quinta-feira, 28 de maio de 2026

Inflação mantém tendência de baixa nas duas primeiras semanas de maio

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 28 de maio de 2026

A taxa oficial de inflação abriu maio ainda em tendência baixista se comparada às medições mais recentes, com contribuição positiva no setor de combustíveis, diante do recuo observado nas primeiras duas semanas do mês, e pressão ligeiramente menos intensa nos custos da alimentação e de bebidas. O levantamento realizado entre 18 de abril e 15 de maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou uma variação de 0,62% para a média geral dos preços na economia, consolidada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) deste mês, uma prévia da inflação esperada para as quatro semanas de maio.

Como se recorda, o índice geral havia anotado variações de 0,88% nos 30 dias de março, registrando ainda discreto incremento nas quatro semanas finalizadas em 17 de abril, o que levou o IPCA-15 do mês passado para 0,89%. As duas medições subsequentes, realizadas ao longo das quatro semanas de abril e entre a quinzena final do mesmo mês e a primeira de maio, apontaram elevações decrescentes, saindo de 0,67% para 0,62%.

A taxa inflacionária, como mostram os dados agregados, tem observado desaceleração, significando que os preços passaram a subir em velocidade relativamente menos intensa nas últimas semanas, a despeito de um cenário ainda extremamente turbulento na área externa, explicado principalmente pelos impactos da guerra movida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, ainda sem uma perspectiva mais concreta de encerramento. Os gargalos gerados na extração, refino e distribuição de petróleo na região do Oriente Médio, diante do fechamento do estrito de Ormuz, continuam trazendo intranquilidade para os mercados, gerando oscilações diárias e abruptas, para cima e para baixo, nas cotações do barril do petróleo, com toda a carga de incertezas que isso significa para a economia global e para os negócios em geral.

 

Combustíveis e sazonalidade

A conjuntura internacional desde o finalzinho de fevereiro tornava mais ou menos previsível as pressões que os preços passaram a sofrer também aqui dentro, como registram as anotações de alta nos preços dos combustíveis – agora em fase de refluxo na sequência de aumentos mais expressivos entre o final de março e as duas semanas iniciais de abril. Os focos altistas no setor de combustíveis podem explicar parte dos aumentos dos preços dos alimentos, com outra fração podendo ser atribuída a questões climáticas e à sazonalidade das safras. De toda forma, na média geral, a inflação do grupo “alimentos e bebidas” saiu de 1,56% em março para 1,38% na quadrissemana finalizada no dia 15 de maio (em ligeira elevação diante de 1,34% nas quatro semanas de abril).

 

Balanço

A inflação dos alimentos aferida pelo IPCA-15 de maio ficou concentrada essencialmente em sete itens ou produtos, que em conjunto contribuíram com pouco mais de 90% para a elevação registrada pelos preços no setor como um todo. As pressões vieram especialmente dos preços do tomate, cenoura e cebola, no grupo de tubérculos e legumes, com altas de 12,97%, de 24,49% (neste caso, em modestíssima desaceleração) e de 16,57% naquela mesma ordem. Na quadrissemana imediatamente anterior, as variações haviam sido de 6,13% para o tomate, de 26,63% para a cenoura e de 11,76% para a cebola.

As carnes, no entanto, tinham subido 1,14% entre as duas semanas finais de março e as duas primeiras de abril, entraram em ritmo mais acelerado, subindo 1,59% nos 30 dias de abril e agora surge, na pesquisa mais recente, com variação de 1,98%.

Os demais itens, nessa avaliação, vêm demonstrando perda de ritmo, embora continuem como focos de alta ainda importantes dentro do grupo. A sinalização, de qualquer maneira, tem sido menos negativa. O leite longa vida, num exemplo, tinha experimentado alta de 16,33% até a primeira quinzena de abril, subindo 13,66% nas quatro semanas daquele mesmo mês. O IPCA-15 de maio trouxe uma elevação menos intensa, na faixa de 6,07%, o que contribuiu para desacelerar os aumentos no item leite e derivados (que em conjunto subiram 3,47% até o final da segunda semana de maio).

Refeições fora de casa e lanches haviam registrado aumentos de 0,54% e de 0,71% respectivamente no encerramento de abril e iniciaram maio com variações de 0,57% (apenas moderadamente mais elevada) e de 0,37% (em forte desaquecimento). Assim, o custo da alimentação fora do domicílio, que havia subido 0,70% na quadrissemana finalizada em 17 de abril, passou a anotar variação de 0,51% nas quatro semanas entre 18 de abril e 15 de maio, em relação às quatro semanas imediatamente anteriores.

Os preços médios dos combustíveis passaram a recuar 1,47% no acompanhamento mais recente, retratado pelo IPCA-15 deste mês, mas haviam disparado 6,06% ao final da primeira quinzena de abril, finalizando o mês com variação de 1,80% (o que já sinalizava tendência de baixa para os preços cobrados do consumidor). Especificamente nas quatro semanas terminadas em 15 deste mês, gasolina, etanol e diesel anotaram quedas respectivamente de 1,32%, de 2,73% e de 2,04%.

O custo de vida em Goiânia manteve-se na liderança do ranking nacional, com alta de 1,41% para o IPCA-15 de maio, o que se compara com uma variação de 1,12% nos 30 dias de abril. As pressões mais vigorosas vieram precisamente dos preços dos combustíveis, contrariando a tendência geral e mesmo, no caso mais específico do etanol, na contramão do comportamento registrado nas usinas, como mostram os dados apurados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Escola Superior de Agricultura ‘Luiz de Queiroz’ da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

Em conjunto, a inflação dos combustíveis avançou de 5,79% no encerramento de abril para 9,94% até o final da primeira quinzena de maio, indicando forte aceleração no período na capital goiana e respondendo por 55,23% do IPCA-15 geral. A gasolina chegou a subir 9,67% entre 18 de abril e 15 de maio, mas os preços do etanol nas bombas escalaram, com salto de 16,62% – o que denuncia um total desligamento da tendência observada para os preços do biocombustível na saída das usinas.

De acordo com o Cepea, os preços médios do etanol na semana entre 11 e 15 de maio haviam se aproximado de R$ 2,085 por litro, num tombo de 21,40% quando compara a R$ 2,653 na semana entre os dias 11 e 17 de abril.

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