quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Ideia do voto distrital ronda a cabeça de Kassab e o Centrão

Wilson Silvestrepor em
Ideia do voto distrital ronda a cabeça de Kassab e o Centrão
O Centrão, apesar de ainda essencial para a governabilidade, perdeu espaço na Câmara dos Deputados para o bolsonarismo Ilustração: Takeshi Gondo

Com cada parlamentar amarrado a um pequeno território, fica mais fácil cobrar e mais difícil se esconder atrás de uma legenda, assim como fica mais barato fazer campanha

Entre mortos e feridos, a esquerda não foi a única derrotada da eleição. O Centrão, apesar de ainda essencial para a governabilidade, perdeu espaço na Câmara dos Deputados para o bolsonarismo. A representação do grupo na Câmara caiu de 44% para cerca de 40% das cadeiras, ou seja, chegará à mesa de negociações com o próximo presidente com menos fichas e o mesmo apetite de sempre.

Só que, como toda ação tem uma reação, já dizia Isaac Newton, o Centrão pretende mudar as regras do jogo para a próxima eleição. A ideia, capitaneada por Gilberto Kassab (PSD), um dos grandes derrotados e, portanto, parte interessada, é aprovar o voto distrital misto. Nesse modelo, metade da Câmara seria composta pelos deputados mais votados em seus respectivos distritos; a outra metade continuaria eleita pelo sistema proporcional, como é hoje. O modelo tiraria força de fenômenos como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP). Os dois arrastaram outros parlamentares na própria sombra.

Esse modelo proposto por Kassab devolveria o protagonismo a quem vive mais próximo das bases, ou melhor, dos possíveis distritos. Sem fazer juízo sobre quem sairia mais beneficiado com a mudança, o fato é que o voto distrital tem lá seus méritos, mesmo quando a motivação de quem o propõe é puro instinto de sobrevivência. Com cada parlamentar amarrado a um pequeno território, fica mais fácil cobrar e mais difícil se esconder atrás de uma legenda, assim como fica mais barato fazer campanha, já que a disputa cabe dentro de um distrito, sem a epopeia de rodar um Estado inteiro atrás de voto.

Aava foi bem, mas perdeu

Se o voto distrital misto já estivesse em vigor nestas eleições, a bancada goiana na Câmara dos Deputados teria um rosto diferente. Com metade das vagas decididas por distrito, Aava Santiago (PSB) provavelmente teria sido eleita por Goiânia, força local que não foi suficiente para a disputa proporcional, enquanto Fábio Sousa (PL) teria ficado pelo caminho, já que foi puxado pelo voto de legenda.

De voto em voto

O sistema distrital misto não teria piedade de deputados municipalistas, como José Nelto (União Brasil) e Flávia Morais (MDB), que constroem voto pulverizado por todo o Estado, pois ao concentrar a disputa em distritos, o novo sistema favorece quem já reina ali. Em Goiânia, por exemplo, dificilmente teriam fôlego para disputar votos com candidatos de perfil majoritário, como Fred Rodrigues (PL) e Adriana Accorsi (PT).

Daniel favorito

Com o MDB rachado ao meio, 17 diretórios estaduais com Flávio Bolsonaro (PL) e 10 com Lula (PT), Daniel Vilela (MDB), único governador eleito pela sigla no 1º turno, terá a oportunidade de fazer desse limão uma limonada. Se conseguir construir consensos além de Goiás, passa a ser um dos favoritos para suceder Baleia Rossi (MDB-SP) na presidência nacional da legenda.

Sentados na janela

Caso eleito, Flávio Bolsonaro (PL) terá dificuldade de encontrar uma pasta à altura para Ronaldo Caiado (PSD). Boa parte dos espaços mais cobiçados praticamente já tem seus donos. Para a Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP-SP) desponta como o favorito, com apoio de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na Saúde, Flávio já anunciou o médico Claudio Lottenberg para o cargo. Na Agricultura, a indicação caberá à Frente Parlamentar da Agropecuária, que defende o nome de Pedro Lupion (Republicanos-PR).

Mimo a Caiado

Nos bastidores, comenta-se que Ronaldo Caiado (PSD) poderá ser contemplado por Flávio Bolsonaro (PL) não com uma pasta na Esplanada, mas com a indicação da filha, Anna Vitória Caiado, para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ), dentro do terço reservado a advogados.

Freio de arrumação – O alarido dos deputados eleitos e reeleitos para a Alego cessou ou pelo menos entrou em modo avião. A coluna apurou que o governador Daniel Vilela entrou em cena e pediu calma aos mais afoitos.

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