Grandes empresas lideram desembolsos do BNDES em Goiás, com salto de 252%
A reação vigorosa registrada pelos desembolsos direcionados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) às empresas goianas no ano passado foi amplamente liderada pelos grupos de maior porte e puxada especialmente pelas operações destinadas ao setor elétrico em Goiás. Depois de anotarem baixa de 21,4% entre 2023 e 2024, recuando para qualquer coisa abaixo de R$ 2,840 bilhões, os desembolsos no Estado subiram 75,55% no ano passado, atingindo praticamente R$ 4,985 bilhões. Em termos nominais, foi o quarto melhor desempenho da série histórica do banco de fomento, iniciada em 1995, “perdendo” para 2007, 2014 e 2015. Sem considerar o impacto da inflação sobre aquelas valores, os desembolsos naqueles anos, seguindo a mesma ordem, alcançaram R$ 5,132 bilhões, R$ 5,445 bilhões (recorde histórico) e R$ 5,085 bilhões.
Como um dado menos positivo, diante da tendência de concentração dos desembolsos em torno de projetos de maior valor, as grandes empresas concentraram todo o crescimento observado na saída de 2024 para o ano seguinte, com perdas para médias, pequenas e micro empresas na mesma comparação. Os empréstimos e financiamentos desembolsados pelo BNDES em favor de grandes empresas somaram R$ 3,213 bilhões no ano passado, saltando nada menos do que 252,25% em relação ao total desembolsado no ano anterior, perto de R$ 912,504 milhões.
A fatia dos desembolsos reservados a grandes grupos avançou de 32,12% para 64,46%, refletindo o incremento de R$ 2,301 bilhões anotado para aquele porte de empresas. As médias empresas tiveram sua participação reduzida de 45,38% para 24,51%, refletindo a queda de 5,20% nos desembolsos, que baixaram de R$ 1,289 bilhão para pouco menos de R$ 1,222 bilhão. Micro e pequenas empresas, em conjunto, sofreram a perda mais intensa, proporcionalmente, com queda de 13,92% no valor dos desembolsos, saindo de R$ 638,842 milhões, perto de 22,50% do total, para R$ 549,900 milhões, apenas 11,03% de tudo o que o banco emprestou no Estado em 2025.
Mais concentração
O perfil dos desembolsos tende a se manter ao longo deste ano, a se considerar o desempenho mais recente das aprovações de projetos pelo BNDES. Entre 2024 e 2025, o valor daqueles projetos cresceu de R$ 4,409 bilhões para R$ 6,621 bilhões, apresentando alta de 50,16% – o que sugere uma tendência de continuidade no crescimento dos desembolsos. As aprovações, para comparação, haviam sofrido baixa de 22,39% na saída de 2023 para 2024, dado que veio acompanhado por queda quase equivalente nos desembolsos. De toda forma, ainda que as aprovações não venham a se materializar em novos desembolsos, o aumento observado no passado ficou concentrado entre as grandes empresas, que passaram a responder por 59,7% das aprovações, frente a 39,9% em 2024. Sempre a valores nominais, as aprovações naquele segmento mais do que dobraram, subindo 124,6% em grandes números e saltando de R$ 1,761 bilhão para R$ 1,831 bilhão (mais R$ 2,194 bilhões, algo como 99% do aumento geral observado para o total das aprovações).
Balanço
As empresas de porte médio até conseguiram realizar algum avanço, com as aprovações passando de R$ 1,726 bilhão para R$ 1,831 bilhão. Mas a elevação de 6,1% não foi suficiente para que o segmento conseguisse preservar sua participação no valor total aprovado, que baixou de 39,1% para 27,7%. Micro e pequenas empresas tiveram as aprovações reduzidas em 9,5%, de R$ 923,0 milhões para R$ 835,0 milhões, o que derrubou sua participação de 20,9% para 12,6%.
