quarta-feira, 18 de março de 2026

Investimento da Saneago supera R$ 1,0 bilhão e avança 38% no ano

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 18 de março de 2026

Às vésperas de um triplo (e polêmico) leilão para concessão da exploração dos serviços de água e esgoto em 216 municípios goianos, previsto para o dia 25 próximo, a Saneamento de Goiás S/A continua navegando em águas tranquilas, com expressiva aceleração dos investimentos, especialmente no ano passado. A se considerar os dados de seu balanço e os avanços operados nos sistemas de água e esgoto em sua área de concessão, a companhia parece apresentar as condições necessárias para levar adiante o projeto de universalização dos serviços de saneamento.

No ano passado, a concessionária realizou investimentos de quase R$ 1,081 bilhão, frente a R$ 782,275 milhões um ano antes, correspondendo a um aumento de 38,16% em termos nominais. A maior fatia daqueles recursos foi alocada na expansão e melhorias da rede de captação, tratamento e distribuição de água, num investimento de R$ 461,596 milhões, em torno de 42,71% do total, mas apenas 3,27% acima dos R$ 446,962 milhões investidos em 2024.

O sistema de esgotamento sanitário apresentou variação mais expressiva, numa alta de 42,22% entre 2025 e 2024, saindo de R$ 131,709 milhões para R$ 187,318 milhões. Os investimentos enquadrados no grupo “outros”, de toda forma, apresentaram o melhor desempenho, num salto de 388,13% entre um exercício e o seguinte, alavancados de R$ 67,894 milhões para R$ 331,558 milhões. Segundo a empresa, a alta vigorosa deveu-se em grande medida da “assinatura de novos contratos de leasing de veículos para composição da frota da companhia”. Na área de parcerias estratégicas, ao contrário, o investimento sofreu redução de 26,07%, caindo de R$ 135,710 milhões para R$ 100,37 milhões.

Série mais longa

Entre 2019 e 2025, a Saneago investiu perto de R$ 4,040 bilhões, dos quais pouco mais de dois terços (mais precisamente 66,81%), algo em torno de R$ 2,699 bilhões, foram realizados apenas nos três últimos anos, depois de terem ganho impulso maior a partir de 2022, no segundo ano de vigência do novo marco regulatório do setor de saneamento, desenhado para promover a universalização do serviço em todo o País. O incremento anotado na ponta dos investimentos não parece ter afetado a conta de resultados e muito menos a estrutura de endividamento da empresa, que mantém níveis de alavancagem ainda baixos, a despeito de seu crescimento mais recente. Vale dizer, a Saneago conseguiu acelerar investimentos sem colocar em risco seu capital e sua capacidade de geração de caixa e de resultados.

Balanço

A última linha da conta de resultados da empresa apresentou um lucro de R$ 669,769 milhões no ano passado, perto de 7,75% mais elevado do que o ganho líquido de R$ 621,594 milhões realizado em 2024. Em boa medida, o aumento do lucro no ano passado refletiu uma mudança de sinais na conta financeira, que saiu de um déficit de R$ 994,0 mil para um superávit de R$ 63,386 milhões na passagem de 2024 para 2025.

Sem contabilizar o resultado financeiro e os impostos, o resultado bruto da companhia havia anotado variação de apenas 1,49% naquela comparação, saindo de R$ 848,036 milhões para R$ 860,708 milhões.

A virada no resultado financeiro veio de um incremento de 21,68% nas receitas financeiras, que passaram de R$ 166,455 milhões para R$ 202,550 milhões, como resultado do “aumento de rendimentos decorrentes de aplicações financeiras”, e da queda de 16,89% nas despesas financeiras, de R$ 167,449 milhões para R$ 139,164 milhões, graças à troca de dívidas mais caras por outras captações no mercado sob condições mais favoráveis.

Para complementar, a queda de 11,37% na cotação do dólar, depois de um salto de 26,59% em 2024, ajudou a aliviar o custo da dívida contratada ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), vinculada à moeda estadunidense. A variação do câmbio deixou um ganho líquido de R$ 4,691 milhões no ano passado, o que se compara com uma despesa líquida de R$ 11,601 milhões em 2024 na mesma rubrica. Esse flutuação foi responsável por 57,60% da redução nas despesas financeiras totais da companhia no ano passado.

Nos últimos sete anos, a Saneago acumulou lucros próximos de R$ 3,241 bilhões, dos quais R$ 1,875 bilhão – ou 57,86% do total – apenas entre 2023 e 2025. A dívida bruta da companhia de fato cresceu 42,21% em valores nominais, subindo de R$ 945,853 milhões em 2019 para R$ 1,345 bilhão no ano passado. Mas em termos reais, descontada a inflação, a variação foi de apenas 1,03% no entanto. O principal indicador do nível de endividamento, no entanto, encolheu desde lá, saindo de 1,12 para 0,39 em relação ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês). Traduzindo, o resultado ajustado, desconsideradas receitas e despesas sem efeito sobre o caixa, passou a superar a dívida em 61%.

O crescimento dos recursos em caixa e equivalentes de caixa permitiu até mesmo uma redução da dívida líquida de R$ 776,246 milhões em 2019 para R$ 444,744 milhões em 2025, num tombo de 42,71%. No curto prazo, dado o nível acelerado dos investimentos e do lançamento de novas operações de captação de recursos por meio da emissão de debêntures, principalmente, a dívida líquida mais do que dobrou no ano passado, saindo de R$ 217,747 milhões em 2024.

Esse aumento, de toda forma, deveu-se em medida mais ampla à queda de 32,85% nos recursos destinados a aplicações financeiras, que caíram de R$ 568,368 milhões para R$ 381,637 milhões. A dívida bruta experimentou elevação de 14,14% em relação a 2024, quando a posição devedora somava R$ 1,178 bilhão, com o índice de alavancagem girando ao redor de 0,20.

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