Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Coluna

Investimento externo volta a cair e acumula baixa de 16,5% em 3 meses

Publicado por: Sheyla Sousa | Postado em: 21 de dezembro de 2019

Na
metodologia adotada desde 2015 pelo Banco Central (BC),
os investimentos estrangeiros diretos no País sofreram tombo de 23,1% na
comparação entre novembro do ano passado e igual período deste ano, encolhendo
de US$ 9,080 bilhões para US$ 6,985 bilhões. A queda atingiu tanto investimentos
em participação no capital (incluindo emissões e compra de ações entre
empresas) quanto as operações entre companhias de um mesmo grupo, com perdas
mais severas nesta última área. No primeiro caso, o investimento registrou
baixa de 10,7%, saindo de US$ 6,120 bilhões para US$ 5,464 bilhões. No segundo
grupo, os números despencaram 48,6% entre aqueles dois meses, com as operações
intercompanhiascaindo de US$ 2,960 bilhões para US$ 1,521 bilhões.

A
tendência de perdas nesta área intensificou-se desde setembro deste ano,
refletindo uma aparente piora no ambiente econômico em função das incertezas
então maiores em relação ao comportamento da economia brasileira, das
expectativas de uma desaceleração mais brusca da atividade econômica global,
embalada pela crise na Argentina, pela guerra comercial entre Estados Unidos e
China, pelas dúvidas (ainda não sanadas totalmente) em relação à saída do Reino
Unido da União Europeia e também pelo desaquecimento na Alemanha, Itália, Japão
e outras economias centrais.

Nos
três meses encerrados em novembro deste ano, segundo as séries estatísticas do
BC, o investimento direto no País somou US$ 20,753 bilhões, o que significou
uma retração de 16,46% em relação aos US$ 24,841 bilhões investidos entre
setembro e novembro do ano passado (numa perda de US$ 4,088 bilhões). No mesmo
intervalo, a diferença entre a entrada e a saída de dólares no País, que já
havia sido negativa no ano passado, com a perda de US$ 12,417 bilhões,
considerando as operações nos mercados comercial e financeiro, tornou-se ainda
maior, com perdas agora de US$ 20,630 bilhões – num salto de 66,14%.

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Folga mais curta

No
acumulado entre janeiro e novembro, o investimento recuou de forma mais
modesta, por conta de um desempenho mais positivo nos primeiros meses deste
ano. Na comparação entre 2018 e 2019, houve baixa de 1,08%, para US$ 69,111
bilhões (um número ainda relevante), diante de US$ 69,869 bilhões nos mesmos 11
meses do ano passado. Ainda assim, a aceleração no ritmo de queda nos meses
mais recentes afetou de forma negativa o dado acumulado em 12 meses. Até maio
deste ano, o investimento externo havia atingido US$ 84,491 bilhões,
equivalente a 4,53% do Produto Interno Bruto (PIB), mas baixou para US$ 77,405
bilhões (4,21% do PIB) no período de 12 meses encerrado em novembro, em baixa
de 8,39%. Mesmo em baixa, o investimento foi 51,3% mais elevado do que o déficit
acumulado pelo País nas relações com o restante do mundo. O rombo em transações
correntes chegou a US$ 51,163 bilhões nos 12 meses até novembro, crescendo
34,2% frente a novembro de 2018, quando o déficit (igualmente medido em 12
meses) havia sido de US$ 38,121 bilhões. Àquela altura, o investimento
estrangeiro havia sido 88,6% maior. Em maio deste ano, seguindo sempre a mesma
métrica, o total investido aqui dentro por empresas estrangeiras chegou a
superar o rombo externo em 98,9%. A folga vem, portanto, encurtando, embora
persista um espaço relevante para financiamento do déficit a partir dos dólares
aplicados aqui dentro como investimento.

Balanço

·  
Ao
longo dos 11 meses iniciais deste ano, a conta de transações correntes (que
resume todas as transações realizadas pelo País no exterior, excluídas
operações financeiras, onde entram os investimentos externos) acumulou saldo
negativo de US$ 45,047 bilhões. Isso significou um aumento de 27,17% frente ao
déficit de US$ 35,424 bilhões realizado no mesmo intervalo do ano passado.

·  
O
crescimento do rombo tem sido sustentado, conforme já destacado neste espaço,
pela queda no saldo entre exportações e importações de bens e mercadorias. A
diferença entre vendas e compras externas, que havia sido de US$ 47,070 bilhões
entre janeiro e novembro do ano passado, encolheu para US$ 34,648 bilhões no
mesmo período deste ano, numa queda de 26,39%.

·  
Pelo
lado positivo, a conta dos serviços (que inclui despesas com fretes, viagens
internacionais, pagamento de seguros, royalties pelo uso de tecnologias
importadas, serviços financeiros e outros) teve seu déficit reduzido levemente
de US$ 32,287 bilhões para US$ 31,585 bilhões (num recuo de 2,18%). A despesa
ficou US$ 702,491 milhões mais baixa, portanto.

·  
Da
mesma forma, o déficit gerado pelas remessas de lucros e dividendos e pelo
pagamento de juros lá fora anotou ligeira baixa de 1,62%, saindo de US$ 50,099
bilhões para US$ 49,290 bilhões, correspondendo a US$ 809,580 milhões a menos.
Assim, somadas as duas contas, o País deixou de desembolsar no exterior algo
como US$ 1,512 bilhão. Não chega a ser um alívio tão relevante quando se
considera que o País deixou de receber US$ 12,422 bilhões por conta da redução
no superávit comercial (exportações menos importações de bens).

·  
A
fuga de investimentos em carteira (ou seja, em ações e títulos públicos e
privados, emitidos pelo governo e por empresas no Brasil) mais do que triplicou
no acumulado entre janeiro e novembro, saltando de US$ 2,031 bilhões em 2018
para US$ 6,575 bilhões neste ano (precisamente, um salto de 223,7%).

·  
As
reservas internacionais continuam sendo a grande linha de defesa do País contra
turbulências externas, somando US$ 366,376 bilhões em novembro deste ano. O BC
usou US$ 21,716 bilhões das reservas para enfrentar a alta do dólar no segundo
semestre, causando uma redução de 5,6% no estoque de dólares em poder do País
(que havia alcançado US$ 388,092 bilhões em junho último).