Caiado
Numa maratona de filiações, Ronaldo Caiado (PSD) articulou, nos últimos dias, a ida de 40 prefeitos para o PSD, entre eles Vanuza Valadares, de Porangatu, e Dione Araújo, de Itumbiara. Resta agora saber se Gracinha Caiado (União Brasil) também aderirá ao pessedismo, pois deixá-la de fora seria desperdiçar simbolismo, e quem conhece Caiado sabe que uma coisa que ele não dispensa é simbolismo.

De grão em grão….
… o PSD de Gilberto Kassab enche a legenda que foi desidratada nesta eleição. A coluna conversou com lideranças do PL sobre os rumores de que Eduardo Gomes (PL-TO) estuda migrar para o PSD. A avaliação geral é a de que, ao trair Jair Bolsonaro (PL), o senador pode ter o mesmo destino de Soraya Throckine (PSB-MS), que foi eleita pelo bolsonarismo, trocou de lado e não sobreviveu à eleição seguinte.

Mabel pronto para 2027 – O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), tem mantido um ritmo de trabalho que pode ser lido como “casa arrumada” e preparada para receber 2027 com otimismo, mesmo sob as incertezas da economia.

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