sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Galeano revisita a exploração da América Latina

Luana Avelarpor em
Galeano revisita a exploração da América Latina
Publicado em 1971, “As Veias Abertas da América Latina” percorre séculos de dependência econômica, desigualdade e disputa pelas riquezas do continente

Publicado originalmente em 1971, “As Veias Abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano, atravessou décadas sem perder a capacidade de provocar leitores. Entre história, ensaio e literatura, o escritor uruguaio percorre séculos de exploração econômica do continente e constrói uma interpretação marcada pelas relações de dependência estabelecidas desde a colonização.

O livro acompanha a chegada dos europeus, a extração de riquezas naturais e a formação de estruturas econômicas que, na leitura de Galeano, mantiveram países latino-americanos em posição subordinada mesmo depois das independências. Ouro, prata, açúcar, café, borracha e petróleo aparecem não apenas como mercadorias, mas como fios de uma história atravessada pela concentração de riqueza e pela desigualdade.

Mais de cinco décadas depois, a obra permanece entre os títulos latino-americanos de maior circulação internacional. A edição da L&PM ganhou nova tradução de Sergio Faraco, além de índice analítico e prefácio escrito pelo próprio Galeano em 2010. Nele, o autor lamenta que muitas das questões abordadas no livro continuassem reconhecíveis tantos anos depois.

Com uma prosa que mistura denúncia, imagens literárias e reconstrução histórica, “As Veias Abertas da América Latina” segue como convite a discutir quem produziu a riqueza do continente, quem se beneficiou dela e quais marcas desse passado ainda permanecem.

O autor

Eduardo Galeano (1940-2015) nasceu em Montevidéu, no Uruguai. Viveu exilado na Argentina e na Catalunha, na Espanha, desde 1973. No início de 1985, com o fim da ditadura, voltou a Montevidéu. Galeano comete, sem remorsos, a violação de fronteiras que separam os gêneros literários. Ao longo de uma obra na qual confluem narração e ensaio, poesia e crônica, seus livros recolhem as vozes da alma e da rua e oferecem uma síntese da realidade e sua memória. Recebeu o prêmio José María Arguedas, outorgado pela Casa de las Américas de Cuba, a medalha mexicana do Bicentenário da Independência, o American Book Award da Universidade de Washington, os prêmios italianos Mare Nostrum, Pellegrino Artusi e Grinzane Cavour, o prêmio Dagerman da Suécia, a medalha de ouro do Círculo de Bellas Artes de Madri e o Vázquez Montalbán do Fútbol Club Barcelona. Foi eleito o primeiro Cidadão Ilustre dos países do Mercosul e foi o primeiro escritor agraciado com o prêmio Aloa, criado por editores dinamarqueses, e também o primeiro a receber o Cultural Freedom Prize, outorgado pela Lannan Foundation dos Estados Unidos. Seus livros foram traduzidos para muitas línguas.

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