terça-feira, 4 de agosto de 2026

Governo registra déficit pelo segundo bimestre consecutivo

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 4 de agosto de 2026 às 09:01

O crescimento mais acelerado das despesas, empurrado pelo avanço de gastos gerais com o setor público em seu conjunto, e a perda de ritmo das receitas contribuíram para que as contas do Estado voltassem a apresentar déficit no terceiro bimestre deste ano, revertendo o resultado positivo alcançado em igual período do ano passado. Entre maio e junho deste ano, de acordo com dados do relatório resumido da execução orçamentária, as receitas primárias totais, excluídas aquelas de caráter financeiro, anotaram variação de apenas 1,60% em termos nominais frente ao mesmo bimestre de 2025, variando de R$ 8,058 bilhões para quase R$ 8,187 bilhões, indicando queda real de 3,6% quando considerada a inflação de 5,41% acumulada em 12 meses em Goiânia, no acompanhamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As despesas, ao contrário, aumentaram a um ritmo de 10,89% entre aqueles dois bimestres, apontando um crescimento real de quase 5,2% no período, saindo de R$ 7,863 bilhões para pouco mais de R$ 8,718 bilhões. Para comparação, enquanto as receitas anotaram variação de R$ 129,067 milhões em valores absolutos, as despesas aumentaram em R$ 855,868 milhões. A maior contribuição nesta linha veio dos demais gastos correntes, incluindo compromissos efetivamente pagos e restos a pagar processados e não processados também pagos.

As demais despesas correntes, portanto, aumentaram 20,52% no mesmo intervalo, saltando de R$ 2,466 bilhões para R$ 2,972 bilhões, significando um desembolso adicional de R$ 506,052 milhões, correspondendo a pouco mais de 59,1% do incremento registrado para o total das despesas. A folha de pessoal, seguindo os mesmos critérios, apresentaram variação nominal de 3,40% (em queda real de pouco mais de 1,9%), saindo de alguma coisa inferior a R$ 4,010 bilhões para R$ 4,146 bilhões – ou seja, em torno de R$ 136,550 milhões adicionais (representando menos de 16% do aumento das despesas primárias totais).

 

Virada de sinais

O resultado primário, mais uma vez com exclusão de juros e amortizações sobre a dívida estadual, registrou uma virada de sinais, deixando para trás um saldo positivo de R$ 195,282 milhões no terceiro bimestre de 2025 para um déficit de R$ 531,519 milhões em igual período deste ano. A mudança correspondeu a uma diferença de R$ 726,801 milhões. Mas, de toda forma, houve alguma melhora em relação ao déficit primário de R$ 834,231 milhões realizado no segundo bimestre deste ano. Mais concretamente, observou-se uma redução de 36,29%. O déficit acumulado entre março e junho deste ano atingiu R$ 1,366 bilhão, o que se compara com um déficit de R$ 729,955 milhões nos mesmos quatro meses do ano passado, numa elevação nominal de nada menos do que 87,10% (perto de R$ 635,795 milhões a mais).

 

Balanço

Além da folha de salários, que sofreu perda real, os investimentos foram igualmente sacrificados, com sua variação limitada a 2,93% novamente na comparação com o terceiro bimestre do ano passado. Descontada a inflação, o dado sugere uma redução de 2,35% em valores atualizados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em dados nominais, quer dizer, sem atualização, os valores investidos pelo Estado variaram de R$ 821,704 milhões entre maio e junho de 2025 para R$ 845,754 milhões nos mesmos meses deste ano.

De todo modo, os números oficiais indicam alguma recuperação frente aos R$ 797,225 milhões investidos em março e abril deste ano. Nessa comparação, registrou-se elevação de 6,09%. Esse ganho relativo, como se verá, contribuiu apenas para limitar as perdas registradas ao longo do primeiro semestre na conta do investimento, a despeito das demandas em geral observadas em tempos de eleições.

As tendências ao longo da primeira metade deste ano, ao contrário, ainda refletem o aperto mais intenso realizado nos primeiros meses deste ano, mas em seguida parcialmente revertido. Entre janeiro e junho, as receitas primárias apresentaram variação nominal de 4,94% entre 2025 e 2026, avançando de R$ 22,715 bilhões para R$ 23,838 bilhões, num ganho de R$ 1,123 bilhão. O número sugere uma leve redução de 0,45% depois de descontada a inflação, numa estimativa ainda preliminar.

O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento nominal de 13,68% na arrecadação líquida do Imposto sobre a Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS), que cresceu de R$ 8,584 bilhões para R$ 9,758 bilhões, num ganho de R$ 1,174 bilhão. Quando descontada a inflação, em princípio, o aumento real aproxima-se de 7,85%.

A despeito daquela alta, as receitas primárias correntes tiveram seu avanço limitado a 4,76% (baixa de 0,62% quando descontada a inflação) e variaram de R$ 21,044 bilhões para R$ 22,045 bilhões (num incremento de pouco mais de R$ 1,0 bilhão).

As despesas primárias totais anotaram variação nominal de 4,06% no semestre, sugerindo perda real próxima de 1,28%. A valores não atualizados, os gastos efetivamente pagos, somados a restos a pagar processados e não processados também pagos, somaram R$ 24,630 bilhões nos seis meses iniciais deste ano, diante de R$ 23,669 bilhões em igual período do ano passado, em valores arredondados.

Como os dados mostram, o ganho na ponta das receitas ficou levemente acima do incremento registrado pelas despesas primárias, em números absolutos, já que corresponderam a um acréscimo de R$ 961,670 milhões. Essa diferença produziu uma redução nominal de 16,90% no déficit primário, saindo de R$ 953,568 milhões no primeiro semestre do ano passado para R$ 792,415 milhões (em torno de R$ 161,153 milhões a menos). Para relembrar, no primeiro quadrimestre, a queda havia sido muito mais acentuada, num tombo de 77,29%.

A folha de pessoal experimentou elevação de 5,51% no semestre analisado, avançando de R$ 11,481 bilhões no ano passado para R$ 12,114 bilhões aproximadamente, em torno de R$ 632721 milhões a mais. As demais despesas correntes, com a aceleração observada no terceiro bimestre, terminaram a primeira metade deste ano num recuo de 0,97% – lembrando que haviam encolhido 9,80% no primeiro quadrimestre.

Entre janeiro e junho deste ano, os demais gastos correntes acumularam perto de R$ 8,379 bilhões, num corte de R$ 81,649 milhões em relação aos R$ 8,461 bilhões dispendidos nos mesmos seis meses do ano passado. O investimento de fato pago naqueles períodos ainda manteve-se ligeiramente abaixo dos valores desembolsados em 2025, recuando de R$ 2,068 bilhões para R$ 2,046 bilhões, quer dizer, uma baixa nominal de 1,08% (quase 6,5% menor, quando considerada a inflação do período).

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