Indústria goiana cai pelo quarto mês e passa a acumular perda de 12,4%
A indústria goiana parece ter definitivamente descarrilhou depois de registrar seu melhor momento em outubro do ano passado, quando atingiu produção recorde na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2002. Desde lá, de acordo com indicadores dessazonalizados, quer dizer, que excluem eventos e fatores que ocorrem nas mesmas épocas ano após ano, foram quatro meses consecutivos de resultados negativos, começando com um tombo de 9,0% em novembro na comparação com o mês imediatamente anterior – o que devolveu todo o avanço de 8,1% que havia sido anotado na passagem de setembro para outubro.
Os números da pesquisa industrial mensal do instituto apontam ainda baixas de 1,2% em dezembro e de 1,7% em janeiro, com recuo de 0,8% em fevereiro. Se há um dado relativamente positivo naquela comparação, houve alguma desaceleração na velocidade em que a produção vem sido reduzida pelo setor no Estado. De toda forma, a série dessazonalizada aponta uma retração importante na comparação entre fevereiro deste ano e outubro do ano passado, numa queda de 12,4%. A perda de fôlego desde os dois últimos meses do ano passado fez com que a produção retrocedesse praticamente aos mesmos níveis alcançados em agosto de 2024.
A comparação com períodos idênticos do ano imediatamente anterior igualmente não tem sido lisonjeira, com a produção chegando a fevereiro deste ano no terceiro mês seguido de perdas. Depois de recuar 0,5% em dezembro passado, a indústria viu a produção despencar 4,9% e 6,1% em janeiro e fevereiro, acumulando uma queda de 5,5% no primeiro bimestre – o que contrasta com o ciclo de oito meses de ganhos consecutivos entre abril e novembro do ano passado, nesse tipo de comparação. Os resultados desse período permitiram que a indústria encerrasse 2025 com incremento de 2,3% em relação ao ano anterior. Como ressalva, o IBGE anota que fevereiro deste ano registrou dois dias úteis a menos, somando 18 dias diante de 20 em igual mês de 2025, o que pode também ter influído na comparação internanual.
Na direção oposta
A tendência, ainda tomando como base iguais meses do ano anterior, contrasta com aquela observada para as indústrias de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, que apresentaram altas de 4,7% e 2,9% e de 7,9% e 8,3% respectivamente em janeiro e fevereiro. No primeiro bimestre, o setor industrial mato-grossense avançou 3,8% diante de salto de 8,1% no Estado vizinho. Em Mato Grosso do Sul, a presença mais relevante da indústria de celulose e papel, que acumulou no bimestre crescimento de 16,7%, com contribuição positiva ainda do setor de produtos alimentícios (em alta de 6,8%) e de biocombustíveis (variação de 0,6% no bimestre, depois de um salto de 189,1% em fevereiro), ajudaram a formar um cenário mais favorável neste começo de ano.
Balanço
Para Mato Grosso, ainda no primeiro bimestre, o IBGE registra altas de 10,1% para biocombustíveis e de 9,1% para a produção de minerais não metálicos (cimento, asfalto e insumos para a correção da acidez dos solos), com ganho ainda de 16,9% para o setor de produtos químicos (com maior influência de fertilizantes a base de nitrogênio, fósforo e potássio). Mas a evolução na série dessazonalizada mostra fragilidades no Estado, com a produção recuando 0,9% em fevereiro, depois de sofrer baixa de 0,8% no primeiro mês do ano.
Ainda com base em indicadores ajustados sazonalmente, a indústria naquele Estado chegou a acumular crescimento de 14,9% entre agosto e dezembro, em cinco meses de números positivos, mais do que repondo a queda de 10,8% registrada entre março e abril de 2025.
Em relação a fevereiro do ano passado, a queda produção da indústria goiana foi influenciada principalmente pela redução de 6,9% na fabricação de produtos alimentícios, assim como pelos tombos de 66,0% na indústria de confecções e de 23,1% no setor de produtos químicos, com recuos ainda de 2,2% para minerais não metálicos e de 3,8% para a metalurgia e seus produtos, enquanto a indústria de máquinas e equipamentos anotou perda de 6,0% – quarto mês de queda no setor.
A indústria de alimentos, especificamente, teve perdas na produção de maionese, farelo e óleo de soja em bruto e de carnes bovinas congeladas (muito embora as exportações nesta área venham em ritmo acelerado de crescimento). As confecções anotaram quedas na fabricação de camisetas de malha, calças e bermudas femininas e camisas masculinas. A queda na produção de fertilizantes e de preparações para cabelo ajudou a empurrar para baixo a indústria de produtos químicos em fevereiro.
Na soma geral, sete setores de atividade tiveram os volumes produzidos em queda, com seis anotando variação positiva em fevereiro (sempre em relação ao mesmo mês do ano passado). A fabricação de produtos de metal e o setor de veículos, reboques e carrocerias tiveram ganhos de 14,8% e de 13,7% respectivamente, com salto de 56,7% e de 14,9% nos setores de biocombustíveis e de produtos farmoquímicos e farmacêuticos.
Naqueles dois últimos setores, os ganhos vieram, na mesma ordem, da maior produção de álcool e biodiesel, no primeiro caso, e de medicamento no segundo. O aumento na fabricação de chapas e estruturas de ferro e aço e de latas de alumínio e ferro puxou o setor de produtos de metal, enquanto na indústria de veículos os ganhos vieram associados à maior produção de automóveis de passageiros, veículos de carga e fabricação de chassis com motor para automóveis.
A combinação de todos aqueles resultados levou a indústria de transformação a encolher 6,3% em fevereiro, depois de já ter sofrida perdas de 6,0% em janeiro e de 0,5% em dezembro, com perdas, portanto, ao longo de três meses em sequência. A indústria extrativa, que havia apresentado números positivos de novembro a janeiro, quando saltou 28,0% frente ao primeiro mês de 2025, recuou 1,0% em fevereiro, com menor produção de calcário e minérios de cobre.
Refletindo o desaquecimento no setor, as importações da indústria de transformação no acumulado entre novembro do ano passado e fevereiro deste ano, comparado a igual período de 2024 a 2025, recuou de US$ 1,723 bilhão para US$ 1,718 bilhão, em ligeira baixa de 0,33% – o que pode ter sido determinado também por alguma mudança no perfil dos bens e insumos importados ou refletir simplesmente o menor ritmo de produção no setor.