A indústria, com destaque para o setor de química e petroquímica, puxou o aumento das aprovações, com alta de 224% entre 2024 e 2025, o que correspondeu a um avanço de R$ 849,0 milhões (19,3% do total) para R$ 2,752 bilhões (41,6%). Perto de 86% de todo o crescimento dos valores aprovados vieram do setor industrial, que anotou acréscimo de R$ 1,903 bilhão – dos quais, 76,4% tiveram origem na contribuição das atividades química e petroquímica, que tiveram as aprovações multiplicadas em mais de cinco vezes, de R$ 333,0 milhões para R$ 1,787 bilhão.
Fase anterior às aprovações, as consultas encaminhadas por empresas goianas em busca de recursos do BNDES para financiar seus projetos de renovação, modernização e expansão cresceram 29,81% no ano passado, depois de terem experimentado um tombo de 49,0% na saída de 2023 para 2024. As consultas, que de certa forma antecipam decisões de investimento pelas empresas, saíram de R$ 4,774 bilhões em 2024 para R$ 6,198 bilhões no ano seguinte, perto de R$ 1,423 bilhão a mais.
Mais de dois terços daquele incremente devem ser creditados ao desempenho das consultas endereçadas ao banco pelo setor de comércio e serviços, que experimentou elevação de 107,5% entre o ano passado e 2024, com as consultas subindo de R$ 879,0 milhões para R$ 1,824 bilhão. A segunda maior contribuição veio da indústria, com aumento de 36,7%, de R$ 1,406 bilhão para R$ 1,922 bilhão. A agropecuária, com margens mais enxutas e incertezas à frente, reduziu suas consultas em 4,96%, de R$ 1,672 bilhão para R$ 1,589 bilhão.
O setor de infraestrutura teve consultas elevadas de R$ 818,0 milhões para R$ 862,0 milhões, numa variação de 5,38% explicada quase exclusivamente pelas consultas no setor de energia elétrica, que dobraram de apenas R$ 80,0 milhões para R$ 165,0 milhões (mais 106,3%).
Na mesma linha, diante da necessidade de modernização e expansão da rede de distribuição de energia no Estado, o setor foi igualmente o principal responsável pelo aumento dos desembolsos em Goiás, respondendo por 64,8% do incremento observado em relação a 2024. Os projetos nesta área, que haviam registrado a liberação de R$ 61,704 milhões em 2024, receberam pouco mais de R$ 1,452 bilhão no ano passado, quer dizer, um incremento de 23,5 vezes. O setor foi o principal responsável ainda por puxar os desembolsos no setor de infraestrutura de R$ 984,098 milhões para R$ 2,117 bilhões, em torno de 115,2% a mais.
A indústria veio na sequência, com um avanço de 320,29% no total dos desembolsos, saltando de R$ 311,976 milhões para R$ 1,311 bilhão. O destaque no setor industrial veio dos setores de fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, de biocombustíveis e produtos químicos, reunidos no setor químico e petroquímico. O ritmo intenso de alta pode ser explicado inicialmente pela base muito achatada em 2024, mas ainda pela perspectiva então vislumbrada pelas empresas de setor de crescimento da atividade econômica.
No setor químico e petroquímico, portanto, os desembolsos saltaram 8,3 vezes, de R$ 64,030 milhões para R$ 533,405 milhões, concentrados em cinco grandes projetos (que responderam por 81,28% do valor total desembolsado, algo como R$ 433,526 milhões). Empresas do setor de farmoquímicos e farmacêuticos tiveram os desembolsos multiplicados em pouco mais de mil vezes, disparando de apenas R$ 189,004 mil para R$ 223,723 milhões.
As usinas de biocombustíveis tiveram liberados R$ 142,358 milhões, quase dez vezes mais do que os desembolsos de R$ 14,399 milhões anotados em 2024. O setor de químicos, que inclui fertilizantes e adubos, mas também produtos de limpeza, de higiene pessoal e cosméticos, observou alta de 238,4%, de R$ 49,443 milhões para R$ 167,324 milhões.
Empresas de comércio e serviços receberam R$ 622,776 milhões diante de R$ 382,602 milhões em 2024, num incremento de 62,77%. Como exceção, a agropecuária contratou R$ 933,436 milhões frente a R$ 1,161 bilhão um ano antes, numa queda de 19,59%.