sábado, 31 de outubro de 2026

Galeano narra a América Latina pela história de suas riquezas

Luana Avelarpor em
Galeano narra a América Latina pela história de suas riquezas
Com nova tradução de Sergio Faraco, edição da L&PM traz de volta o inventário da dependência que se tornou referência para gerações de leitores no continente

Poucos autores desejariam que sua obra envelhecesse. Eduardo Galeano era um deles. No prefácio escrito em agosto de 2010 para a edição brasileira da L&PM, o escritor uruguaio lamenta “que o livro não tenha perdido a atualidade” e reconhece que o retrato traçado em 1970 seguia válido. Quatro décadas depois da primeira edição, As veias abertas da América Latina continuava a descrever um continente preso às mesmas engrenagens de dependência.

Publicado em 1970 e atualizado em 1977, quando a maior parte dos países da região vivia sob ditaduras, o livro reconstitui a história latino-americana a partir da exploração de suas riquezas. A narrativa começa com a chegada de espanhóis e portugueses no fim do século 15 e acompanha a sucessão de potências que vieram depois: ingleses, holandeses, franceses e, mais recentemente, norte-americanos. Mudam os protagonistas, mas o cenário de submissão, miséria e espoliação se repete.

Jornalista, Galeano combina dados econômicos, episódios históricos e uma prosa ao mesmo tempo lírica e amarga. Essa mistura ajudou a transformar a obra em referência para gerações de leitores, com milhões de exemplares vendidos no mundo e o status de clássico do pensamento libertário no continente.

A escritora chilena Isabel Allende contou que seu exemplar foi um dos poucos objetos que levou ao deixar o Chile depois do golpe militar de Augusto Pinochet, em 1973. “É uma mistura de detalhe meticuloso, convicção política, talento poético e boa narrativa”, definiu Allende.

A nova edição traz capa reformulada, índice analítico e tradução de Sergio Faraco, contista gaúcho. O próprio Galeano aprovou o trabalho. “Excelente trabalho de Sergio Faraco, melhora a não menos excelente tradução anterior, de Galeno de Freitas. E graças ao talento e à boa vontade destes dois amigos, meu texto original, escrito há quarenta anos, soa melhor em português do que em espanhol”, escreveu o autor.

O autor

Eduardo Hughes Galeano nasceu em Montevidéu, em 1940, e morreu em 2015. Jornalista e escritor, dedicou a obra à memória da América Latina. Além de As veias abertas da América Latina, escreveu a trilogia Memória do fogo, publicada entre 1982 e 1986, e livros sobre futebol que o tornaram uma das principais vozes literárias sobre o esporte.

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