Goiás fica mais 8 anos sem terras que Bahia tomou e STF devolveu
O Oeste, em extensa divisa com Goiás, é a região que mais se desenvolve na Bahia, sobretudo os municípios de Luís Eduardo Magalhães e Correntina. Com um detalhe: nem todas essas terras são baianas. Em 2014, o Supremo Tribunal Federal validou pesquisa do Exército reconhecendo que a fronteira se dá no divisor de águas, não pela fralda (a base) da Serra Geral. Em 2018, os governadores José Eliton (GO) e Jaques Wagner (BA) fizeram um acordo para que a vitória goiana no STF se concretizasse em uma linha reta entre os dois Estados. Com isso, um distrito de Correntina, Rosário, agora com 10 mil habitantes, não seria fracionado.
A demanda começou há 40 anos e, em outro trecho, envolve também Piauí e Tocantins. O Supremo, na Ação Cível Originária 347, relatada pelo ministro Luiz Fux, mandou devolver para Goiás 42,3 mil hectares, quase 9 mil alqueirões, que ali passa de R$ 1 milhão cada, supervalorizados devido à tecnologia que transformou aquele enclave num Vale do Agrossilício. A O HOJE, Eliton lembrou dos esforços à época para que municípios do Nordeste goiano, como Campos Belos, Guarani, Mambaí, Posse, São Domingos e Sítio d’Abadia, recuperassem os territórios tomados.
O prejuízo de R$ 10 bilhões em chão se amplia pelos 4 milhões de sacas de grãos colhidos por ano nos terrenos invadidos. Eliton, que é de Posse e atuou em favor de Goiás desde que era vice de Marconi Perillo, consolidou a medição do Exército e a decisão do STF, mas o sucessor de Wagner na Bahia, o hoje ministro Rui Costa, cedeu a pressões de entidades conterrâneas e não foi incomodado pelas autoridades do lado de cá. As áreas ainda não foram devolvidas. (Especial para O HOJE)