sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Indústria goiana recua em agosto depois de cinco meses de avanços

Lauro Veiga Filhopor em
Indústria goiana recua em agosto depois de cinco meses de avanços
Foto: ABr

O ritmo de crescimento da produção industrial em Goiás, na comparação com igual período do ano passado, vinha perdendo força desde abril, mas ainda se mantinha em terreno positivo nesse tipo de comparação. O ciclo de alta, que prevaleceu entre março e julho, foi interrompido em agosto, com recuo de 0,4% anotado pela pesquisa mensal da produção industrial realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O resultado ficou negativo também na comparação com julho deste ano, levando a uma redução de 1,1% na produção realizada pela indústria goiana, considerando a série de dados dessazonalizados, quer dizer, com exclusão de eventos e fatores que se repetem todos os anos na mesma época.

Os números têm se mostrado menos constantes na série dessazonalizada, com o setor registrando seu melhor momento neste ano, mais uma vez, em março último, quando a pesquisa para Goiás havia apontado alta de 4,1%, com forte desaceleração em abril, diante da variação de 1,6% observada naquele mês, na comparação com março. A produção registrou baixas de 0,8% e de 1,9% respectivamente em maio e junho, com reação bastante moderada em julho, quando houve um leve avanço de 0,6%. Desde abril, tomando agosto como base, o setor experimentou redução de 3,1% nos volumes produzidos.

A comparação com igual período do ano passado sugere igualmente uma tendência de desaquecimento. O salto de 9,3% registrado em março deste ano, diante do mesmo mês de 2025, foi seguido por um avanço ainda vigoroso, mas proporcionalmente menos intenso, de 7,3% em abril. Nos dois meses seguintes, a produção apresentou variações de 3,6% e de 1,8% pela ordem, com ganho um pouco melhor em julho, com elevação de 2,4% – revertida pelo recuo de 0,4% anotado em agosto, conforme já registrado.

 

Tendências aproximadas

Ainda na comparação interanual, a evolução quadrimestral permite visualizar a mesma tendência de crescimento descendente ao longo do tempo, mostrando um arrefecimento relativamente importante no ritmo da produção industrial no Estado, acompanhando de certa forma, com diferença de intensidade, a média geral anotada pelo setor industrial em todo o País. No primeiro quadrimestre do ano passado, como mostram as pesquisas do IBGE, a produção chegou a avançar 1,3% em Goiás e 1,4% na média brasileira. Dali em diante, ocorreu um “descasamento” entre as duas tendências, com elevação de 1,8% no Estado e variação positiva de apenas 0,3% em todo o País no segundo quadrimestre de 2025. A produção brasileira ficou estagnada no terceiro quadrimestre, enquanto em Goiás o setor conseguiu aumentar sua produção em 4,5% – melhor momento da indústria goiana nesta série. Não por coincidência, o pico histórico para a indústria goiana foi alcançado em outubro de 2025, mas a produção passou a apresentar desempenho menos relevante dali em diante.

 

Balanço

Já nos quatro primeiros meses de 2026, a indústria chegou a apresentar alguma reação em todo o País, avançando 1,8% em relação a igual período do ano passado, enquanto em Goiás a produção industrial avançava 2,3%. No trimestre entre maio e agosto, a indústria brasileira em seu conjunto voltou a experimentar estagnação, repetindo os volumes produzidos nos mesmos três meses de 2025.

Para Goiás, a pesquisa do IBGE anotou variação de 1,8% no trimestre terminado em agosto deste ano frente a igual intervalo do ano passado, abaixo das taxas observadas nos dois quadrimestres anteriores. Nitidamente, o setor não conseguiu sustentar os níveis históricos alcançados em outubro de 2025. De fato, a produção goiana acumulou perdas de 8,1% entre aquele período e agosto deste ano.

No acumulado entre janeiro e agosto deste ano, comparado aos mesmos oito meses de 2025, o desempenho da indústria goiana mantém-se acima do avanço anotado pelo setor no restante do País, num incremento de 2,0%. Considerada em seu conjunto, a indústria brasileira registrou elevação modestíssima de 0,8% (com variação ainda mais modesta nos 12 meses finalizados em agosto deste ano, na faixa de 0,6%). Diante de altas mais expressivas até abril deste ano, a produção goiana registra ainda um incremento de 2,8% nos mesmos 12 meses.

Assim como na média geral observada para Goiás, a produção das indústrias extrativas e de transformação, que vinham de cinco meses de números positivos na comparação com 2025, sofreram baixas de 8,9% e de 0,1% em agosto. O setor de extração vinha de um salto de 24,5% em julho, enquanto a indústria de transformação havia registrado naquele mesmo mês variação de 1,6%.

Ainda em agosto, sempre em relação ao mesmo período de 2025, sete entre os 13 ramos acompanhados pelo IBGE (ou 53,8% do total) tiveram perdas na produção, com elevação para os demais seis segmentos (46,2%).

A produção do setor extrativo foi puxada para baixo em agosto pelas baixas na produção de minérios de cobre em bruto ou beneficiados, pedras calcárias e amianto, principalmente. Na contramão, a produção de brita apresentou crescimento.

Na indústria de transformação, a redução foi puxada pelas quedas de 1,2% na produção de alimentos, de 8,4% na indústria de bebidas, de 3,2% na produção de papel e de 4,0% no setor de produtos químicos, com tombos ainda de 34,4% para as confecções e de nada menos do que 94,6% na fabricação de máquinas e equipamentos. Sempre na comparação com agosto do ano passado.

Ainda que registre participação reduzida na composição do valor adicionado da indústria em geral, o setor de máquinas e equipamentos vinha de dois meses de alta vigorosa, com saltos de 76,1% em junho e de 58,6% em julho. Numa área que tem demonstrado forte volatilidade, aqueles resultados se apresentaram depois de três meses de retrocessos vigorosos, com tombos de 20,4% em março, de 80,1% em abril e de 72,2% em maio.

O alívio veio da alta de 7,1% na fabricação de produtos farmacêuticos, com destaque para a produção de medicamentos, e avanços de 7,9% na área de biocombustíveis, 17% no ramo de produtos de metal, 12,3% na metalurgia e de 14,7% na montagem de veículos.

Para registro, quando excluído o setor de biocombustíveis, o restante da indústria goiana anotou perda de 2,1% em agosto.

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