Galeano narra a América Latina pela história de suas riquezas
Poucos autores desejariam que sua obra envelhecesse. Eduardo Galeano era um deles. No prefácio escrito em agosto de 2010 para a edição brasileira da L&PM, o escritor uruguaio lamenta “que o livro não tenha perdido a atualidade” e reconhece que o retrato traçado em 1970 seguia válido. Quatro décadas depois da primeira edição, As veias abertas da América Latina continuava a descrever um continente preso às mesmas engrenagens de dependência.
Publicado em 1970 e atualizado em 1977, quando a maior parte dos países da região vivia sob ditaduras, o livro reconstitui a história latino-americana a partir da exploração de suas riquezas. A narrativa começa com a chegada de espanhóis e portugueses no fim do século 15 e acompanha a sucessão de potências que vieram depois: ingleses, holandeses, franceses e, mais recentemente, norte-americanos. Mudam os protagonistas, mas o cenário de submissão, miséria e espoliação se repete.
Jornalista, Galeano combina dados econômicos, episódios históricos e uma prosa ao mesmo tempo lírica e amarga. Essa mistura ajudou a transformar a obra em referência para gerações de leitores, com milhões de exemplares vendidos no mundo e o status de clássico do pensamento libertário no continente.
A escritora chilena Isabel Allende contou que seu exemplar foi um dos poucos objetos que levou ao deixar o Chile depois do golpe militar de Augusto Pinochet, em 1973. “É uma mistura de detalhe meticuloso, convicção política, talento poético e boa narrativa”, definiu Allende.
A nova edição traz capa reformulada, índice analítico e tradução de Sergio Faraco, contista gaúcho. O próprio Galeano aprovou o trabalho. “Excelente trabalho de Sergio Faraco, melhora a não menos excelente tradução anterior, de Galeno de Freitas. E graças ao talento e à boa vontade destes dois amigos, meu texto original, escrito há quarenta anos, soa melhor em português do que em espanhol”, escreveu o autor.
O autor
Eduardo Hughes Galeano nasceu em Montevidéu, em 1940, e morreu em 2015. Jornalista e escritor, dedicou a obra à memória da América Latina. Além de As veias abertas da América Latina, escreveu a trilogia Memória do fogo, publicada entre 1982 e 1986, e livros sobre futebol que o tornaram uma das principais vozes literárias sobre o esporte.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.