Inflação reverte alta e recua na primeira quinzena de outubro
Os preços em geral experimentaram desaceleração acentuada no ritmo de alta na primeira quinzena de outubro, empurrando para baixo a taxa de inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo15 (IPCA-15), aferido entre os dias 16 de setembro e 14 de outubro, alcançou 0,32% diante de uma variação de 0,82% ao longo dos 30 dias de setembro, indicando uma queda de meio ponto percentual. Em torno de um quinto dessa redução pode ser atribuído ao recuo de 0,89% nas tarifas da energia elétrica cobradas nas residências, que chegaram a subir 7,98% em setembro, e à baixa de 9,24% nos preços das passagens aéreas, que vinham de um salto de 9,6% nos 30 dias de setembro.
Como se percebe, houve uma reversão destacada no ritmo de variação daqueles preços, já que a mudança de sinais ocorreu, na prática, apenas nas duas semanas iniciais deste mês, sugerindo que as pressões baixistas naqueles duas áreas – energia elétrica e passagens aéreas – tenderão a prevalecer no restante do mês, com alívio já evidente sobre o índice geral da inflação. Segundo as análises de algumas consultorias e analistas, os dois fatores explicariam a taxa inflacionária mais baixa (na verdade, muito mais baixa) anotada na quadrissemana finalizada em 14 de outubro.
Aqueles vetores explicariam, ainda, o fato de o índice aferido pelo IBGE ter vindo bem abaixo das projeções do mercado, que vinha projetando algo na faixa entre 0,44% e 0,50% para as quatro semanas finalizadas na primeira quinzena de outubro. Na área da energia, por exemplo, a “virada” de sinais parece ter refletido o fim da bandeira amarela, que acrescentava R$ 1,885 a cada 100 quilowatts/hora consumidos pelas residências, com a entrada em vigor da bandeira verde, sinalizando uma melhora nos níveis dos reservatórios hidrelétricos. Os preços das passagens em geral apresentam volatilidade excessiva, com grandes altas seguidas por quedas intensas, o que dificulta traçar tendências para este setor específico da economia.
Desafogo na inflação
Como parece claro, seria temerário tentar antecipar o comportamento futuro dos índices inflacionários com base em uma variável tão inconstante. Por isso, um exercício estatístico permite isolar o impacto das passagens aéreas sobre o índice geral e verificar como os demais preços na economia têm se comportado mais recentemente. Assim, excluídas as passagens aéreas, a inflação no restante da economia havia anotado algum incremento na saída da quadrissemana terminada em 15 de setembro para as quatro semanas concluídas no dia 30 do mesmo mês, avançando de 0,62% para 0,75%. Na medição mais recente, cobrindo o período de 30 dias até 14 de outubro, os preços no resto da economia, ainda com exclusão do transporte aéreo de passageiros, apresentaram variação de 0,40%, quer dizer, em baixa de 0,35 pontos de porcentagem.
Balanço
Alimentos, bebidas e combustíveis exerceram pressões altistas ao longo da segunda quadrissemana de outubro, explicando praticamente 82% da alta observada. Mas há uma observação essencial a ser colocada aqui. Os dados do IBGE sugerem, por exemplo, que a elevação do custo dos alimentos parece estar perdendo fôlego.
Ao final de agosto, os preços médios dos alimentos haviam recuado 0,34% e passaram a subir 0,4% nas quatro semanas encerradas em 15 de setembro, num incremento de 0,74 pontos. O IPCA de setembro, medido entre os dias 1º e 30 do mês, já apontava um índice inflacionário de 0,83% para os alimentos, correspondendo a um avanço de 0,43 pontos.
Ao final da segunda quadrissemana de outubro, quer dizer, entre 16 de setembro e 14 de outubro, a taxa média de variação dos preços dos alimentos alcançou 0,88% – isto é, um acréscimo de 0,05 pontos. Como se percebe, o ritmo de elevação do índice (que não deve ser confundido com o aumento dos preços) tem sido menos intenso a cada medição, o que pode estar relacionado, até aqui, a alguma mudança na tendência inflacionária nesta área.
Obviamente, isso não assegura que os preços dos alimentos possam vir a ceder mais adiante, mesmo porque o esperado recrudescimento do El Niño pode ainda causar estragos na oferta de alimentos e mesmo nos preços da energia, já que não está afastado o risco de estiagens mais severas a partir de novembro, o que poderia levar, numa hipótese mais pessimista, a alguma redução nos níveis dos reservatórios, levando o governo a adotar medidas preventivas nesta área.
Mas mostra, de todo modo, que não há uma explosão inflacionária em curso como o oposicionismo mal intencionado tem buscado disseminar nas redes sociais. Pelo contrário. As pressões têm sido esvaziadas nas últimas semanas.
No caso dos combustíveis, os preços médios haviam encerrado o mês de setembro com alta de 1,41% (saindo de uma variação bastante moderada de 0,22% até a primeira quinzena daquele mesmo mês). Nas duas semanas iniciais de outubro, a taxa de variação média havia recuado ligeiramente para 1,20%. Gasolina e etanol, que chegaram a subir respectivamente 1,21% e 3,16% nas quatro semanas de setembro, apontaram variações de 0,92% e de 2,73% na mesma ordem até a primeira quinzena de outubro.
Possivelmente, a desaceleração no setor já tenha refletido muito parcialmente o conjunto de medidas anunciadas no dia 9 de outubro pela equipe econômica. Como se recorda, as alíquotas do PIS/Pasep, Cofins e Cide-Combustíveis para a gasolina foram zeradas por 30 dias. Ao mesmo tempo, o subsídio para produtores de etanol foi elevado em 72% (de R$ 0,25 para R$ 0,43), com ampliação ainda da subvenção ao diesel importado de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro (mais 66%), também com duração de 30 dias. A equipe estima um custo de R$ 5,20 bilhões no período.
Além daquelas medidas, o governo abriu crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões para o Ministério de Minas e Energia, por meio da Medida Provisória 1.395, para subvenção à produção e à importação de combustíveis. Daquele total, em torno de R$ 6,17 bilhões foram reservados para o diesel consumido por caminhões e R$ 1,37 bilhão vão financiar “ações relacionadas a outros derivados de petróleo”, cobrindo os subsídios planejados para os 30 dias seguintes (ou seja, até 9 de novembro).
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