Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Indústria lidera queda de desembolsos do BNDES em Goiás no primeiro trimestre

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em: 22 de maio de 2024

A redução no total de recursos desembolsados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a empresas goianas no primeiro trimestre deste ano foi liderada pela indústria de transformação, com perdas mais expressivas no setor de fabricações de produtos alimentícios, que responde por algo como 39,3% do valor total da transformação industrial em Goiás, alcançando participação de 41,6% no conjunto da indústria de transformação instalada no Estado. No geral, conforme já registrado neste espaço (O Hoje, 14.05.2024), o valor dos desembolsos do banco de fomento no Estado sofreu baixa de 17,63% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, caindo de R$ 689,550 milhões para R$ 567,996 milhões, correspondendo à injeção de R$ 121,554 milhões a menos na economia estadual.

A indústria de transformação explica perto de 92,5% da queda anotada em todo o setor corporativo, com os desembolsos no setor baixando de R$ 220,522 milhões para R$ 108,108 milhões, num tombo de 50,98% ou em torno de R$ 112,414 milhões a menos. Na indústria em geral, incluindo o setor extrativo, os desembolsos experimentaram perdas igualmente severas, numa retração de 50,45%, com os valores encolhendo de R$ 228,336 milhões nos primeiros três meses de 2023 para R$ 113,145 milhões, numa redução de R$ 115,191 milhões (e contribuição de 94,76% para o retrocesso geral dos desembolsos).

Também conforme já registrado aqui, o ritmo menor de desembolsos na indústria tende a ser revertido mais adiante, a se considerar o desempenho muito mais favorável das consultas e aprovações, etapas que antecedem a liberação dos recursos pelo BNDES. Como se recorda, o valor das consultas encaminhadas ao banco de fomento pelas indústrias foi multiplicado em 10,4 vezes deste o primeiro trimestre do ano passado, saltando de apenas R$ 54,0 milhões para R$ 563,0 milhões nos três meses iniciais deste ano, em grandes números. Os projetos industriais aprovados pela instituição, que ficaram limitados a R$ 50,0 milhões no acumulado entre janeiro e março de 2023, aumentaram 6,2 vezes nos mesmos três meses deste ano, passando a somar R$ 313,0 milhões.

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Alimentos em baixa

De volta aos desembolsos, a indústria de alimentos registrou, em valores absolutos, as maiores perdas, deixando de receber R$ 137,514 milhões entre o primeiro trimestre do ano passado e igual período deste ano, com os desembolsos totais para o setor despencando de R$ 203,137 milhões para R$ 65,623 milhões, numa redução de 67,70%. A participação do setor de fabricação de produtos alimentícios nos desembolsos industriais caiu de 92,12% para 60,70%. A queda concentrou-se especialmente na região de Goianésia, que havia respondido no primeiro trimestre de ano passado por 93,47% dos recursos liberados para o setor de alimentação no Estado, com as contratações atingindo R$ 189,979 milhões distribuídos entre três projetos (um dos quais respondeu por nada menos do que R$ 182,246 milhões). Neste ano, também até março, a indústria de alimentação de Goianésia recebeu R$ 60,648 milhões, numa redução de 68,06%. Os desembolsos favoreceram, da mesma forma, três projetos, dos quais o maior registrou uma injeção de R$ 55,531 milhões.

Balanço

  • Ainda na indústria de transformação, proporcionalmente, o setor de borracha e plástico registrou a segunda maior queda, com a liberação de apenas R$ 822,540 mil no trimestre inicial deste ano, num retrocesso de 67,31% frente a R$ 2,516 milhões liberados em idêntico período do ano passado – o que, de fato, já não era um valor tão elevado. Na sequência, a indústria de produtos de metal teve os desembolsos reduzidos de R$ 2,686 milhões para R$ 1,053 milhões, em baixa de 60,80%.
  • As confecções contrataram empréstimos no valor de R$ 1,391 milhão entre janeiro e março deste ano, o que representou uma redução de 35,45% diante de R$ 2,155 milhões nos mesmos três meses do ano passado. Num indicativo de investimentos menores na indústria como um todo, o setor de fabricação de máquinas e equipamentos anotou desembolsos de R$ 2,592 milhões no trimestre inicial deste ano, o que se compara com R$ 3,265 milhões nos três primeiros meses de 2023, indicando queda de 20,60%.
  • Entre os segmentos industriais com melhor desempenho, o setor de combustíveis (ou mais apropriadamente de biocombustíveis) anotou o maior salto, mais do que dobrando os desembolsos. Os recursos contratados foram elevados de R$ 1,380 milhão para R$ 3,231 milhões, em alta de 134,23%. Aqui, as operações concentraram-se especificamente na região de Chapadão do Céu, que recebeu todo o desembolso destinado ao setor de biocombustíveis nos primeiros três meses do ano passado (destinado a um único projeto). Neste ano, o município registrou a liberação de R$ 2,50 milhões (81,16% a mais), representando 77,4% dos recursos contratados pela indústria de combustíveis em todo o Estado.
  • A indústria de processamento de minerais não metálicos, a exemplo de cimento, brita, areia e demais agregados da construção civil, teve liberados neste ano perto de R$ 3,591 milhões, correspondendo a uma variação nominal de 27,75% em relação a R$ 2,811 milhões desembolsados pelo banco no trimestre inicial de 2023.
  • Entre os demais grandes setores da economia, os dados mais positivos ficaram restritos a duas áreas apenas. A construção saiu-se melhor, com alta de 32,14% nos desembolsos, saindo de R$ 17,587 milhões para R$ 23,240 milhões. A agropecuária, por sua vez, recebeu R$ 236,574 milhões, num avanço de 14,89% em relação a desembolsos de R$ 205,920 milhões no primeiro trimestre de 2023.
  • Os desembolsos no setor de serviços, excluído o comércio, sofreram baixa de 12,54% na mesma comparação, recuando de R$ 191,067 milhões para R$ 167,111 milhões. Como exceção nesta área, as empresas do setor de água, esgoto e tratamento de lixo tiveram os desembolsos multiplicados em quase seis vezes, explicado principalmente pela base muito reduzida, que que saltaram de apenas R$ 1,186 milhão para R$ 6,931 milhões (484,4% a mais).
  • Na classificação do BNDES, a infraestrutura contratou um volume de recursos 14,92% mais baixo no primeiro trimestre deste ano em relação aos mesmos três meses de 2023, com o total encolhendo de R$ 155,873 milhões para R$ 132,620 milhões. O pior resultado veio do segmento de atividades auxiliares do setor de transporte, que teve os desembolsos achatados de R$ 36,251 milhões para R$ 3,540 milhões, numa retração de 90,23%.
  • Em compensação, o setor de eletricidade, que havia contratado apenas R$ 520,0 mil nos três meses iniciais de 2023, passou a receber R$ 2,40 milhões no mesmo intervalo deste ano, um valor ainda reduzido, mas 361,54% maior do que um ano antes. As empresas do setor de transporte rodoviário tiveram os desembolsos elevados em 7,63% no período, saindo de R$ 111,248 milhões para R$ 119,737 milhões. Mas o segmento “outros transportes” tiveram os desembolsos zerados, depois de contratar R$ 6,477 milhões no trimestre inicial de 2023.