Governo lucra com o petróleo; agro e indústrias ficam com o prejuízo
Mais uma notícia ruim para o País. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), velho conhecido dos brasileiros 40+, subiu a previsão de déficit nas contas públicas a partir de 2027, para 100% do Produto Interno Bruto (PIB). O que era preocupação para muitos setores da economia tupiniquim passa a ser alarmante. Mas, na avaliação de economistas e empresários de variados setores econômicos, se a guerra perdurar pelo controle do Estreito de Ormuz, onde passa mais de 20% do petróleo, o Brasil e em especial a Petrobrás saem ganhando.
Para entender essa conta de ganha-ganha, a coluna conversou com o consultor de mercado, palestrante e produtor rural Ênio Fernandes. De acordo com Fernandes, 84% das famílias estão endividadas, o faturamento da indústria caindo mês a mês e juros altos, ingredientes tóxicos para os negócios. “Existe um paradoxo: juros altos favorecem uma operação chamada ‘carry trade’, que é o empréstimo em um país com taxa de juros baixos para aplicar em nações de juros altos, caso do Brasil.” Ênio explica a especulação. “A empresa ou investidor capta o recurso com juros, no máximo 5%, e aplica em nosso país, que está em 15%, com isso, tem lucro de 10%”, lamenta. Segundo o consultor, esses juros altos estão “matando a economia brasileira por conta dessa entrada de dólares”.
Com o crescente aumento do déficit fiscal, a capacidade para pagar a dívida pública vai se estreitando. “O que quase ninguém aborda é que esse barril de petróleo beirando US$ 100 dólares pode trazer para o nosso País algo próximo de R$ 75 bilhões”, afirma Ênio. Ele acrescenta que o Brasil é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. “Exportamos mais do que o Irã, mas com um agravante: importamos gasolina e óleo diesel. Resumindo, o maior beneficiário desse processo dolarizado é o governo federal. Ele lucra em moeda forte e a indústria e o agro não conseguem fechar a conta em real.”
Ano eleitoral significa mais gastos
O consultor Ênio Fernandes acrescenta ao sufoco econômico o fator eleitoral. “O governo vem gastando acima do que arrecada. Agora ainda mais, devido a ser um ano de eleições gerais. E a tendência é distribuir sacos de bondades para turbinar o eleitorado, principalmente os de baixa renda, onde se encontra uma parcela muito grande desse voto.” Ênio ressalta que não é só o presidente Lula, mas governadores, deputados e prefeitos também aumentam os gastos para eleger seus deputados.
Celina no rumo certo
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), demonstra ser excelente equilibrista, daqueles que atravessam um prédio a outro em um cabo de aço. A imagem ilustra seu esforço político para manter o BRB de pé e como instituição financeira importante para o DF. Na outra ponta, tenta segurar a volúpia dos aliados na gastança dos escassos recursos do tesouro. Por isso, o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, fechou as torneiras de gastos não essenciais. Haverá ranger de dentes, mas não existem ganhos sem dor.
Caiado no beco
Ronaldo Caiado (PSD) terá um cenário desafiador no Rio de Janeiro. De um lado, o pré-candidato a governador Eduardo Paes (PSD), alinhado com Lula, (PT) e do outro, estar no berço político da família Bolsonaro. A avaliação na base caiadista é de que há pouco espaço para apoio de lideranças locais.
Nova polêmica
Apoio de Gustavo Gayer (PL) à reeleição do deputado federal Ismael Alexandrino (PSD) passou a gerar incômodo não apenas no PL, mas também na base bolsonarista. Nas redes sociais, eleitores resgataram declarações de 2024, quando o parlamentar pediu boicote ao PSD, classificando a sigla como “a mais perigosa para o Brasil” e associando Kassab a Moraes.
Lula contra Trump
Lula voltou a criticar o presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista ao jornal espanhol El País. “Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito a isso.” Analistas políticos avaliam que o presidente brasileiro busca reeditar a estratégia de “soberania”, tema que lhe valeu bons pontos na intenção de votos durante a queda de braços com Trump sobre as tarifas aos produtos brasileiros.
Juarez, o solitário – Ao assumir o comando do PDT em Goiás, Carlos Lupi expôs o esvaziamento da sigla no Estado. Após a saída de Dr. George e Flávia Morais para o MDB, a figura mais importante do partido no Estado ficou a cargo do vereador por Goiânia Juarez Lopes.