Involuntariamente, Erika Hilton vira ‘cabo eleitoral’ de Flávio Bolsonaro
Mulheres nos mais variados segmentos da sociedade organizada e até mesmo profissionais liberais levantam a voz contra a indicação da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão da Defesa dos Direitos das Mulheres. O fuzuê todo é devido a ser um ano eleitoral e a disputa presidencial estar centrada na polarização direita e esquerda. Érika é uma mulher trans que, sob o ponto de vista parlamentar, não difere de nenhuma outra mulher no Congresso. O problema é que Erika é radicalmente defensora de pautas identitárias. Por isso, ganhou tração nas discussões da sociedade se uma trans, biologicamente masculina, pode representar as mulheres.
Não se julga o mérito da competência de Erika, mas o fato é que ela representa uma minoria em relação à população feminina do País, que, dos 210 milhões de habitantes, 52% são do sexo feminino. Para se ter uma ideia, estima-se que existam 3 milhões de brasileiros que se identificam como transgêneros e não binários ou 2% da população adulta. Então, sobram aproximadamente 105 milhões de mulheres. É esse contingente que a maioria bate bumbo contra a indicação de Erika Hilton para representá-las. Diante desse quadro, é óbvio que o debate resvala para a política e desperta paixões partidárias, principalmente se considerar que mais de 60% dos brasileiros se consideram de direita e conservadores.
Se perdurar esse debate, o maior beneficiário dessa discussão e impasse será o senador e pré-candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Isto porque Erika, involuntariamente, se tornou uma grande ‘cabo eleitoral’ da direita. Essa é a percepção de cientistas políticos, que veem que os conservadores se uniram em torno de seu nome. Nessa contabilidade de erros da esquerda, o maior prejudicado é o presidente Lula, que se vê no meio de uma polêmica originada por um aliado e não o PT. No entanto, ele não terá como fazer a defesa de Erika e muitos menos ir contra a maioria das mulheres. Assim, Flávio Bolsonaro avança nos votos conservadores e neutraliza as ações do PT sem fazer força.
Ibaneis Rocha resiste às pancadas
Ao contrário do que muita gente batia bumbo ao dizer que o “governador do DF já era” devido ao escândalo do Banco Master, ele respira politicamente e diz que vai disputar uma vaga ao Senado, nem que seja avulsa. É o que disse à coluna um aliado do governador. Pelo menos, até agora, a bola do caso Master tem rolado mais no campo adversário do que no dele. Até a CPI proposta pelo deputado federal,Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) morreu sem ter nascido.
Mendanha bem…
A pré-candidatura de Gustavo Mendanha (PSD) a vice-governador de Daniel Vilela (MDB) ganhou um reforço importante. O prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela (MDB), passou a defender publicamente seu nome. Além de comandar o segundo maior colégio eleitoral do Estado, Leandro é primo de Daniel.
… mas tem outro
Entretanto, Gustavo Mendanha (PSD) ainda tem um longo caminho para ser escolhido vice de Daniel Vilela (MDB). Ele não integra o núcleo mais íntimo do governador Ronaldo Caiado (PSD), que terá a palavra final sobre a escolha. Além disso, não se deve ignorar o presidente da Faeg, José Mário Schreiner.
Perdas e danos
Como previsto, o PCdoB acabou politicamente engolido pelo PT após a federação. A aliança nacional, que deve ser renovada, já cobra seu preço em Goiás: Isaura Lemos e Tatiana Lemos, duas das principais lideranças no Estado, preparam a saída da legenda.
Quero não!
O PDT tentou manter Dra. Cristina como filiada, oferecendo a possibilidade de assumir temporariamente uma cadeira na Câmara Federal no lugar de Flávia Morais (PDT). O acordo, porém, não prosperou.
Cutucando onça – Em evento público, o presidente Lula dizer que vai “proibir de vir ao Brasil [Darren Beattie] enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde [Alexandre Padilha], que está bloqueado”, não foi nada diplomático. Cutucou onça com vara curta. A conferir.