terça-feira, 14 de julho de 2026

Indústria (ainda) respira e chega ao quarto resultado positivo no ano

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 4 de junho de 2026 às 08:00
Indústria
O resultado ganha relevância porque dezembro havia sido um período particularmente difícil para o setor Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Aos trancos e barrancos — e agora mais uma vez às voltas com a ameaça de um novo tarifaço dos Estados Unidos, previsto para entrar em vigor a partir de 15 de julho — a indústria brasileira demonstrou algum fôlego. Entre dezembro do ano passado e abril deste ano, a produção industrial acumulou crescimento de 4,4%, segundo dados dessazonalizados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ganha relevância porque dezembro havia sido um período particularmente difícil para o setor. Naquele mês, a produção industrial caiu 1,9% em relação a novembro e recuou 0,1% na comparação com o encerramento de 2024, configurando um cenário próximo da estagnação.

Desde janeiro, porém, a indústria voltou a registrar resultados positivos. Em abril, o setor alcançou o quarto mês consecutivo de crescimento, com alta de 0,7% frente a março. Na comparação com abril do ano passado, entretanto, o avanço foi mais modesto, passando de 4,4% em março para 2,7% em abril.

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o desempenho continua mostrando fragilidade. Segundo a entidade, o crescimento esteve concentrado em uma parcela reduzida da atividade industrial.

Crescimento concentrado

Os números mostram que a expansão da indústria em abril esteve fortemente concentrada em dois segmentos: as indústrias extrativas e a produção de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis.

Ambos os setores cresceram 3,1% na passagem de março para abril. Em relação ao mesmo período do ano passado, os avanços foram ainda mais expressivos: 10,6% para as indústrias extrativas e 13,3% para derivados de petróleo e biocombustíveis.

Quando esses dois segmentos são retirados da conta, o restante da indústria apresenta um cenário bem menos favorável. Nesse caso, a produção caiu 0,7% em abril na comparação com março e recuou 0,4% frente ao mesmo mês de 2025.

Extrativas e combustíveis lideram

Os dois setores chegaram ao quinto mês consecutivo de crescimento. Desde novembro, acumulam altas de 7,5% nas atividades extrativas e de 17,4% na produção de derivados de petróleo e biocombustíveis.

No segmento extrativo, o avanço foi impulsionado principalmente pela produção de petróleo, minério de ferro e gás natural.

Já na indústria de combustíveis, os destaques ficaram com o aumento da produção de etanol, óleo diesel, gasolina e querosene de aviação. Para o Iedi, parte desse movimento pode estar relacionada aos efeitos da guerra no Irã, que estimulou a ampliação da produção doméstica de combustíveis.

Bens de capital continuam em queda

Entre os grandes grupos industriais, a produção de bens de capital cresceu apenas 0,1% em abril na comparação com março, mas registrou queda de 4,3% frente ao mesmo período do ano passado.

Os bens intermediários tiveram desempenho melhor, com alta de 1,5% na comparação mensal e crescimento de 3,8% em relação a abril de 2025.

Por outro lado, a produção de bens duráveis caiu 3,2% entre março e abril, enquanto os bens semiduráveis e não duráveis recuaram 0,2%.

Dos 25 ramos industriais pesquisados pelo IBGE, 14 registraram crescimento em abril, enquanto 11 apresentaram retração.

Investimento ainda preocupa

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a produção industrial cresceu 1,7%, puxada principalmente pelos segmentos de bens intermediários e de bens semiduráveis e não duráveis.

O dado mais preocupante continua sendo o comportamento dos bens de capital, tradicionalmente associados ao investimento produtivo. O setor acumula queda de 5,7% no ano.

As maiores retrações ocorreram na fabricação de máquinas e equipamentos destinados à agricultura, que caiu 13,7%, e nos bens de capital de uso misto, com redução de 14,6%.

Os números indicam que, apesar da recuperação recente da produção industrial, a retomada segue concentrada em poucos segmentos e ainda não se traduz em uma recuperação mais ampla dos investimentos e da atividade manufatureira.

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