Indústria ensaia reação em julho, mas serviços sofrem nova baixa em Goiás
Os indicadores já disponíveis sobre o comportamento mais recente da atividade econômica em Goiás mostram tendências dúbias para julho, com alguma reação da produção industrial e nova redução no setor de serviços, que na verdade tem demonstrado tibieza ao longo de quase todo o ano. Responsáveis pela fatia mais generosa na composição do Produto Interno Bruto (PIB) no Estado, alguma coisa acima de 61%, os serviços sofreram baixa de 1,9% em julho, na comparação com junho, quando já haviam anotado recuo de 0,4% frente ao mês imediatamente anterior, na série de dados dessazonalizados, com exclusão de eventos e fatores que se repetem na mesma época todos os anos.
Na comparação com julho do ano passado, a pesquisa mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) sobre o setor de serviços apontou queda de 3,5%, anulando o incremento de 1,7% registrado em junho (que, por sua vez, veio na sequência de uma baixa de 1,4% em maio, igualmente em relação ao igual período do ano passado). Nos dois casos, seja na evolução mês a mês, com os devidos ajustes sazonais, seja na comparação com idêntico mês de 2025, o desempenho foi o pior desde julho de 2024. Naquele mês, o nível de atividade no setor havia sofrido queda de 3,5% em relação a junho do mesmo ano e um tombo de 6,4% frente a julho de 2023.
Como se sabe, os dados regionais dessazonalizados só estão disponíveis para o agregado de todo o setor, sem informações mês a mês por segmento de atividade nesta área para os Estados. A comparação interanual, no entanto, mostra que a queda em julho foi largamente influenciada pela retração de 8,0% no setor de transportes, serviços auxiliares de transportes e correio e ainda pela queda de 7,1% observada pelo grupo “outros serviços”. Ao longo do ano, tomando o período entre janeiro e julho do ano passado como base, os transportes apontaram queda de 5,6%, mas os demais serviços ainda mantiveram avanço de 2,7%.
Debilidades
Os serviços prestados às famílias experimentaram variação de apenas 0,6%, depois de quedas de 1,5% em maio e de 3,6% em junho, levando o segmento a acumular perdas de 3,0% nos sete primeiros meses do ano – o que ajuda a explicar a redução de 1,3% realizada pelo conjunto do setor em igual período, comparando com os mesmos sete meses do ano passado. Em 12 meses até julho, o nível de atividade para o conjunto dos serviços praticamente não se moveu, mostrando variação modesta de 0,2% (o que se compara com elevação de 2,4% naquele mesmo período em todo o País).
Balanço
Os serviços de informação e comunicação apresentaram elevação de 2,5% em julho, praticamente repetindo o resultado de junho, quando havia avançado 2,4% frente ao mesmo mês do ano passado. No ano, a atividade observa um crescimento acumulado de 4,7% até julho. Também em terreno positivo, os serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram elevação de 2,1% em julho, o que correspondeu a uma desaceleração quando considerada a alta de 8,1% anotada em junho. No acumulado entre janeiro e julho, a pesquisa do IBGE aponta incremento de 4,6% para o setor.
Em todo o País, os serviços não saíram do lugar em julho, repetindo o mesmo nível observado no mês imediatamente anterior, com variação de 0,5% para os serviços prestados às famílias e queda de 2,5% no segmento de informação e comunicação. As elevações de 0,6%, de 0,4% e de 0,7%, registradas na mesma ordem pelos setores de serviços profissionais, transportes e “outros serviços”, não foram suficientes para assegurar algum avanço para o setor como um todo.
Na série dessazonalizada, a pesquisa do IBGE mostra que o nível de atividade no setor não cresce há três meses, considerando o recuo de 0,2% observado em maio e uma oscilação de 0,1% em junho, ainda que positiva. Diante desses números, ainda de acordo com dados dessazonalizados, os serviços passaram seis dos primeiros sete meses do ano sem apresentar crescimento digno de nota e mesmo em recuo.
A comparação com igual mês do ano passado tem mostrado um desempenho oscilante, com a alta de 3,3% registrada em janeiro seguida de variação de 0,6% e, de novo, incremento de 3,5% em março, melhor resultado do ano até aqui. Em abril e maio, as taxas desaceleraram para 2,2% e para 0,2%, seguidas de um avanço de 2,2% em junho para novamente desacelerar para 0,9% em julho.
De volta a Goiás, a produção industrial experimentou alguma reação depois das quedas de 0,9% e de 1,7% em maio e junho, na comparação com os meses imediatamente anteriores, avançando 0,8% em julho. O resultado permitiu compensar parcialmente as perdas realizadas nos dois meses anteriores, mas manteve os volumes produzidos pela indústria goiana ainda 1,8% abaixo dos níveis de abril deste ano e ainda 6,5% inferiores a outubro do ano passado, quando o setor havia anotado seu melhor resultado da série histórica, considerando dados dessazonalizados.
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o setor industrial no Estado chegou a julho deste ano ao seu quinto resultado positivo, com alta de 2,7% frente a julho de 2025. Nos quatro meses anteriores, a atividade havia apresentado altas de 9,8% (em março, no melhor resultado do ano), de 7,5% (em abril), de 3,6% (em maio) e de 1,9% (em junho). No trimestre encerrado em julho, o setor cresceu 2,7% diante de igual período de 2025. Para comparação, no primeiro quadrimestre deste ano o setor havia crescido 2,4% (mas saindo de alta de 4,5% no último quadrimestre de 2025).
Em larga medida, o crescimento em julho foi puxado pelos saltos de 10,0% na produção de biocombustíveis e de 24,5% nas indústrias extrativas, que deve seu desempenho especialmente ao aumento na produção de minérios de cobre em bruto ou beneficiados, de brita e calcário. A exclusão do setor de extração mineral e de biocombustíveis deixaria o restante da indústria numa redução de 0,4%.
As indústrias de alimentos e de bebidas, na comparação com julho do ano passado, registraram baixas de 2,6% e de 1,9%. Mas os setores de confecções e de produtos químicos despencaram 37,0% e de 15,4%. Detalhe: em junho, aqueles dois setores, na mesma ordem, já haviam desabado 43,8% e 16,1%. No lado positivo, as indústrias farmacêuticas, de metalurgia, máquinas e equipamentos e de veículos automotores, pela ordem, cresceram em julho 23,3%, 25,7%, 58,6% e 8,7%.
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