Finalista do Jabuti, romance de Roberta Barbosa nasce do silêncio
Roberta Barbosa escreveu Sutura num período em que falar era difícil. A autora se recuperava de uma cirurgia na língua, após um acidente, quando encontrou na escrita outra forma de dizer o que não conseguia pôr em palavras. O resultado é seu romance de estreia, publicado pela Editora Patuá e finalista do Prêmio Jabuti 2026.
O título antecipa a imagem que organiza o livro. Assim como a sutura fecha um corte, a narrativa tenta unir o que se rompeu no corpo, nos afetos e nas memórias. A prosa, de forte carga poética, alterna brutalidade e delicadeza, presença e ausência, encontros e despedidas.
No centro da história está Cecília. Ela não aparece como presença, mas como falta. A ausência da personagem atravessa o texto e conduz a autora por lembranças marcadas por choques e reconciliações. A partir dessa perda, o livro se pergunta o que dizer diante das rupturas e qual linguagem dá conta do amor.
A resposta passa pela ideia de coragem, que o livro trata como a disposição de existir, de perder e de continuar amando. A autora a define sem heroísmo, em uma passagem que aproxima coragem e silêncio.
“O silêncio é um mergulho potente. Recolher a voz até o pensamento e deixá-la marinando ali, no essencial das coisas. […] A entrega sempre me fascinou pela coragem, até aprender que coragem não é força bruta. Coragem é sinuosa. Coragem não ataca, faz curva” (Sutura)
Claudia Barral assina a sinopse do livro e o descreve como uma obra para quem já perdeu, já amou e já recomeçou. Na leitura dela, corpo e alma aparecem em Sutura como territórios de reconstrução, e viver significa também costurar os próprios pedaços.
A autora
Nascida em Niterói (RJ), em 1983, Roberta Barbosa é artista visual, escritora e pesquisadora independente. O trabalho dela explora as relações entre imagem e palavra, presença e escuta. Formada em Jornalismo, começou publicando poemas em zines e coletâneas colaborativas. Viveu entre a Bahia e Nova York, onde participou de projetos editoriais e performáticos e teve obras selecionadas para o Contemporary Performance Almanac. De volta ao Brasil, aprofundou a pesquisa sobre silêncio, signo e linguagem. Em 2025, foi semifinalista do 1º Prêmio Escritoras Brasileiras.
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