Coluna

Goiás registra déficit de US$ 2,15 bi no comércio de bens manufaturados

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 15 de outubro de 2019

A
indústria goiana de produtos manufaturados encerrou os primeiros nove meses
deste ano com um déficit de aproximadamente US$ 2,151 bilhões em sua balança
comercial, em ligeiro recuo de 1,0% frente ao rombo de US$ 2,172 bilhões
acumulados entre janeiro e setembro do ano passado. A melhora discretíssima,
além de não sinalizar uma reversão nos resultados historicamente negativos do
Estado nesta área, esconde o tombo de 26,6% nas exportações do setor e resulta
de uma redução de 3,9% nas importações, segundo dados da Secretaria de Comércio
Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Secex/Mdic).

As
vendas externas de bens manufaturados, que já tinham uma representação
baixíssima na pauta de exportações de Goiás, encolheram de US$ 297,99 milhões
para US$ 218,77 milhões e sua participação no total exportado recuou de 5,0%
para 4,4%. As importações de manufaturas baixaram praticamente US$ 100,0
milhões, caindo de US$ 2,470 bilhões para US$ 2,370 bilhões em valores
aproximados.

Como
as importações de manufaturas têm maior relevância, respondendo por quase 90%
de tudo o que o Estado compra lá fora, o impacto sobre o saldo comercial tende
a ser mais expressivo, o que explica a leve redução do déficit embora as
exportações tenham mergulhado em queda. Mais uma vez, torna-se evidente a
dependência excessiva de commodities, especialmente soja e derivados, na ponta
das exportações, enquanto as importações concentram-se em bens de maior valor
agregado, deixando um desequilíbrio crônico nas relações de troca com o
restante do mundo.

Em
outras palavras, o custo das importações será sempre muito superior ao valor
por unidade dos bens exportados, exigindo um esforço extra da economia local
para exportar e “compensar” o preço mais alto a ser pago nas importações.

Rombo avança

No
Brasil, a balança comercial do setor de manufaturados apontou tendência
inversa, com elevação de 6,4% no déficit setorial, que avançou de US$ 52,238
bilhões para US$ 55,573 bilhões, igualmente no período entre janeiro e setembro
de 2018 e de 2019, pela ordem. As exportações brasileiras de manufaturados
caíramde US$ 63,125 bilhões para US$ 58,367 bilhões, enquanto as importações
sofreram recuo de 1,23%, saindo de US$ 115,363 bilhões para US$ 113,941
bilhões. Nos dois casos – Brasil e Goiás –, o saldo positivo na balança
comercial é assegurado quase inteiramente pelo setor de produtos básicos, que
acumulou superávit de US$ 71,186 bilhões em todo o País e de US$ 3,611 bilhões
no Estado, sempre nos nove primeiros meses deste ano.

Balanço

·  
Quase
56% da redução das exportações de manufaturados em Goiás tiveram como causa a
retração de 19,3% nas compras de bens de capital, que poderiam ser utilizados
pela indústria regional para modernizar seu parque, substituindo máquinas e
equipamentos mais antigos, e mesmo ampliar sua capacidade.

·  
Não
parece ser o que vem ocorrendo. Entre janeiro e setembro de 2018, o Estado
importou US$ 290,07 milhões em bens de capital, valor reduzido para US$ 234,12
milhões neste ano, em baixa de US$ 55,944 milhões aproximadamente.

·  
Houve
contribuição negativa igualmente da indústria de produtos farmacêuticos, que
reduziu suas compras de medicamentos de uso humano e animal em 11,9% naquela
mesma comparação. Esse tipo de importação baixou de US$ 939,69 milhões para US$
827,44 milhões.

·  
Para
compensar as perdas, as compras de fertilizantes a base de fosfato, potássio e
nitrogênio, que igualmente entram na categoria de manufaturados, saltaram
36,6%, de US$ 110,903 milhões para US$ 151,457 milhões.

·  
O
setor automotivo, embora venha enfrentando altos e baixos no Estado, com avanço
acumulado de apenas 0,5% na produção entre janeiro e agosto deste ano (e um
tombo de 22,6% nos 12 meses encerrados em agosto último), elevou suas
importações de partes e peças para automóveis e tratores em 10,3% (de US$
175,50 milhões para US$ 193,57 milhões).

·  
As
importações de automóveis avançaram 18,2%, saindo de US$ 106,89 milhões para
US$ 126,39 milhões. Uma das hipóteses sugeridas pelos
dados indica que a indústria estaria substituindo crescentemente a produção
local por peças, acessórios, partes e mesmo veículos totalmente montados
trazidos de fora do País.

·  
Na
mesma linha, as importações de colheitadeiras subiram 23,3%, de US$ 60,883
milhões para US$ 75,096 milhões.

Um acerto entre China e Estados Unidos teria
consequências negativas para a balança comercial goiana, já que o mercado
chinês responde por 84,8% de toda a soja em grão exportada por Goiás. Um
aumento na compra da soja norte-americana pelos chineses pode trazer cortes nas
importações de outras regiões, destacadamente do Brasil, líder global nas
exportações do grão. 

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