Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Coluna

Indústria de alta tecnologia sofre maior baixa no semestre, num tombo de 6,4%

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 06 de setembro de 2019

A
crise ainda instalada na indústria de transformação, que manteve a produção
virtualmente estagnada no primeiro semestre, com variação de 0,2% em relação a
igual período de 2018, atinge muito mais duramente os setores de alta
tecnologia, que oferecem (ou poderiam oferecer, se estivessem operando a
velocidade de cruzeiro) melhores empregos e salários. No levantamento publicado
ontem pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a
produção das indústrias de alta tecnologia, numa classificação que segue
metodologia definida pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE), desabou 6,4% na comparação aos primeiros seis meses do ano
passado.

O
desempenho negativo, que toma como base dados apurados pela pesquisa mensal da produção
industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
contribuiu de forma decisiva para os resultados muito tímidos acumulados por
todo o setor de transformação no mesmo período. As indústrias de média-alta
tecnologia, média-baixa e baixa tecnologia conseguiram operar algum crescimento
no primeiro semestre, com destaque para o primeiro segmento, que apresentou
variação de 2,0%. Contrapondo-se a esse incremento, as empresas industriais de
média-baixa e baixa tecnologia apresentaram variação de apenas 0,4%.
Definitivamente, nenhum dos setores teve fôlego para assegurar taxas mais
alentadas para o conjunto da indústria.

No
segmento de alta tecnologia, as piores perdas vieram das indústrias fabricantes
de equipamentos de rádio, televisão e comunicação, numa retração de 7,7%, e
material de escritório e informática, com baixa de 5,7%. O complexo eletrônico,
analisado em conjunto, encolheu 6,6%. Da mesma forma, a produção da indústria
de produtos farmacêuticos e de instrumentos médicos, de ótica e precisão caiu
4,1% e 1,0%. De acordo com o Iedi, as perdas no setor de alta intensidade
tecnológica foram condicionadas principalmente pelo tombo de 12,5% registrado
no primeiro trimestre deste ano, “mas nem por isso o segundo trimestre trouxe
algum crescimento”, acrescenta o instituto. De qualquer forma, o recuo foi bem
menos intenso, com recuo de 0,1% em relação ao segundo trimestre de 2018.

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Atenuação

A
“atenuação do quadro recessivo” na indústria de maior intensidade tecnológica,
prossegue o Iedi, deveu-se à estabilização na baixa dos segmentos de material
de escritório e informática e de equipamentos de rádio, TV e comunicação, que
saíram de três trimestres consecutivos de baixa para um avanço, pela ordem, de
0,4% e leve recuo de 0,1% no segundo trimestre deste ano. As indústrias
farmacêutica e de instrumentos e aparelhos médicos e óticos observaram avanços
de 2,6% e de 3,0% na produção, sempre em relação ao segundo trimestre do ano
passado.

Balanço

·  
O
crescimento mais acelerado da indústria de média-alta tecnologia (2,0% no
semestre, como visto acima) foi puxado pelo setor de veículos (mais 3,5%),
seguido de altas de 1,4% e de 1,5% na produção de máquinas e equipamentos
elétricos e de máquinas e equipamentos mecânicos, respectivamente.

·  
O
segmento de outros produtos químicos (que exclui os farmacêuticos) apresentou
variação de apenas 0,6% no primeiro semestre.

·  
Em
seu conjunto, a indústria de bens de alta-média intensidade passou de uma
redução de 1,3% no primeiro trimestre para um avanço de 5,3% no segundo, diante
do salto de 7,7% registrado pela indústria automobilística e da lata de 6,1% na
produção de máquinas e equipamentos mecânicos.

·  
A
queda de 1,8% na produção de borracha e produtos plásticos e o recuo de 0,5% na
produção de produtos de petróleo refinado e outros combustíveis no primeiro
semestre contribuíram para o fraco crescimento da
indústria de média-baixa tecnologia (0,4%).

·  
Naquela
área, ao contrário, houve deterioração nos resultados na passagem do primeiro
para o segundo trimestre, já que o setor chegou a crescer 1,3% no acumulado
entre janeiro a março e recuou 0,4% no trimestre seguinte.

·  
A
indústria de baixa tecnologia teve seu desempenho no semestre determinado pela
queda de 2,3% na produção de madeira, papel e celulose, pelo recuo de 0,7% na
produção de têxteis, couro e calçados e pelo baixo incremento na produção de
alimentos, bebidas e fumo (1,3%). Bens manufaturados não especificados e bens
reciclados cresceram 4,1%.

·  
Depois
de declinar no primeiro trimestre, o setor de baixa intensidade avançou 2,0% no
segundo trimestre, com reação para alimentos, bebidas e fumo (2,4%) e têxteis,
couros e calçados (2,1%).

No balanço de 93 segmentos da indústria, 81%
anotaram estabilidade (20%), crescimento fraco (22%) ou crise em alguma
intensidade (39%) no primeiro semestre deste ano. Esse percentual havia sido de
63% em 2018.