sábado, 26 de setembro de 2026

Indústria lidera queda de desembolsos do BNDES em Goiás no primeiro trimestre

Lauro Veiga Filhopor em
Indústria lidera queda de desembolsos do BNDES em Goiás no primeiro trimestre
Indústria lidera queda de desembolsos do BNDES em Goiás no primeiro trimestre

A redução no total de recursos desembolsados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a empresas goianas no primeiro trimestre deste ano foi liderada pela indústria de transformação, com perdas mais expressivas no setor de fabricações de produtos alimentícios, que responde por algo como 39,3% do valor total da transformação industrial em Goiás, alcançando participação de 41,6% no conjunto da indústria de transformação instalada no Estado. No geral, conforme já registrado neste espaço (O Hoje, 14.05.2024), o valor dos desembolsos do banco de fomento no Estado sofreu baixa de 17,63% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, caindo de R$ 689,550 milhões para R$ 567,996 milhões, correspondendo à injeção de R$ 121,554 milhões a menos na economia estadual.

A indústria de transformação explica perto de 92,5% da queda anotada em todo o setor corporativo, com os desembolsos no setor baixando de R$ 220,522 milhões para R$ 108,108 milhões, num tombo de 50,98% ou em torno de R$ 112,414 milhões a menos. Na indústria em geral, incluindo o setor extrativo, os desembolsos experimentaram perdas igualmente severas, numa retração de 50,45%, com os valores encolhendo de R$ 228,336 milhões nos primeiros três meses de 2023 para R$ 113,145 milhões, numa redução de R$ 115,191 milhões (e contribuição de 94,76% para o retrocesso geral dos desembolsos).

Também conforme já registrado aqui, o ritmo menor de desembolsos na indústria tende a ser revertido mais adiante, a se considerar o desempenho muito mais favorável das consultas e aprovações, etapas que antecedem a liberação dos recursos pelo BNDES. Como se recorda, o valor das consultas encaminhadas ao banco de fomento pelas indústrias foi multiplicado em 10,4 vezes deste o primeiro trimestre do ano passado, saltando de apenas R$ 54,0 milhões para R$ 563,0 milhões nos três meses iniciais deste ano, em grandes números. Os projetos industriais aprovados pela instituição, que ficaram limitados a R$ 50,0 milhões no acumulado entre janeiro e março de 2023, aumentaram 6,2 vezes nos mesmos três meses deste ano, passando a somar R$ 313,0 milhões.

Alimentos em baixa

De volta aos desembolsos, a indústria de alimentos registrou, em valores absolutos, as maiores perdas, deixando de receber R$ 137,514 milhões entre o primeiro trimestre do ano passado e igual período deste ano, com os desembolsos totais para o setor despencando de R$ 203,137 milhões para R$ 65,623 milhões, numa redução de 67,70%. A participação do setor de fabricação de produtos alimentícios nos desembolsos industriais caiu de 92,12% para 60,70%. A queda concentrou-se especialmente na região de Goianésia, que havia respondido no primeiro trimestre de ano passado por 93,47% dos recursos liberados para o setor de alimentação no Estado, com as contratações atingindo R$ 189,979 milhões distribuídos entre três projetos (um dos quais respondeu por nada menos do que R$ 182,246 milhões). Neste ano, também até março, a indústria de alimentação de Goianésia recebeu R$ 60,648 milhões, numa redução de 68,06%. Os desembolsos favoreceram, da mesma forma, três projetos, dos quais o maior registrou uma injeção de R$ 55,531 milhões.

Balanço

  • Ainda na indústria de transformação, proporcionalmente, o setor de borracha e plástico registrou a segunda maior queda, com a liberação de apenas R$ 822,540 mil no trimestre inicial deste ano, num retrocesso de 67,31% frente a R$ 2,516 milhões liberados em idêntico período do ano passado – o que, de fato, já não era um valor tão elevado. Na sequência, a indústria de produtos de metal teve os desembolsos reduzidos de R$ 2,686 milhões para R$ 1,053 milhões, em baixa de 60,80%.
  • As confecções contrataram empréstimos no valor de R$ 1,391 milhão entre janeiro e março deste ano, o que representou uma redução de 35,45% diante de R$ 2,155 milhões nos mesmos três meses do ano passado. Num indicativo de investimentos menores na indústria como um todo, o setor de fabricação de máquinas e equipamentos anotou desembolsos de R$ 2,592 milhões no trimestre inicial deste ano, o que se compara com R$ 3,265 milhões nos três primeiros meses de 2023, indicando queda de 20,60%.
  • Entre os segmentos industriais com melhor desempenho, o setor de combustíveis (ou mais apropriadamente de biocombustíveis) anotou o maior salto, mais do que dobrando os desembolsos. Os recursos contratados foram elevados de R$ 1,380 milhão para R$ 3,231 milhões, em alta de 134,23%. Aqui, as operações concentraram-se especificamente na região de Chapadão do Céu, que recebeu todo o desembolso destinado ao setor de biocombustíveis nos primeiros três meses do ano passado (destinado a um único projeto). Neste ano, o município registrou a liberação de R$ 2,50 milhões (81,16% a mais), representando 77,4% dos recursos contratados pela indústria de combustíveis em todo o Estado.
  • A indústria de processamento de minerais não metálicos, a exemplo de cimento, brita, areia e demais agregados da construção civil, teve liberados neste ano perto de R$ 3,591 milhões, correspondendo a uma variação nominal de 27,75% em relação a R$ 2,811 milhões desembolsados pelo banco no trimestre inicial de 2023.
  • Entre os demais grandes setores da economia, os dados mais positivos ficaram restritos a duas áreas apenas. A construção saiu-se melhor, com alta de 32,14% nos desembolsos, saindo de R$ 17,587 milhões para R$ 23,240 milhões. A agropecuária, por sua vez, recebeu R$ 236,574 milhões, num avanço de 14,89% em relação a desembolsos de R$ 205,920 milhões no primeiro trimestre de 2023.
  • Os desembolsos no setor de serviços, excluído o comércio, sofreram baixa de 12,54% na mesma comparação, recuando de R$ 191,067 milhões para R$ 167,111 milhões. Como exceção nesta área, as empresas do setor de água, esgoto e tratamento de lixo tiveram os desembolsos multiplicados em quase seis vezes, explicado principalmente pela base muito reduzida, que que saltaram de apenas R$ 1,186 milhão para R$ 6,931 milhões (484,4% a mais).
  • Na classificação do BNDES, a infraestrutura contratou um volume de recursos 14,92% mais baixo no primeiro trimestre deste ano em relação aos mesmos três meses de 2023, com o total encolhendo de R$ 155,873 milhões para R$ 132,620 milhões. O pior resultado veio do segmento de atividades auxiliares do setor de transporte, que teve os desembolsos achatados de R$ 36,251 milhões para R$ 3,540 milhões, numa retração de 90,23%.
  • Em compensação, o setor de eletricidade, que havia contratado apenas R$ 520,0 mil nos três meses iniciais de 2023, passou a receber R$ 2,40 milhões no mesmo intervalo deste ano, um valor ainda reduzido, mas 361,54% maior do que um ano antes. As empresas do setor de transporte rodoviário tiveram os desembolsos elevados em 7,63% no período, saindo de R$ 111,248 milhões para R$ 119,737 milhões. Mas o segmento “outros transportes” tiveram os desembolsos zerados, depois de contratar R$ 6,477 milhões no trimestre inicial de 2023.

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