IMB aponta recuo de 1,1% para o PIB de Goiás no primeiro trimestre

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 28 de julho de 2021

A economia goiana iniciou o ano na contramão do restante do País, principalmente em função dos maus resultados anotados pela agropecuária e pela indústria no Estado. Este último setor vem seguindo neste ano comportamento inverso daquele observado durante os meses iniciais da pandemia, quando as medidas de distanciamento social haviam sido mais severas. Na estimativa mais recente do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB), o Produto Interno Bruto (PIB) teria apresentado queda de 1,1% no primeiro trimestre deste ano frente ao mesmo período de 2020, depois de registrar variação de 0,4% no quarto trimestre, também na comparação com igual período do ano imediatamente anterior.

Desde o ano passado, na prática, o PIB estadual tem se distanciado, de certa maneira, do comportamento apresentado pelo restante da atividade econômica no País, numa tendência que parece relacionada ao perfil mesmo da economia estadual, centrada em bem de menor sofisticação, índices relativamente mais reduzidos de agregação de valores e baixo conteúdo tecnológico. Portanto, as oscilações de emprego e renda tendem a causar impactos mais relevantes do que em regiões que apresentam maior diversificação e complexidade.

Sempre nas projeções do IMB, o PIB goiano havia começado 2020 em forte alta, subindo 4,6% no primeiro trimestre enquanto o restante da economia mostrava estagnação, num recuo de 0,3% em relação aos três meses iniciais de 2019. Já em plena pandemia, sob restrições mais rigorosas à circulação de pessoas e ao funcionamento de largos setores da economia, especialmente no setor de serviços, o PIB estadual demonstrou maior resiliência, sofrendo perdas de 1,4% frente ao tombo de 10,9% registrado pela economia em todo o País. No terceiro trimestre, o PIB brasileiro baixou mais 3,9% enquanto recuava 0,3% no Estado, para avançar ligeiramente no quarto trimestre (0,4%), ao mesmo tempo em que a atividade sofria nova perda, agora de 1,1%, na média do País. Como já anotado, os sinais se inveteram no primeiro trimestre deste ano, com alta para o PIB total e baixa em Goiás.

Puxando para baixo

A análise dos números do PIB, desagregados pelos grandes setores da atividade econômica, conforme o IMB, mostram uma tendência de perdas para a agropecuária pelo terceiro trimestre consecutivo e queda na indústria depois de um trimestre de crescimento nulo. As duas grandes forças da economia continuavam derrapando, portanto, a serem confirmadas as projeções do instituto. Esse desempenho negativo anulou integralmente o avanço experimentado pelo setor de serviços diante do abrandamento das medidas de restrição impostas às atividades nesta área como forma de enfrentamento do novo coronavírus.

Balanço

  • O PIB da agropecuária, setor que tem enfrentado problemas climáticos desde o início da safra 2020/21, encerrada oficialmente em junho passado, havia experimentado salto de 20,1% no primeiro trimestre de 2020 e chegou avançar 4,6% no trimestre seguinte. Mas não conseguiu manter o desempenho positivo nos trimestres seguintes, com baixas de 3,09%, de 0,6% e de 4,8% respectivamente no terceiro e quarto trimestres do ano passado e no primeiro deste ano.
  • O IMB recorre aos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para mostrar que o aumento de 1,8% na produção de soja em Goiás não foi suficiente para compensar perdas de 3,8% tanto para a produção de milho, quanto para a colheita de cana, ambas culturas igualmente afetadas pelo clima desfavorável. “Além disso”, considera o IMB, “houve um aumento na área plantada de soja de 4,0%, ocasionando um aumento nos custos de produção” (especialmente nas operações agrícolas, com alta nos preços do diesel e gastos maiores com fertilizantes e defensivos).
  • O fator climático trouxe impactos negativos tanto na fase de cultivo quanto na colheita da safra. No primeiro caso, a estiagem prolongada retardou a semeadura da soja e, portanto, alongou sua colheita no tempo, reduzindo a janela ideal para o plantio da segunda safra de milho. “Os impactos foram piores no mês de fevereiro, quando os volumes de chuvas foram acima do normal e interferiram diretamente na colheita em todo o Centro-Oeste”, acrescenta o IMB, recorrendo agora a avaliações da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag).
  • O crescimento de 1,8% observado para a pecuária, conforme indicado pelo IMB, foi insuficiente para recolocar a agropecuária em trilha positiva no começo deste ano. A pesquisa trimestral de abates de animais do IBGE, sempre de acordo com dados trabalhados pelo IMB, mostrou crescimento de 4,1% no abate de bovinos entre o primeiro trimestre de 2020 e o mesmo período de 2021, com salto de 16,6% para o abate de frangos, proteína que tem substituído a carne bovina no prato do consumidor diante do encarecimento desta última. O abate de suínos recuou 0,3% e a produção de ovos, na mesma comparação, avançou modestamente (0,3%). Todos os setores da pecuária, sob essa ótica, continuavam muito abaixo dos níveis de 2020.
  • Ainda sob o ponto de vista do IMB, a indústria goiana teria iniciado “um processo de queda a partir do quarto trimestre de 2020 (…), afetada pela queda na geração de energia elétrica no Estado”. O instituto acrescenta: “Além da pandemia que recrudesceu no início do ano, a indústria sente os efeitos da redução de demanda e da queda da renda das famílias, além do aumento do preço dos insumos e redução da margem de lucros”.
  • O PIB do setor de serviços, que havia sofrido quedas de 3,9% e de 1,7% no segundo e terceiro trimestres de 2020, avançou levemente no trimestre final do ano passado, subindo 0,5%, e chegou a crescer 1,5% no primeiro trimestre deste ano, mas não conseguiu ainda retomar os mesmos níveis registrados antes da pandemia. Os resultados do comércio, que acumulou redução de 4,0% no primeiro trimestre, sinalizam um período ainda de desafios para o setor como um todo, em decorrência do desemprego historicamente elevado e da queda na renda das famílias.
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