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sábado, 28 de fevereiro de 2026

Inflação sobe menos do que no ano passado e taxa em 12 meses recua

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 28 de fevereiro de 2026

A alta sazonal das matrículas e mensalidades nas escolas, assim como dos materiais escolares, o salto nos custos da energia e um avanço mais acelerado dos preços dos alimentos haviam imposto uma alta de 1,23% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) aferido entre as duas semanas finais de janeiro e a primeira quinzena do ano passado. A taxa medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre os dias 15 de janeiro e 12 de fevereiro deste ano apresentou variação bem menos intensa, numa elevação de 0,84%. Como consequência, o índice acumulado em 12 meses baixou de 4,96% até o final da primeira metade de fevereiro do ano passado para 4,10% neste ano, saindo ainda de 4,50% no acompanhamento realizado entre fevereiro de 2025 e janeiro deste ano.

Neste ano, os cursos regulares, que incluem desde a pré-escola até o ensino superior, além de pós-graduação, cursos técnicos e creches, tiveram seus custos elevados em 6,18% nas quatro semanas finalizadas em 12 de fevereiro passado, diante de uma elevação de 5,69% na medição feita pelo IPCA-15 no mesmo período de 2025, numa contribuição de 20,98% na formação do índice inflacionário do período. A alta daqueles cursos, na quadrissemana encerrada em 12 de fevereiro deste ano, passou a respondeu por 33,92% do IPCA-15 “cheio”.

A tarifa da energia residencial, que havia registrado alta de 16,33% há um ano, em apenas quatro semanas, passou a ser negativa, com queda de 1,37% diante de uma hidrologia mais favorável. As passagens aéreas, que haviam anotado baixa de 20,42%, passaram a subir 11,64%, enquanto os gastos com alimentação e combustíveis subiram menos, saindo de altas de 0,61% e de 1,88%, respectivamente, para 0,20% e 1,38%.

Sem descontrole
Descontadas as variações dos alimentos e bebidas, energia, passagens aéreas, combustíveis e cursos regulares, o restante dos itens pesquisados pelo IBGE subiram numa velocidade muita próxima quando comparados os dois períodos, saindo de 0,36% para pouco menos de 0,40%. Entre outros pontos de destaque, ressalte-se a menor pressão causada pela inflação dos alimentos, que havia contribuído com 10,87% na formação do IPCA-15 de fevereiro do ano passado e passou a responder no mesmo período deste ano por 5,13% – quer dizer, menos da metade. Vale recordar ainda que o grupo alimentação e bebidas tem o maior peso no cálculo da inflação, algo em torno de 21,56%, seguido pelo grupo transportes, com 20,21% (incluindo combustíveis, passagens áreas, tarifas do transporte coletivo, carros novos e despesas associadas aos veículos).

Balanço
 Numa conta que permite visualizar a distorção gerada pelas flutuações dos preços das passagens áreas no cálculo da inflação, item de extrema volatilidade, como mostram as estatísticas do IBGE, a contribuição daqueles preços para o IPCA-15 de fevereiro deste ano foi duas vezes superior à do grupo alimentos e bebidas. O salto de 11,64% no valor pago pelas passagens, em média, gerou 10,31% (ou 0,09 pontos percentuais) da inflação no período, frente a uma participação de 5,13% (em torno de 0,04 pontos) no caso dos alimentos.
 Apenas para reforçar a linha de raciocínio, basta anotar que, excluídas as passagens do cálculo, o IPCA-15 para todos os demais produtos teria se aproximado de 1,41% em fevereiro do ano passado, caindo quase pela metade no mesmo período deste ano, para 0,75%.
 Numa sequência de prazo mais curto, a inflação mensal havia recuado de 0,33% em dezembro para 0,20% na medição realizada entre a quinzena final do mesmo dezembro e as duas semanas iniciais de janeiro, voltando a 0,33% nas quatro semanas do primeiro mês do ano.
 O IPCA-15 de fevereiro, portanto, representou nova elevação, com a taxa chegando a 0,84% conforme já anotado, em grande medida em função do aumento sazonal das matrículas e mensalidades escolares. Mas numa composição geral mais favorável do que aquela observada no mesmo período do ano passado, como já avaliado mais acima.
 Os preços dos alimentos, que haviam apresentado variação de 0,31% na quadrissemana encerrada em 14 de janeiro deste ano, fecharam as quatro semanas daquele mês já em recuo, para 0,23%. E registraram variação de 0,20% entre os dias 15 de janeiro e 12 de fevereiro. Entre outros pontos, os preços de tubérculos e legumes, que havia saltado 7,63% em janeiro, passaram a subir 1,63% na quadrissemana finalizada em 12 de fevereiro último. As hortaliças, que haviam subido 5,23%, tiveram elevação de 3,12% na medição seguinte.
 Na média, os preços das carnes, por seu turno, chegaram a experimentam elevação de 0,84% em janeiro, iniciaram fevereiro com variação de 0,76%. Na mesma tendência, o custo da alimentação fora de casa, que vinha subindo na faixa de 0,60% ao mês, indicou uma taxa de 0,46% nos 30 dias encerrados em 12 de fevereiro.
 Os principais focos de alta vieram dos custos das passagens, conforme já observado, que haviam sofrido baixa de 8,90% em janeiro e saltaram 11,64% nas primeiras duas semanas de fevereiro; e ainda dos cursos regulares, saindo de total estabilização até janeiro para a alta de 6,18% observada no começo do mês seguinte.
 Em três outras áreas, que haviam pressionado a taxa inflacionária de janeiro, houve igualmente perda de intensidade na alta. Os preços dos combustíveis saíram de uma variação de 2,14% em janeiro para 1,38% no começo de fevereiro, enquanto os custos do aluguel, que chegaram a subir 0,76%, tiveram o ritmo de alta aliviado para 0,32%. Artigos de higiene pessoal avançaram 0,91% nas duas primeiras semanas de fevereiro (sempre considerando a taxa mensal), abaixo da variação de 1,20% anotada em janeiro.

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