Fiasco de Marcha dos Prefeitos mostra por que cidades vão mal

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 23 de maio de 2026
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Foto: Gilberto Cardoso

Nesta semana, milhares de lideranças municipais estiveram em Brasília para mais uma Marcha dos Prefeitos. As caravanas de Goiás, Estado mais próximo aos eventos, perderam em número para os nordestinos, sobretudo para o Piauí. A maioria era de cidades minúsculas. Quem foi pode ter ganhado alguma coisa, mas quem não foi não perdeu coisa alguma. No varejo, muita festa; no atacado, nada: o Congresso se livrou das pautas que falam em mais dinheiro para as prefeituras, e o Executivo federal prestigiou tanto os Executivos municipais que a maior autoridade a comparecer foi o vice-presidente Geraldo Alckmin, um quase anônimo que (a coluna testemunhou) despertou menos euforia que alguns deputados e senadores.

Notava-se por que as cidades vivem uma crise ininterrupta: o pacto federal cruel faz menos mal para os municípios que o baixo nível dos administradores. Os parlamentares nacionais eram acossados por emendas e, mais ainda, fazer fotos e vídeos. Nenhuma briga para os congressistas mexerem no bolo tributário, nenhum discurso para as cidades que não produzirem o suficiente para o sustento se transformarem em distrito da vizinha maior. Ou seja, inaproveitada a semana.

O próprio método de reivindicar ficou inútil. Multidão de políticos pressionando políticos tem resultado zero – e sem pressionar, que tem sido o caso em todas as marchas, menos ainda. Prefeitos levaram secretários, a primeira-dama e vereadores. Todas as despesas pagas pelos municípios que eles dizem estar quebrados. Depois da marcha, mais quebrados ainda. (Especial para O HOJE)

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