Inflação sobe menos do que no ano passado e taxa em 12 meses recua
A alta sazonal das matrículas e mensalidades nas escolas, assim como dos materiais escolares, o salto nos custos da energia e um avanço mais acelerado dos preços dos alimentos haviam imposto uma alta de 1,23% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) aferido entre as duas semanas finais de janeiro e a primeira quinzena do ano passado. A taxa medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre os dias 15 de janeiro e 12 de fevereiro deste ano apresentou variação bem menos intensa, numa elevação de 0,84%. Como consequência, o índice acumulado em 12 meses baixou de 4,96% até o final da primeira metade de fevereiro do ano passado para 4,10% neste ano, saindo ainda de 4,50% no acompanhamento realizado entre fevereiro de 2025 e janeiro deste ano.
Neste ano, os cursos regulares, que incluem desde a pré-escola até o ensino superior, além de pós-graduação, cursos técnicos e creches, tiveram seus custos elevados em 6,18% nas quatro semanas finalizadas em 12 de fevereiro passado, diante de uma elevação de 5,69% na medição feita pelo IPCA-15 no mesmo período de 2025, numa contribuição de 20,98% na formação do índice inflacionário do período. A alta daqueles cursos, na quadrissemana encerrada em 12 de fevereiro deste ano, passou a respondeu por 33,92% do IPCA-15 “cheio”.
A tarifa da energia residencial, que havia registrado alta de 16,33% há um ano, em apenas quatro semanas, passou a ser negativa, com queda de 1,37% diante de uma hidrologia mais favorável. As passagens aéreas, que haviam anotado baixa de 20,42%, passaram a subir 11,64%, enquanto os gastos com alimentação e combustíveis subiram menos, saindo de altas de 0,61% e de 1,88%, respectivamente, para 0,20% e 1,38%.
Sem descontrole
Descontadas as variações dos alimentos e bebidas, energia, passagens aéreas, combustíveis e cursos regulares, o restante dos itens pesquisados pelo IBGE subiram numa velocidade muita próxima quando comparados os dois períodos, saindo de 0,36% para pouco menos de 0,40%. Entre outros pontos de destaque, ressalte-se a menor pressão causada pela inflação dos alimentos, que havia contribuído com 10,87% na formação do IPCA-15 de fevereiro do ano passado e passou a responder no mesmo período deste ano por 5,13% – quer dizer, menos da metade. Vale recordar ainda que o grupo alimentação e bebidas tem o maior peso no cálculo da inflação, algo em torno de 21,56%, seguido pelo grupo transportes, com 20,21% (incluindo combustíveis, passagens áreas, tarifas do transporte coletivo, carros novos e despesas associadas aos veículos).
Balanço
Numa conta que permite visualizar a distorção gerada pelas flutuações dos preços das passagens áreas no cálculo da inflação, item de extrema volatilidade, como mostram as estatísticas do IBGE, a contribuição daqueles preços para o IPCA-15 de fevereiro deste ano foi duas vezes superior à do grupo alimentos e bebidas. O salto de 11,64% no valor pago pelas passagens, em média, gerou 10,31% (ou 0,09 pontos percentuais) da inflação no período, frente a uma participação de 5,13% (em torno de 0,04 pontos) no caso dos alimentos.
Apenas para reforçar a linha de raciocínio, basta anotar que, excluídas as passagens do cálculo, o IPCA-15 para todos os demais produtos teria se aproximado de 1,41% em fevereiro do ano passado, caindo quase pela metade no mesmo período deste ano, para 0,75%.
Numa sequência de prazo mais curto, a inflação mensal havia recuado de 0,33% em dezembro para 0,20% na medição realizada entre a quinzena final do mesmo dezembro e as duas semanas iniciais de janeiro, voltando a 0,33% nas quatro semanas do primeiro mês do ano.
O IPCA-15 de fevereiro, portanto, representou nova elevação, com a taxa chegando a 0,84% conforme já anotado, em grande medida em função do aumento sazonal das matrículas e mensalidades escolares. Mas numa composição geral mais favorável do que aquela observada no mesmo período do ano passado, como já avaliado mais acima.
Os preços dos alimentos, que haviam apresentado variação de 0,31% na quadrissemana encerrada em 14 de janeiro deste ano, fecharam as quatro semanas daquele mês já em recuo, para 0,23%. E registraram variação de 0,20% entre os dias 15 de janeiro e 12 de fevereiro. Entre outros pontos, os preços de tubérculos e legumes, que havia saltado 7,63% em janeiro, passaram a subir 1,63% na quadrissemana finalizada em 12 de fevereiro último. As hortaliças, que haviam subido 5,23%, tiveram elevação de 3,12% na medição seguinte.
Na média, os preços das carnes, por seu turno, chegaram a experimentam elevação de 0,84% em janeiro, iniciaram fevereiro com variação de 0,76%. Na mesma tendência, o custo da alimentação fora de casa, que vinha subindo na faixa de 0,60% ao mês, indicou uma taxa de 0,46% nos 30 dias encerrados em 12 de fevereiro.
Os principais focos de alta vieram dos custos das passagens, conforme já observado, que haviam sofrido baixa de 8,90% em janeiro e saltaram 11,64% nas primeiras duas semanas de fevereiro; e ainda dos cursos regulares, saindo de total estabilização até janeiro para a alta de 6,18% observada no começo do mês seguinte.
Em três outras áreas, que haviam pressionado a taxa inflacionária de janeiro, houve igualmente perda de intensidade na alta. Os preços dos combustíveis saíram de uma variação de 2,14% em janeiro para 1,38% no começo de fevereiro, enquanto os custos do aluguel, que chegaram a subir 0,76%, tiveram o ritmo de alta aliviado para 0,32%. Artigos de higiene pessoal avançaram 0,91% nas duas primeiras semanas de fevereiro (sempre considerando a taxa mensal), abaixo da variação de 1,20% anotada em janeiro.