domingo, 27 de setembro de 2026

Investimento estrangeiro dispara e déficit externo entra em queda

Lauro Veiga Filhopor em
Investimento
Foto: O Hoje

O cenário desenhado para as contas externas do País apresentou melhora em abril, antecipando o que parece ser uma mudança de tendência em relação ao desempenho observado nos primeiros meses deste ano, segundo as estatísticas apuradas pelo Banco Central (BC). Considerando o mesmo mês do ano passado, abril deste ano veio com alta para o investimento estrangeiro direto e redução no déficit em transações correntes, como resultado das menores remessas de lucros e dividendos para o exterior e queda nas despesas líquidas com juros lá fora. A melhora nos resultados das contas externas no primeiro bimestre deste ano recebeu a contribuição ainda da recuperação na balança comercial de bens (exportações menos importações), depois de ter experimentado forte baixa nos primeiros dois meses deste ano, chegando a anotar déficit de US$ 1,127 bilhão em fevereiro – lembrando, de toda forma, que os números relativos a abril para a balança comercial apresentaram de fato alguma diminuição.

O déficit na conta de transações correntes, que contempla basicamente a diferença entre exportações e importações de bens e de serviços, incluindo despesas com fretes e viagens internacionais, entre outros serviços, remessas de lucros e dividendos e pagamento de juros no exterior, registrou
baixa de 21,78% em abril deste ano, em relação ao mesmo mês do ano passado, caindo de US$ 1,723 bilhão para US$ 1,347 bilhão. Nos primeiros
quatro meses deste ano, o saldo negativo naquela conta ainda apresenta alta vigorosa, com salto de 51,74% na comparação com o mesmo quadrimestre
de 2024. O déficit avançou de US$ 14,120 bilhões para US$ 21,426 bilhões (um acréscimo equivalente a US$ 7,306 bilhões).

A retração de 38,13% na balança comercial de bens, com o saldo encolhendo de US$ 24,1 bilhões nos quatro meses iniciais do ano passado para US$ 14,911 bilhões (ou seja, em torno de US$ 9,189 bilhões a menos), explica aquela piora. Mas os dados mais recentes indicam melhoras e mostram que o tombo esteve relacionado, até o momento, aos números ruins do primeiro bimestre. Entre janeiro e fevereiro, a balança de bens teve seu superávit reduzido pata apenas US$ 225,943 milhões, frente a um saldo muito mais robusto no primeiro bimestre do ano passado, algo em torno de US$ 9,950 bilhões. A perda chegou a US$ 9,726 bilhões no período, o que foi determinante para o aumento de 109,8% registrado pelo déficit em transações correntes, que saltou de US$ 8,310 bilhões nos primeiros dois meses de 2024 para US$ 17,434 bilhões neste ano (mais US$ 9,124 bilhões).

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Virada

No bimestre seguinte, o saldo comercial, considerando apenas a diferença entre exportações e importações de bens e mercadorias, anotou recuperação, variando 3,8% em relação aos valores acumulados em março e abril do ano passado. O resultado saiu de US$ 14,150 bilhões para US$ 14,687 bilhões, num ganho pouco superior a US$ 537,0 milhões. O déficit em transações correntes sofreu baixa muito mais expressiva, caindo de US$ 5,810 bilhões para US$ 3,992 bilhões, numa retração de 31,29%. A reação observada para a balança comercial certamente ajudou, mas houve redução também na conta de serviços e nas remessas de lucros e juros.

Balanço

  • A esta altura, deve-se observar que o incremento no saldo comercial ainda ficou limitado a março, já que o superávit recuou de US$ 7,798 bilhões no ano passado para US$ 7,447 bilhões entre abril de 2024 e igual mês deste ano, numa redução de 4,51%. Registrou-se virtual estabilidade para as exportações, com vendas de US$ 30,629 bilhões, e modesta elevação para as importações, numa variação de 1,48% (para US$ 23,183 bilhões).
  • Os impactos mais evidentes sobre os dados da conta de transações correntes, de toda forma, vieram do recuo de 2,28% no déficit na conta de serviços, que baixou de US$ 4,301 bilhões para US$ 4,203 bilhões, e ainda da queda de 9,92% no déficit na conta da renda primária (que inclui remessas de lucros, dividendos e juros), encolhendo de US$ 5,543 bilhões para US$ 4,993 bilhões.
  • Aquelas duas contas trouxeram um alívio de US$ 648,116 milhões para o saldo das transações correntes em abril, mais do que compensando a perda de US$ 351,531 milhões anotada na balança comercial (por conta o déficit relativamente maior nesta área).
  • O pagamento de juros foi reduzido em 9,35%, de US$ 1,839 bilhão para US$ 1,667 bilhão, com baixa ainda de 10,26% nas remessas de lucros e dividendos, que saíram de US$ 3,732 bilhões para US$ 3,349 bilhões.
  • O investimento estrangeiro direto no País apresentou corte recuperação em abril, na comparação com idêntico mês do ano passado, subindo de US$ 3,866 bilhões para US$ 5,491 bilhões, o que correspondeu a um salto de 42,03%. Em abril do ano passado, o investimento internacional correspondia a 2,24 vezes o valor do déficit em transações correntes, relação que atingiu 4,08 vezes no mesmo mês deste ano.
  • O avanço ficou concentrado integralmente nos investimentos em participação no capital, correspondentes a aportes para expansão dos recursos disponíveis aos acionistas para a realização de novos projetos, ampliação de fábricas, compras de máquinas e equipamentos, entre outros. Assim, essa categoria de investimento experimentou salto de 70,59% em abril, atingindo US$ 6,595 bilhões (frente a US$ 3,885 bilhões no mesmo mês de 2024).
  • O saldo final dos investimentos, como fica evidente, foi relativamente mais baixo por conta da saída de US$ 1,104 bilhão nas operações realizadas entre companhias de um mesmo grupo. Neste caso, as amortizações pagas lá fora foram maiores do que os créditos enviados pelas matrizes a suas filiais e subsidiárias no Brasil.
  • Nos quatro primeiros meses deste ano, de qualquer maneira, persistia uma redução de 4,32%, com o investimento estrangeiro encolhendo de US$ 28,515 bilhões para US$ 27,282 bilhões, numa perda de US$ 1,232 bilhão. O investimento em participação no capital chegou a avançar ligeiramente, flutuando de US$ 20,446 bilhões para US$ 20,785 bilhões, variando 1,66% (mais US$ 339,651 milhões). As operações entre companhias, no entanto, caiu 19,48%, de US$ 8,069 bilhões para US$ 6,497 bilhões (num decréscimo de US$ 1,572 bilhão).

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