Infraestrutura deve receber R$ 277,9 bi neste ano, num avanço de (apenas) 4,2%
Os investimentos estimados para 2025 em projetos de infraestrutura, desde energia e transportes até saneamento e telecomunicações, deverão alcançar qualquer coisa ao redor de R$ 277,9 bilhões, equivalentes a quase 2,26% do Produto Interno Bruto (PIB), previsto em R$ 12,321 trilhões na projeção divulgada em julho pelo Banco Central (BC). O resultado corresponderá a uma variação de 4,2% na comparação com os R$ 266,8 bilhões investidos no ano passado ou R$ 11,1 bilhões a mais, a se confirmarem as previsões incluídas pela Inter.B Consultoria na 24ª edição de sua Carta de Infraestrutura.
De acordo com a consultoria, os recursos antecipados para este ano deverão ser “direcionados, principalmente, para gastos de capital em energia elétrica, saneamento básico, e rodovias, ferrovias e mobilidade urbana no setor de transportes”. Além disso, acrescenta a carta, “chama atenção o impulso de investimento em saneamento básico (água e esgoto) e a relevância do setor privado, pela primeira vez dominante no setor, em grande medida reflexo do novo marco institucional e seu papel transformador”.
O avanço esperado para este ano, levemente inferior ao crescimento nominal previsto para o PIB, tende a significar alguma desaceleração em relação à alta de 9,6% registrada no ano passado na comparação com 2023, quando o setor de infraestrutura havia recebido perto de R$ 243,4 bilhões. Entre aqueles dois anos, a relação entre os investimentos no setor e o PIB variou de 2,22% para 2,27% e deverá praticamente repetir esse percentual ao longo de 2025, conforme já registrado. O percentual estimado pela Inter.B aproxima-se de 2,19% diante do PIB utilizado pelo estudo, que toma emprestada a estimativa do Instituto Fiscal Independente (IFI), que até julho trabalhava com um produto levemente abaixo de R$ 12,672 trilhões.
Fundo do poço
De toda forma, qualquer que seja a referência utilizada, o investimento em infraestrutura tem se mantido, a partir dos anos 1990, abaixo das necessidades do País, o q ue tem determinado a deterioração do estoque de capital estacionado no setor de infraestrutura. Em dois momentos na série histórica construída pela consultoria, a relação entre estoque de capital e PIB girou em torno de 53,7% – taxa observada no começo da década de 1980 e nos primeiros anos da década seguinte. Esse percentual atingiu o fundo do poço em 2014, quando bateu em 33,7%. Isso significa que o País “perdeu” vinte pontos percentuais do PIB no setor de infraestrutura, correspondendo a igual “envelhecimento” e “desatualização” das obras e ativos de infraestrutura, que precisam ser renovados e, mais do que isto, ampliados para atender a necessidades de uma economia que, bem ou mal, continuou crescendo. Desde lá, a relação chegou a 38,3% em 2020, caiu abaixo de 35% nos dois anos seguintes e alcançou 35,3% em 2024.
Balanço
- Na avaliação da Inter.B, “essa é uma métrica relevante do estado da infraestrutura no país, e revela sua fragilidade, visto que mais de três décadas de subinvestimento implicaram em um aumento expressivo da idade média dos equipamentos – muitos com mais de 30-40 anos – e na subprovisão de serviços”.
- Nesse sentido, prossegue a Carta de Infraestrutura, em torno de 61,7% do investimento total realizado em 2024, algo como R$ 164,6 bilhões, “foram contabilizados para repor a depreciação do capital fixo”, ou seja, para tentar reparar os ativos já instalados – pontes, viadutos, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, linhas de transmissão e distribuição de energia, entre outros. Dito de outra forma, apenas em torno de 38,3% do investimento foram destinados à ampliação estrutura, com instalação de novos ativos destinados a atender a demanda adicional gerada pela economia.
- “Isso explica, em parte, a dificuldade de se modernizar a infraestrutura no País, na medida em que uma parcela considerável do novo investimento repõe as perdas por força do tempo e intensidade de uso”, reforça o trabalho.
- A consultoria dedica parte da Carta de Infraestrutura para estimar quando seria necessário investir para cumprir aquele objetivo duplo, qual seja, renovar o parque já consolidado e expandir de fato a infraestrutura de forma a atender às necessidades do País e oferecer serviços de qualidade a toda a economia.
- Considerando os valores projetados para este ano, o estoque de capital calculado para 2025, incluindo as taxas de depreciação esperadas e o tamanho da infraestrutura almejado, a Inter.B estima que a taxa de investimento frente ao PIB deveria atingir 5,95% ao ano nos próximos 10 anos, com leve redução para 4,65% nos 10 anos seguintes. Neste caso, a projeção da consultoria coloca o investimento esperado para 2025 na faixa de 2,34% do PIB. Neste caso, seria preciso multiplicar o investimento em 2,54 vezes até 2035. A valores atuais, será necessário fazer o investimento saltar para quase R$ 706,0 bilhões.
- Com avanço dos processos de concessão de obras públicas para o setor privado, principalmente de rodovias, portos e aeroportos, e de privatização de serviços de energia e de saneamento, a participação do investimento privado no total a ser investido saiu de 70,3% em 2022 para 72,3% na projeção para este ano. Proporcionalmente, um dos destaques vai para os investimentos em aeroportos, que tendem a crescer 19,4% (de R$ 3,6 bilhões para R$ 4,3 bilhões).
- Projetos de mobilidade urbana, envolvendo o transporte urbano de passageiros e melhorias nos sistemas viários urbanos, deverão receber R$ 12,1 bilhões, dos quais 79,3% virão dos cofres públicos. Comparados a 2024, os investimentos totais no setor deverão aumentar 14,2%. O investimento em ferrovias deve ser elevado de R$ 17,9 bilhões para R$ 20,0 bilhões (quase todo do setor privado), num avanço de 11,7%. Na área de saneamento, com investimentos estimados em R$ 46,0 bilhões, espera-se elevação de 11,9% (mas com queda de 32,7% no investimento público, para R$ 14,8 bilhões, e salto de 63,4% no investimento privado, projetado em R$ 31,2 bilhões).
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