Coluna

Grandes usinas seguram estoques e preço do etanol sobe 24% em um ano

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 23 de agosto de 2019

A
citação veio perdido em meio ao texto, como se fosse uma observação causal
sobre a estratégia de negócios de um grande grupo alcooleiro, na verdade, o
maior produtor de etanol do País, com participação de capitais brasileiro e holandês.
Despretensiosamente, o executivo afirma ao repórter do mais importante jornal
de economia brasileiro que a companhia decidiu reduzir suas vendas do
combustível no primeiro trimestre deste ano para reforçar seus estoques e
segurar o produto à espera de preços mais altos, o que permitiria, claro,
“maximizar” a rentabilidade do negócio.

Em
outros tempos, a “estratégia” seria rapidamente associada à boa e velha
especulação, já que a decisão foi tomada quando o mercado ainda estava em
entressafra (a nova safra somente seria iniciada em abril). A despeito disso,
os preços médios recebidos pelas usinas paulistaspelo etanol hidratado, na
média dos primeiros três meses do ano, encontravam-se ao redor de 8,1% abaixo
dos níveis registrados no mesmo período de 2018, segundo dados brutos do Centro
de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Os
preços saltaram 9,8% em abril na comparação com o primeiro trimestre, ainda com
base nas séries levantadas pelo Cepea, mas recuaram novamente em maio, quando
as usinas passaram a intensificar a colheita e, portanto, a moagem de cana, mas
mantiveram-se quase 6,5% acima dos níveis registrados em maio de 2018. Agora em
agosto, considerando a média dos primeiros 16 dias do mês, os preços do etanol
hidratado voltaram a subir nas usinas, para quase R$ 1,76 por litro, acumulando
variação de 6,2% desde junho e um salto de 24,4% em relação ao mesmo período do
ano passado (quando o valor médio recebido por litro pelas usinas alcançou
alguma coisa ligeiramente acima de R$ 1,41).

Recordes, ainda
assim

Com
a política de revisões frequentes para os preços da gasolina, o etanol
manteve-se competitivo em relação ao seu principal concorrente e as vendas
marcaram novo recorde no primeiro semestre deste ano, crescendo 33% frente ao
mesmo período de 2018. Segundo estatísticas da Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as vendas do hidratado em todo o País
saltaram de pouco menos de 8,090 bilhões para quase 10,761 bilhões de litros,
num acréscimo de 2,671 bilhões de litros. O ganho semestral supera em quase 50%
o volume médio vendido no País mensalmente ao longo dos seis meses iniciais de
2019 (algo como 1,793 bilhões por mês).

Balanço

·  
Em
Goiás, as vendas cresceram em menor proporção, mas ainda assim avançaram de
forma vigorosa, apresentando alta de 28,7% naquela mesma comparação e subindo
de 642,82 milhões para 827,72 milhões de litros.

·  
Os
números da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) mostram que o ritmo de
alta pode ter perdido algum fôlego quando se consideram os primeiros meses do
ciclo atual.

·  
Entre
abril e julho deste ano, correspondendo aos primeiros quatro meses da safra
2019/20, as vendas de etanol hidratado no mercado interno aumentaram 25,3%
frente aos mesmos quatro meses da safra 2018/19, avançando de 6,115 bilhões
para 7,662 bilhões de litros na região Centro-Sul do País.

·  
Numa
fase de recordes para as vendas de etanol hidratado em todo o País, o mais
recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) traz
números relativamente mais otimistas do que espera o mercado para a safra
2019/20.A previsão oficial sugere estabilidade relativa
para a produção de cana, na faixa de 622,3 milhões de toneladas, alta de 9,5%
para a produção de açúcar (para 31,784 milhões de toneladas) e queda de 6,4%
para a produção total de etanol (inferior a 30,3 bilhões de litros).

·  
Para
a Conab, ainda, as usinas tendem a destinar 60,9% da cana (64,5% em 2018/19)
para a produção de etanol, reservando 39,1% para o açúcar (frente a 35,5% na
safra passada).

·  
Dados
da Unica para a região Centro-Sul (que responde por quase 92% da produção
brasileira de cana), no entanto, mostram que a moagem caiu 2,75% na comparação
entre 1º de abril a 1º de agosto deste ano com o mesmo intervalo de 2018, que
tombo de quase 10% para a produção de açúcar e baixa de 4,1% para a de etanol.

·  
O
volume de cana destinado à produção de etanol chegou a 64,7% do total (saindo
de 63,5%), com 35,3% para o açúcar (36,5% na safra passada, até 1º de agosto).


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