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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Inflação inicia ano com tendência de queda e fica abaixo do previsto

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 28 de janeiro de 2026
inflação

Às vésperas da primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), iniciada ontem e com encerramento previsto para hoje, dia 28, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a primeira leitura da inflação de janeiro. A medição considera o período entre 13 de dezembro do ano passado e 14 de janeiro deste ano. A variação média dos preços ao longo dessas quatro semanas trouxe surpresa positiva, já que as projeções mais recorrentes dos chamados agentes de mercado apontavam uma inflação levemente superior, entre 0,22% e 0,24% no intervalo analisado. Ainda assim, confirmou-se a expectativa de desaceleração, com o índice oficialmente divulgado ontem registrando alta de 0,20%, conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de janeiro.

De forma predominante, os mercados trabalham com a expectativa de que o Copom mantenha a taxa básica de juros em 15% ao ano, decisão que será anunciada ao fim do dia pelo comitê. No entanto, há correntes minoritárias que levantam a possibilidade de um primeiro corte nos juros desde o fim de março de 2024, quando a taxa básica foi reduzida de 11,25% para 10,75%. Posteriormente, o Copom promoveu mais um ajuste, levando os juros para 10,50% na primeira semana de maio, patamar mantido até a primeira quinzena de setembro. A partir desse período, o ciclo de alta foi retomado, culminando com a elevação da taxa para 15,0% na reunião encerrada em 18 de junho do ano passado.

Entre a primeira quinzena de fevereiro de 2024 e o fim de março, sempre considerando períodos quadrissemanais, a inflação recuou de 0,76% para 0,16%. Na sequência, houve uma elevação pontual, com o IPCA alcançando 0,46% em maio. Nos meses seguintes, o índice voltou a desacelerar, atingindo o menor nível do ano em agosto, quando chegou a registrar variação negativa de 0,02%. As altas observadas posteriormente foram impulsionadas principalmente pelos preços dos alimentos e pela energia mais cara, elevando a inflação para 0,62% nas quatro semanas encerradas em 14 de novembro, período em que os juros básicos já operavam na faixa de 11,25% ao ano.

O “inamovível”

O IPCA acumulado em 12 meses passou de 4,62% em 2023 para 4,83% no ano seguinte, superando o teto da meta inflacionária. Esse movimento reforçou as pressões para que o Copom promovesse um aperto monetário adicional, o que resultou na elevação da taxa básica para os 15% vigentes desde 18 de junho, conforme já mencionado. A inflação anual atingiu o pico naquele mês, chegando a 5,35%, mas voltou a recuar posteriormente, encerrando o ano em 4,26%. Mesmo diante desse cenário e de uma taxa de juros real próxima de 10,6% — considerando projeções de inflação em torno de 4,0% para este ano — o Copom optou por não flexibilizar a política monetária.

Balanço

Entre o encerramento de dezembro e as duas primeiras semanas de janeiro, a taxa mensal do IPCA caiu de 0,33% para 0,20%, influenciada sobretudo pelas despesas com transportes. O principal fator foi a queda de 8,92% nos preços das passagens aéreas, que haviam registrado alta de 12,61% em dezembro.

As pressões baixistas prevaleceram em cinco dos nove grupos de despesas que compõem o IPCA. O custo da habitação permaneceu em terreno negativo, embora com desaceleração no ritmo de queda, que passou de 0,33% em dezembro para 0,26% nas quatro semanas encerradas em 14 de janeiro, ainda refletindo a redução de 2,91% nas tarifas de energia residencial.

No grupo transportes, os preços haviam avançado 0,74% nas quatro semanas de dezembro e passaram a registrar recuo de 0,13% em janeiro. Desconsiderando o impacto das passagens aéreas, os demais itens do grupo apresentaram leve queda de 0,06%, após alta de 0,66% em dezembro. Os artigos para residência, que haviam subido 0,64% em dezembro, avançaram 0,43% em janeiro. Já o vestuário teve desaceleração, com a variação caindo de 0,45% para 0,28%. As despesas pessoais, que chegaram a registrar aumento de 0,36%, tiveram a taxa reduzida para 0,28%.

Segundo o IBGE, quatro itens responderam por pouco mais de 70% do IPCA-15 de janeiro: gasolina, taxa de água e esgoto, tomate e aluguel residencial. Em conjunto, esses produtos e serviços contribuíram com 0,14 ponto percentual da taxa geral de 0,20%. Excluídos esses itens, os demais preços apresentaram desaceleração, com a variação média recuando de 0,30% em dezembro para 0,06% na quadrissemana encerrada em 14 de janeiro.

Em uma possível leitura, os dados indicam que as pressões inflacionárias estiveram mais concentradas em itens específicos durante o período analisado, enquanto o restante dos preços mostrou comportamento mais favorável ao consumidor, aspecto que pode ser considerado pelo Copom no momento de definir os próximos passos da política monetária.

Isoladamente, a gasolina respondeu por cerca de um quarto da inflação do período, com alta de 1,01% até o fim da primeira quinzena do mês, acima da variação de 0,18% observada em dezembro. Os combustíveis, de modo geral, apresentaram aceleração na passagem de dezembro para janeiro, com a taxa mensal subindo de 0,45% para 1,25%, passando a representar 37,5% do IPCA-15.

Mesmo os custos dos serviços, que haviam avançado 0,72% em dezembro, registraram aumento de apenas 0,15% em janeiro. Para efeito de comparação, segundo dados trabalhados pela assessoria econômica do Itaú BBA, nas quatro semanas encerradas na primeira quinzena de janeiro do ano passado, a inflação desse segmento havia alcançado 0,85%.

Em outro exercício, utilizando a base de dados do IBGE, ao excluir do cálculo do IPCA os grupos de alimentos e bebidas, combustíveis, energia elétrica e passagens aéreas, os preços dos demais produtos apresentaram variação semelhante à observada em dezembro, em torno de 0,26%, com leve recuo para 0,25% em janeiro. Desse total, aproximadamente 24% podem ser atribuídos aos aluguéis e à taxa de água e esgoto.

 

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