terça-feira, 18 de agosto de 2026

Informalidade avança em Goiás e compensa perda de empregos formais

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em
Informalidade avança em Goiás e compensa perda de empregos formais
Os ventos no mercado de trabalho em Goiás anotaram discreta mudança de rumos no segundo trimestre deste ano, período em que o total de trabalhadores ocupados atingiu o segundo maior número na série histórica | Foto: Marcelo Camargo/ABr

Os ventos no mercado de trabalho em Goiás anotaram discreta mudança de rumos no segundo trimestre deste ano, período em que o total de trabalhadores ocupados atingiu o segundo maior número na série histórica, revertendo o leve recuo observado nos três meses anteriores. Ao mesmo tempo, o desemprego, que havia crescido no primeiro trimestre, voltou a recuar, derrubando os desocupados para o número mais baixo desde o terceiro trimestre de 2012. As alterações em curso no período, no entanto, derivaram de uma retomada das ocupações informais, de forma a compensar a perda relativa de ocupações observada para no setor formal, que inclui ocupados com carteira assinada, além de empregadores e trabalhadores por conta própria com registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ).

Segundo a versão trimestral da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada na sexta-feira passada, 14, o total de trabalhadores ocupados chegou a 3,884 milhões no segundo trimestre, com abertura de 46,0 mil postos de trabalho na comparação com 3,838 milhões registrados nos três meses imediatamente anteriores, variando 1,2% – em virtual estabilidade na leitura do instituto. O dado ficou abaixo apenas do recorde histórico alcançado no segundo trimestre do ano passado, quando a pesquisa havia apontado um total de 3,892 milhões de ocupados em todo o Estado. Ainda assim, a diferença surge como quase desprezível, indicando, na verdade, tendência de estabilização do emprego em níveis historicamente elevados.

 

Evolução pouco virtuosa

A desagregação dos dados, no entanto, mostra uma evolução menos virtuosa, já que sustentada pelo aumento da informalidade, o que pressupõe colocações de menor qualidade e rendimentos relativamente mais baixos, comparativamente àquelas no setor formal da economia. O total de trabalhadores em colocações sem carteira, sem Previdência e sem direitos trabalhistas passou de 1,314 milhão no primeiro trimestre para 1,404 milhão no trimestre seguinte, variando quase 6,9%, correspondendo a um acréscimo de 90,0 mil ocupações. A taxa de informalidade passou de 34,2% para 36,1% naquele mesmo período, diante de 35,0% no segundo trimestre de 2025. Na comparação anual, considerando um número de 1,363 milhão de informais no segundo trimestre do ano passado, registrou-se uma variação de 3,0% (ou perto de 41,0 mil informais a mais em igual período deste ano).

 

Balanço

O número de informais, em valores absolutos, foi o mais alto desde o quarto trimestre de 2023, quando a PNADC havia identificado 1,418 milhão de trabalhadores em ocupações sem registro e sem benefícios previdenciários e trabalhistas, significando 37,3% do total de ocupados. Em termos relativos, a taxa de informalidade, por sua vez, foi a mais elevada desde o terceiro trimestre de 2024, quando havia alcançado 36,4%.

Na estimativa feita pela coluna para o total de ocupações formais, considerando a soma de trabalhadores com carteira assinada nos setores privado e público e ainda de empregadores e trabalhadores por conta própria com CNPJ, o número baixou de 2,414 milhões no primeiro trimestre deste ano para 2,352 milhões no trimestre seguinte, correspondendo ao corte de 62,0 mil vagas (queda de 2,6%).

O dado do trimestre abril, maio e junho deste ano foi ainda 2,3% mais baixo do que o total de 2,408 milhões registrados no setor formal em igual período do ano passado, com perda de 56,0 mil postos formais. Tomando o total de ocupações, o setor formal reduziu sua participação de 62,9% no primeiro trimestre para 60,6% nos três meses posteriores, o que se compara com 61,9% no segundo trimestre de 2025.

Como o total de pessoas em idade ativa manteve-se relativamente estável, as oscilações no total de ocupados não afetaram a desocupação, que prosseguiu recuando. Esse número havia avançado de 180,0 mil no segundo trimestre do ano passado para 206,0 mil no primeiro trimestre deste ano, o que fez a taxa de desemprego elevar-se de 4,4% para 5,1%.

No segundo trimestre deste ano, o total de desempregados baixou para 264,0 mil, num tombo de 20,3% frente aos três meses anteriores e em queda de 9,2% em 12 meses, o que derrubou a taxa de desocupação para 4,0% – indicador muito próximo dos níveis observados no quarto trimestre de 2025, quando o desemprego havia recuado para 3,9% e alcançado sua melhor marca desde que o IBGE iniciou a pesquisa em seu formato atual, em 2012.

Daqui em diante, ao que sugerem as estatísticas do instituto, será mais difícil observar saltos mais expressivos na ocupação, considerando que os níveis de subutilização da força de trabalho atingiram níveis históricos de baixa no segundo trimestre deste ano. Na soma de desempregados, subocupados por insuficiência de horas trabalhadas e aqueles trabalhadores no momento fora da força, mas ainda dispostos a trabalhar, caiu 11,7% em relação ao primeiro trimestre, saindo de 376,0 mil para 332,0 mil (quer dizer, 44,0 mil a menos). A taxa composta de subocupação baixou de 9,1% para 8,0%, equiparando-se ao índice observado no trimestre final do ano passado.

A pesquisa mensal do comércio, igualmente realizada pelo IBGE, mostrou elevação de 1,0% nas vendas do varejo restrito na passagem de maio para junho, encerrando um período de dois meses de perdas nesta área, com quedas de 3,3% e de 3,0% em abril e maio na série sazonalmente ajustada (quer dizer, excluindo-se eventos e fatores que sempre ocorrem numa mesma época todos os anos). Ainda assim, os volumes vendidos em junho ainda se encontravam 5,4% abaixo dos níveis de março deste ano.

O varejo ampliado, também na série dessazonalizada, observou o segundo mês de baixa, caindo 0,5% diante de maio, quando havia sofrido um retrocesso de 4,5% em relação a abril. Em dois meses, o segmento caiu quase 5,0%. Na comparação com junho do ano passado, os resultados para o varejo tradicional apontam modesta variação de 0,1% em junho, depois de ter sofrido baixa de 2,1% em maio. O varejo ampliado, ao contrário, chegou ao 11º mês de crescimento na comparação interanual, subindo 8,7% diante de junho do ano passado.

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