O Hoje, O Melhor Conteúdo Online e Impresso, Notícias, Goiânia, Goiás Brasil e do Mundo - Skip to main content

sábado, 31 de janeiro de 2026

Governo freia incentivos, mas valor atinge quase R$ 81,7 bilhões desde 2019

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 25 de janeiro de 2026
Governo
Foto: Tarcísio Boquady/ MinC

O freio imposto à concessão de benefícios fiscais nos últimos três anos reduziu os incentivos contratados para R$ 9,502 bilhões em 2025, o menor valor real desde 2015. O montante representa queda de 14,67% em relação a 2024 e um recuo de quase 29% na comparação com 2022. Para efeito de comparação, os benefícios haviam alcançado R$ 11,136 bilhões em 2024 e cerca de R$ 13,378 bilhões em 2022, o maior patamar da série iniciada em 2012. Os valores foram atualizados até dezembro de 2025 com base na variação do IPCA, do IBGE, e os dados nominais podem ser consultados no portal Goiás Transparente.

Desde 2022, os incentivos concedidos aos diversos setores da economia goiana por meio dos programas Fomentar, Produzir e do crédito outorgado sofreram um corte acumulado de R$ 3,876 bilhões. O enxugamento atingiu de forma mais intensa a indústria de transformação, cujos incentivos totais recuaram de R$ 7,417 bilhões para R$ 5,940 bilhões entre 2024 e 2025, queda real de 19,92%.

Na comparação com 2022, quando a indústria havia contratado incentivos próximos de R$ 9,906 bilhões — recorde da série histórica —, observa-se um tombo de 40,04%, equivalente a um corte superior a R$ 3,966 bilhões. A participação do setor industrial no total de benefícios caiu de 75,76% em 2021, o maior percentual da série, para 62,51% em 2025, o nível mais baixo em 14 anos.

Apesar dos cortes recentes, o volume acumulado de benefícios fiscais segue elevado. Entre 2019 e 2025, os incentivos concedidos pelo governo estadual somaram aproximadamente R$ 81,690 bilhões, a valores de dezembro do ano passado. Desse total, a indústria respondeu por 70,95%, com benefícios em torno de R$ 57,955 bilhões, evidenciando o peso do setor na política de renúncia fiscal.

Ainda em alta

Na comparação com o período de 2012 a 2018, houve crescimento real de 18,33% no valor total dos benefícios fiscais destinados aos diversos setores da economia estadual, com avanço de 15,16% especificamente para a indústria. Na soma daqueles sete anos, os incentivos alcançaram pouco menos de R$ 69,036 bilhões, dos quais cerca de R$ 50,327 bilhões foram direcionados à indústria de transformação, responsável, em média, por 72,90% do total.

Caso o governo estadual decidisse retornar aos níveis reais praticados entre 2012 e 2018, seria necessário promover um corte adicional de R$ 12,654 bilhões nos próximos anos, o equivalente a cerca de 15,5% dos incentivos informados para o período entre 2019 e 2025.

Balanço

Na relação com o Produto Interno Bruto (PIB), os benefícios fiscais atingiram sua maior participação em 2021, quando representaram 3,89% do total das riquezas geradas no Estado. O cálculo considera incentivos de R$ 10,497 bilhões, a valores nominais, e um PIB estimado em R$ 269,628 bilhões, segundo dados do IBGE e do Instituto Mauro Borges (IMB).

Entre 2012 e 2013, essa participação oscilou entre 3,41% e 3,17%, subiu para 3,72% em 2018 e alcançou 3,82% no primeiro ano do governo seguinte. A proporção avançou até 2021 e passou a recuar a partir de então, chegando a 3,65% em 2022.

Nos dois últimos anos, a tendência de queda se intensificou, com a fatia dos incentivos no PIB sendo reduzida para 2,95% em 2024 e para 2,41% em 2025, caso se confirmem as estimativas do IMB, que projeta um PIB de R$ 360,06 bilhões e R$ 388,32 bilhões para esses anos, respectivamente.

Na média, observa-se leve recuo na relação entre incentivos fiscais e PIB. Entre 2012 e 2018, essa proporção ficou em torno de 3,41%, enquanto, no período de 2019 a 2025, os dados disponíveis indicam uma média de aproximadamente 3,31%.

A comparação entre benefícios fiscais e receitas arrecadadas é mais complexa, em razão das diferenças metodológicas e da descontinuidade de algumas bases de dados. Em uma das séries do IMB, os incentivos chegaram a representar 41,9% das receitas estaduais em 2020, ante 24,15% em 2013. Em 2023, essa proporção ficou em 34,88%.

Já nos dados da Secretaria da Economia de Goiás, que consideram impostos e outras receitas próprias, mas excluem transferências da União, a participação dos incentivos caiu de um pico de 39,32% em 2020 para 23,66% em 2025. Pelo portal Goiás Transparente, que inclui impostos, taxas, contribuições, transferências e fundos, os benefícios representaram 30,13% das receitas em 2021 e recuaram gradualmente para 18,88% em 2025.

Considerando apenas as receitas sobre as quais o Estado tem maior influência, os incentivos fiscais corresponderam a 32,82% das receitas entre 2019 e 2025 e a 41,63% da arrecadação do ICMS no mesmo período. As receitas nominais totalizaram R$ 212,249 bilhões, frente a incentivos de R$ 69,652 bilhões.

No recorte setorial, a indústria recebeu incentivos de aproximadamente R$ 49,161 bilhões e gerou arrecadação de R$ 41,777 bilhões. Em tese, o Estado teria destinado ao setor cerca de R$ 7,384 bilhões a mais em incentivos do que arrecadou em impostos, embora esse resultado deva ser analisado com cautela diante das divergências estatísticas entre as fontes disponíveis.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos canais de comunicação do O Hoje para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.