Indústria goiana não cresce há 13 meses e acumula perdas de 9,5%

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 10 de dezembro de 2021

A pesquisa mensal sobre a produção industrial regional, realizada pelo Instituto Brasileiro deGeografia e Estatística (IBGE), apresenta um retrato pouco lisonjeiro da indústria goiana, na prática, desde o trimestre final de 2020. Os dados mostram que a produção goiana não cresce há precisos 13 meses. A última taxa verdadeiramente positiva foi registrada em setembro do ano passado, quando a produção chegou a crescer 6,0% em relação ao mesmo mês de 2019. Nos 13 meses seguintes, a exceção – se é que se pode considerar “exceção” – foi observada em março deste ano, mas a variação foi de apenas 0,3% frente ao terceiro mês de 2020. O setor andou praticamente de lado naquele mês, numa oscilação que, obviamente, não foi suficiente para interromper a tendência prevalecente de perdas para o setor.

As estatísticas do IBGE, considerando indicadores ajustados a fatores sazonais, informam uma perda acumulada de 9,5% entre setembro do ano passado e outubro deste ano e revelam uma dificuldade enorme da indústria goiana de reverter a tendência de baixa e imprimir algum ritmo a sua produção, notadamente em seus dois principais “motores”, vale dizer, nas indústrias de fabricação de bens alimentícios e de biocombustíveis. Considerando os níveis registrados em fevereiro do ano passado, antes da pandemia, a produção encolheu 5,4% (acima da redução de 4,1% registrada pelo setor em todo o País na mesma comparação). Em relação ao melhor momento experimentado pela indústria goiana, observado em outubro de 2019, a produção em Goiás sofreu perda de 11,2%.

Zero a zero

Na passagem de setembro para outubro deste ano, a produção ficou literalmente estagnada, com zero de variação, depois de cair 2,3% em setembro e recuar 0,8% em agosto (sempre em relação ao mês imediatamente anterior). No País, a produção caiu em outubro pelo quinto mês consecutivo e apresentou baixas ou estagnação em oito dos primeiros dez meses deste ano. O cenário de baixa na produção industrial vem acompanhado de perdas também no comércio varejista, com queda no volume de vendas nos últimos três meses e resultados frágeis ao longo de quase todo o ano. É em meio a uma crise no lado real da economia a cada dia mais evidente que o Banco Central (BC) vem redobrando sua aposta na política de juros altos, antecipando mais um aumento de 1,5 ponto de porcentagem para fevereiro de 2022, levando os juros básicos para 10,75% ao ano, os mais altos desde abril de 2017.

Balanço

  • Ainda sobre a política de juros, obviamente, o aumento já realizado e a ser continuado no começo do próximo ano terá impactos ainda mais recessivos sobre a economia em geral, encarecendo os custos de empréstimos e financiamentos, detonando as perspectivas de investimento e deteriorando as expectativas sobre o futuro imediato no lado real da economia.
  • O desempenho do investimento público, como mostram os dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), não tem ajudado, da mesma forma. Nos primeiros dez meses deste ano, o governo central investiu R$ 36,081 bilhões, num corte de R$ 52,807 bilhões em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e outubro do ano passado, o investimento federal havia alcançado R$ 88,888 bilhões, indicando um tombo de 59,4% neste ano.O corte tira fôlego do investimento de forma geral, reduzindo as possibilidades de uma retomada sustentada mais adiante.
  • De volta à pesquisa do IBGE, a série estatística recente mostra que a produção industrial em Goiás tem oscilado entre taxas positivas e negativas na comparação entre outubro e setembro de cada ano desde o começo da década passada. Entre 2010 e 2014, a produção havia crescido 2,7% no primeiro ano, caindo 4,4% em 2011; varia 0,6% em 2012, para recuar 0,7% em 2013; e avança 1,2% em 2014 (sempre considerando a comparação entre outubro e setembro de cada ano).
  • Esse comportamento foi rompido agora, talvez em função da pandemia, já que a produção havia desabado 5,4% na saída de setembro para outubro de 2020 e não saiu do lugar neste ano.
  • Na comparação com outubro do ano passado, as indústrias do Estado produziram 6,6% a menos, num desempenho um pouco menos pior do que o tombo de 7,8% registrado pelo conjunto da indústria no País. No ano, a produção goiana caiu 4,7% frente aos primeiros dez meses de 2020. Para comparar, na média brasileira, houve crescimento de 5,7% (em relação aos mesmos dez meses do ano passado, que haviam mostrado baixa de 6,3% em relação a igual período de 2019).
  • As indústrias de alimentos e de biocombustíveis vêm apresentando resultados extremamente negativos nos últimos meses, emperrando o desempenho do setor industrial como um todo. A produção de alimentos sofreu perdas de 7,8%, de 13,9% e de 12,8% em agosto, setembro e outubro, respectivamente, sempre comparado aos mesmos meses de 2020. Nos dez meses iniciais deste ano, o setor já encolheu 6,7%. No setor de biocombustíveis, a produção sofreu baixas de 6,1%, de 5,1% e de nada menos do que 18,2% naquela mesma sequência, passando a acumular retração também de 6,7%. Parte dessa queda está relacionada aos problemas climáticos enfrentados pelo setor, o que derrubou o esmagamento de cana.
  • Como exceções que não alteram a tendência geral, as indústrias de extração mineral e de veículos têm crescido fortemente, com salto de 69,7% em outubro (sobre o mesmo mês do ano passado) no primeiro caso e de 48,6% no segundo. É preciso cautela ao analisar esses dados: a produção da indústria extrativa ainda estava 4,8% abaixo da média de 2012, enquanto a indústria de veículos havia desabado 45,6% também em relação aos níveis médios produzidos em 2012.
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