Governo volta ao vermelho (mas déficit veio menor que em 2025)
Depois de encerrar o primeiro bimestre do ano com superávit de R$ 573,335 milhões, como resultado de cortes de gastos correntes e nos investimentos, as contas do governo estadual voltaram a transitar por terreno negativo no segundo bimestre, refletindo algum afrouxamento no lado das despesas e investimentos e certa perda de dinamismo nas receitas. No bimestre março a abril deste ano, as receitas primárias atingiram R$ 7,579 bilhões frente a pouco menos de R$ 7,242 bilhões em igual bimestre do ano passado, numa variação nominal de 4,66% – praticamente metade da elevação de 8,85% que havia sido registrada no primeiro bimestre, também em relação a idêntico período do ano passado.
A taxa de variação observada no segundo bimestre não apenas ficou aquém do avanço realizado nos primeiros dois meses deste ano, mas ainda foi insuficiente para superar a inflação acumulada em 12 meses até abril em Goiânia, que se aproximou de 5,01% na medição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ritmo de crescimento das despesas, na comparação interanual, foi menos intenso na comparação com o aumento das receitas, mas significou uma reversão quando se considera o recuo de 1,84% observado nos dois primeiros meses deste ano diante de igual intervalo de 2025.
Os gastos primários totais, incluindo despesas primárias pagas e restos a pagar processados e não processados também pagos, somaram R$ 8,413 bilhões no segundo bimestre deste ano, variando 3,02% em relação aos R$ 8,167 bilhões pagos nos mesmos dois meses do ano passado. O superávit anotado no primeiro bimestre foi trocado por um déficit primário de R$ 834,231 milhões neste ano. De toda forma, o resultado negativo anotou uma redução de 9,84% diante de um déficit primário de R$ 925,237 milhões em igual bimestre de 2025.
Reação moderada
Naquela mesma comparação, as despesas com a folha de pessoal e encargos aumentou 10,89%, subindo de R$ 3,706 bilhões para R$ 4,110 bilhões. As demais despesas correntes sofreram corte de R$ 91,771 milhões, caindo de R$ 3,076 bilhões para R$ 2,984 bilhões, numa redução de 2,98%. O investimento cresceu muito moderadamente e não conseguiu compensar integralmente o tombo de 14,14% registrado no primeiro bimestre. Nos dois meses seguintes, foram investidos R$ 797,225 milhões, num incremento de 4,93% em relação aos R$ 759,778 milhões investimento em março e abril do ano passado.
Balanço
Embora a análise da evolução das contas primárias bimestre a bimestre, sem ajustes, possa estar “contaminada” por fatores sazonais, essa comparação parece reforçar a tendência de perda de vigor das receitas e de maior aceleração das despesas, ao menos no curtíssimo prazo.
Entre janeiro e fevereiro, as receitas primárias totais haviam somado R$ 8,072 bilhões e caíram 6,10% no bimestre seguinte, para aqueles já registrados R$ 7,579 bilhões. As despesas, ao contrário, subiram 12,20%, saindo de R$ 7,499 bilhões no primeiro bimestre. Essa discrepância explica porque o saldo primário voltou a ser negativo no segundo bimestre (ainda que em níveis menores do que no mesmo período do ano passado, ressalve-se mais uma vez).
Ainda na passagem do primeiro para o segundo bimestre, as despesas com pessoal observaram variação de 6,56%, enquanto as demais despesas correntes subiram 23,15%. No caso do investimento, o corte aplicado nos primeiros dois meses deste ano havia derrubado os desembolsos para R$ 402,671 milhões. A base reduzida explica em parte o salto de 98,0% registrado no segundo bimestre, já que os valores investidos retomaram ou e aproximaram mais dos níveis registrados em igual bimestre do ano passado.
Nos primeiros quatro meses deste ano, as receitas avançaram 6,78% diante de igual quadrimestre de 2025, saindo de R$ 14,657 bilhões para quase R$ 15,651 bilhões, num ganho real de 1,70% aproximadamente. As despesas anotaram variação de apenas 0,67% entre os dois períodos analisados aqui, passando de R$ 15,806 bilhões para R$ 15,912 bilhões. Numa estimativa preliminar, houve queda de 4,1% em termos reais, depois de descontada a inflação.
A elevação comparativamente mais acentuada das receitas contribuiu para uma redução de 77,29% no déficit primário no quadrimestre, despencando de R$ 1,149 bilhão no ano passado para R$ 260,896 milhões neste ano. Quando descontada a inflação, a retração ficou muito próxima de 78%.
A maior contribuição para o desempenho bastante comedido das despesas veio dos demais gastos correntes, que sofreram corte de R$ 587,701 milhões, em queda de 9,80% a valores nominais (ou retração de quase 14,0% depois de descontada a inflação). Tomando os dados sem atualização, as demais despesas correntes baixaram de R$ 5,994 bilhões para R$ 5,406 bilhões.
A combinação daqueles resultados levou a um recuo de 0,68% nas despesas primárias correntes, saindo de R$ 13,466 bilhões para R$ 13,374 bilhões, perto de R$ 91,330 milhões a menos – correspondendo a uma redução de aproximadamente 5,4% em termos reais.
A reação observada no segundo bimestre ajudou a reduzir as perdas acumuladas no quadrimestre na conta dos investimentos estaduais, que recuaram de R$ 1,229 bilhão nos quatro meses iniciais do ano passado para menos de R$ 1,20 bilhão, em baixa de 2,35% (ou R$ 28,870 milhões a menos). Se descontada a inflação, no entanto, estima-se uma redução em torno de 7,0%.
Na ponta das receitas, a principal contribuição veio do Imposto sobre a Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS), que teve a arrecadação líquida elevada de R$ 5,537 bilhões para R$ 6,405 bilhões, num incremento nominal de 15,68% (variação inferior à alta de 18,59% anotada apenas no primeiro bimestre, sugerindo discreta desaceleração). No segundo bimestre, a arrecadação líquida imposto avançou de R$ 2,858 bilhões no ano passado para R$ 3,229 bilhões, em alta de 12,95%.