sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Indústria ensaia reação em julho, mas serviços sofrem nova baixa em Goiás

Lauro Veiga Filhopor em
Indústria ensaia reação em julho, mas serviços sofrem nova baixa  em Goiás
Foto: ABr

Os indicadores já disponíveis sobre o comportamento mais recente da atividade econômica em Goiás mostram tendências dúbias para julho, com alguma reação da produção industrial e nova redução no setor de serviços, que na verdade tem demonstrado tibieza ao longo de quase todo o ano. Responsáveis pela fatia mais generosa na composição do Produto Interno Bruto (PIB) no Estado, alguma coisa acima de 61%, os serviços sofreram baixa de 1,9% em julho, na comparação com junho, quando já haviam anotado recuo de 0,4% frente ao mês imediatamente anterior, na série de dados dessazonalizados, com exclusão de eventos e fatores que se repetem na mesma época todos os anos.

Na comparação com julho do ano passado, a pesquisa mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) sobre o setor de serviços apontou queda de 3,5%, anulando o incremento de 1,7% registrado em junho (que, por sua vez, veio na sequência de uma baixa de 1,4% em maio, igualmente em relação ao igual período do ano passado). Nos dois casos, seja na evolução mês a mês, com os devidos ajustes sazonais, seja na comparação com idêntico mês de 2025, o desempenho foi o pior desde julho de 2024. Naquele mês, o nível de atividade no setor havia sofrido queda de 3,5% em relação a junho do mesmo ano e um tombo de 6,4% frente a julho de 2023.

Como se sabe, os dados regionais dessazonalizados só estão disponíveis para o agregado de todo o setor, sem informações mês a mês por segmento de atividade nesta área para os Estados. A comparação interanual, no entanto, mostra que a queda em julho foi largamente influenciada pela retração de 8,0% no setor de transportes, serviços auxiliares de transportes e correio e ainda pela queda de 7,1% observada pelo grupo “outros serviços”. Ao longo do ano, tomando o período entre janeiro e julho do ano passado como base, os transportes apontaram queda de 5,6%, mas os demais serviços ainda mantiveram avanço de 2,7%.

 

Debilidades

Os serviços prestados às famílias experimentaram variação de apenas 0,6%, depois de quedas de 1,5% em maio e de 3,6% em junho, levando o segmento a acumular perdas de 3,0% nos sete primeiros meses do ano – o que ajuda a explicar a redução de 1,3% realizada pelo conjunto do setor em igual período, comparando com os mesmos sete meses do ano passado. Em 12 meses até julho, o nível de atividade para o conjunto dos serviços praticamente não se moveu, mostrando variação modesta de 0,2% (o que se compara com elevação de 2,4% naquele mesmo período em todo o País).

 

Balanço

Os serviços de informação e comunicação apresentaram elevação de 2,5% em julho, praticamente repetindo o resultado de junho, quando havia avançado 2,4% frente ao mesmo mês do ano passado. No ano, a atividade observa um crescimento acumulado de 4,7% até julho. Também em terreno positivo, os serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram elevação de 2,1% em julho, o que correspondeu a uma desaceleração quando considerada a alta de 8,1% anotada em junho. No acumulado entre janeiro e julho, a pesquisa do IBGE aponta incremento de 4,6% para o setor.

Em todo o País, os serviços não saíram do lugar em julho, repetindo o mesmo nível observado no mês imediatamente anterior, com variação de 0,5% para os serviços prestados às famílias e queda de 2,5% no segmento de informação e comunicação. As elevações de 0,6%, de 0,4% e de 0,7%, registradas na mesma ordem pelos setores de serviços profissionais, transportes e “outros serviços”, não foram suficientes para assegurar algum avanço para o setor como um todo.

Na série dessazonalizada, a pesquisa do IBGE mostra que o nível de atividade no setor não cresce há três meses, considerando o recuo de 0,2% observado em maio e uma oscilação de 0,1% em junho, ainda que positiva. Diante desses números, ainda de acordo com dados dessazonalizados, os serviços passaram seis dos primeiros sete meses do ano sem apresentar crescimento digno de nota e mesmo em recuo.

A comparação com igual mês do ano passado tem mostrado um desempenho oscilante, com a alta de 3,3% registrada em janeiro seguida de variação de 0,6% e, de novo, incremento de 3,5% em março, melhor resultado do ano até aqui. Em abril e maio, as taxas desaceleraram para 2,2% e para 0,2%, seguidas de um avanço de 2,2% em junho para novamente desacelerar para 0,9% em julho.

De volta a Goiás, a produção industrial experimentou alguma reação depois das quedas de 0,9% e de 1,7% em maio e junho, na comparação com os meses imediatamente anteriores, avançando 0,8% em julho. O resultado permitiu compensar parcialmente as perdas realizadas nos dois meses anteriores, mas manteve os volumes produzidos pela indústria goiana ainda 1,8% abaixo dos níveis de abril deste ano e ainda 6,5% inferiores a outubro do ano passado, quando o setor havia anotado seu melhor resultado da série histórica, considerando dados dessazonalizados.

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o setor industrial no Estado chegou a julho deste ano ao seu quinto resultado positivo, com alta de 2,7% frente a julho de 2025. Nos quatro meses anteriores, a atividade havia apresentado altas de 9,8% (em março, no melhor resultado do ano), de 7,5% (em abril), de 3,6% (em maio) e de 1,9% (em junho). No trimestre encerrado em julho, o setor cresceu 2,7% diante de igual período de 2025. Para comparação, no primeiro quadrimestre deste ano o setor havia crescido 2,4% (mas saindo de alta de 4,5% no último quadrimestre de 2025).

Em larga medida, o crescimento em julho foi puxado pelos saltos de 10,0% na produção de biocombustíveis e de 24,5% nas indústrias extrativas, que deve seu desempenho especialmente ao aumento na produção de minérios de cobre em bruto ou beneficiados, de brita e calcário. A exclusão do setor de extração mineral e de biocombustíveis deixaria o restante da indústria numa redução de 0,4%.

As indústrias de alimentos e de bebidas, na comparação com julho do ano passado, registraram baixas de 2,6% e de 1,9%. Mas os setores de confecções e de produtos químicos despencaram 37,0% e de 15,4%. Detalhe: em junho, aqueles dois setores, na mesma ordem, já haviam desabado 43,8% e 16,1%. No lado positivo, as indústrias farmacêuticas, de metalurgia, máquinas e equipamentos e de veículos automotores, pela ordem, cresceram em julho 23,3%, 25,7%, 58,6% e 8,7%.

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