Flávio larga na frente de Lula e Daniel é eleito no 1º turno
O Brasil saiu das urnas mais uma vez dividido entre o antipetismo e a direita conservadora, só que agora mais à direita do que à esquerda. A disputa neste primeiro turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foi acirrada, mas quem venceu de fato as eleições para o Congresso Nacional foi a direita, e por uma margem que não deixa muita dúvida.
O PL começa o próximo ciclo como a maior força política do País. Some a isso os demais partidos do Centrão e o resultado fica ainda mais claro, pois apesar de ter nome de centro e às vezes se aliar ao petismo em troca de benesses, a origem é de direita, e vota na direita quando o assunto é agenda de costumes, segurança pública ou pauta econômica. O União Brasil é filho do DEM, que é herdeiro do PFL, maior partido de direita dos anos 1990. Já o PP nada mais é do que o antigo PDS, que nasceu da Arena, partido de sustentação dos militares. O Congresso que saiu das urnas carrega essas origens.
Um possível governo Flávio Bolsonaro terá, portanto, mais governabilidade, afinal herdaria um Congresso que já nasce afinado com sua agenda, sem precisar negociar cargo por voto. Lula, ao contrário, vai enfrentar dificuldade dobrada. Mesmo que se alie ao STF mais uma vez e ainda indique quatro novos aliados para a Corte, isso ajudará muito pouco diante de um Legislativo hostil e uma população mais ainda. O Brasil que emerge das urnas é um país que pede governabilidade a quem vem da direita e cobra milagre de quem vem da esquerda.
Em Goiás, a surpresa ficou por conta da reeleição do governador Daniel Vilela (MDB) no primeiro turno. As pesquisas sempre deram uma boa vantagem a Daniel, mas esperava-se que o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) fosse melhor. Ficou com módicos 8,75%, atrás de Luis Cesar Bueno (PT), com 9,79%, e Wilder Morais (PL), 22,19%. O desempenho da oposição ficou aquém das expectativas, principalmente Wilder, que foi abandonado pelo bolsonarismo, que votou em Daniel Vilela, que venceu com 58,98%.
Bolsonarismo não abraçou Wilder
Diferente da maioria dos Estados, onde o bolsonarismo saiu das urnas como a maior força política do País, em Goiás ele não encontrou eco na campanha de Wilder Morais (PL) ao Governo do Estado. Daniel Vilela (MDB) foi eleito já no primeiro turno, prova de que a onda bolsonarista que varreu o País bateu, por aqui, num caiadismo forte demais para ser derrubado.
Gayer, a força
Os números não deixam dúvida sobre o descompasso. Flávio Bolsonaro (PL) e Gustavo Gayer (PL) tiveram, cada um, o dobro de votos de Wilder Morais (PL), enquanto Ronaldo Caiado (PSD) somou menos de 500 mil, ou seja, uma legião de eleitores votou 22 para presidente, mas preferiu o 15 para governador.
Bia e Michelle senadoras
No Distrito Federal, o bolsonarismo também mostrou força, só que não a ponto de fechar a conta. Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) foram eleitas senadoras sem sobressalto, mas Celina Leão (PP) vai para o segundo turno por um “beicinho de pulga”.
Celina favorita
A reeleição de Celina Leão (PP), apesar de ocorrer somente no segundo turno, será sem sobressaltos, pois além de chegar reforçada com a eleição de Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), tende a receber os votos de Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo), adversários de centro-direita que ficaram pelo caminho.
Vingança das bets
Depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonizou as apostas on-line, popularmente conhecidas como bets, a aprovação da PEC da jornada de trabalho no Senado, entre o 1º e o 2º turnos, pode vir a ser comprometida pela “vingança das plataformas de apostas”. Empresas que engordaram em bilhões os cofres do governo não vão deixar barato.
Falta cidadania – Por maior que seja a fiscalização, a cultura da compra de votos em cidades pequenas e médias tornou-se um negócio. Por isso, a maioria dos eleitos não tem compromisso com o eleitor, a não ser no período eleitoral.
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