Guinada do eixo político enfraquece Zema e Caiado
Há mais de 30 anos, a fórmula da política brasileira de mudar tudo para não mudar nada teve um sinal emitido pelo Congresso de que “não é bem assim”. A derrota em sequência de Jorge Messias para o STF no Senado e a derrubada do veto da dosimetria dão mostras de que novos tempos vêm por aí.
Outro sinal é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perde tração como expectativa de poder e não encanta mais a elite do país. Depois de uma década e meia dando as cartas na política brasileira, a hegemonia do PT e de associados de esquerda mostra sinais de esgotamento.
A guinada do Centrão, capitaneada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), indica que “Lula, o encantador das massas”, perdeu a força. Mais do que uma derrota inédita — já que há mais de 100 anos um indicado ao Supremo não era rejeitado —, o efeito é considerado devastador e arrasta o projeto político de Lula para um cenário de incerteza.
Esse movimento também impacta Gilberto Kassab (PSD), que até agora sustenta a pré-candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República. A mudança no eixo político esvazia a estratégia de Kassab de romper a polarização do antipetismo contra a reeleição de Lula.
O mesmo ocorre com Romeu Zema (Novo), que havia ganhado força recentemente na corrida ao Palácio do Planalto, mas perdeu fôlego. A desaceleração seria resultado de uma articulação política envolvendo Davi Alcolumbre, Flávio Bolsonaro e até o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Esse novo cenário reposiciona o senador Flávio Bolsonaro (PL) como um dos principais nomes na disputa contra Lula. A leitura política é de que a tradicional polarização entre esquerda e direita dá lugar a um movimento mais amplo de oposição à reeleição. Fatores como altas taxas de juros, escândalos de corrupção, perda do poder de compra da população, combate considerado insuficiente à violência e o avanço do crime organizado contribuiriam para esse contexto.
Paulinho da Força, o articulador
Após a derrubada do veto da dosimetria, a coluna conversou com o secretário nacional do Solidariedade, Denes Pereira, sobre o papel do deputado federal e relator da proposta, Paulinho da Força (SP).
Segundo Denes, trata-se de “uma grande vitória para o país”, que abre caminho para um ambiente de maior pacificação. Ele destaca que Paulinho foi um dos principais articuladores da aprovação junto a partidos de centro e direita.
Tempo integral
Paulinho da Força atuou intensamente ao longo da semana em Brasília, articulando com lideranças políticas. Fontes próximas a Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro afirmam que o deputado esteve próximo das principais lideranças durante todo o processo, especialmente de Alcolumbre, considerado peça-chave na aprovação.
Desconhecido
Apesar de Wilder Morais (PL) aparecer em terceiro lugar nas pesquisas para o governo de Goiás, o alto índice de desconhecimento — superior a 60% — preocupa aliados de Marconi Perillo (PSDB). A avaliação é de que ainda há espaço para crescimento do adversário.
Apoio tucano
Para evitar que o eleitorado bolsonarista impulsione Wilder Morais ao segundo turno, aliados de Marconi Perillo têm defendido que o tucano declare apoio a Flávio Bolsonaro e se aproxime de Gustavo Gayer (PL).
Daniel no trabalho
Nesta sexta-feira (1º), Dia do Trabalho, o governador Daniel Vilela (MDB) celebrou a data trabalhando. Ele esteve em Mutunópolis, no norte de Goiás, onde entregou 39 unidades habitacionais a custo zero pelo programa Pra Ter Onde Morar – Construção.
BRB vital para o DF
Em entrevista à jornalista Samanta Sallum, do Correio Braziliense, o presidente do BRB, Nelson de Souza, afirmou que uma eventual liquidação do banco poderia gerar perdas de R$ 215 bilhões ao longo de 10 anos, além de impactos negativos no desenvolvimento econômico da região.