quarta-feira, 12 de agosto de 2026

IPCA aponta variação de 0,07% em julho, a menor em 11 meses

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em

A inflação de julho atingiu seu nível mais baixo desde agosto do ano passado, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) havia apresentado recuo de 0,11%. Entre outras, uma das diferenças foi que a taxa acumulada em 12 meses então havia alcançado 5,13% e ainda subiria para 5,32% ao final da primeira quinzena de setembro, pressionada principalmente pelo aumento das tarifas de energia elétrica, que havia disparado 12,17% nas quatro semanas terminadas em 15 de setembro, saltando ainda 13,18% em 12 meses.

O dado de julho deste ano mostra variação de 0,07% para o IPCA, conforme divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), muito próximo da taxa aferida até a primeira metade de julho, quando o IPCA-15 havia registrado variação de 0,06%. Desde meados de maio, o índice foi reduzido em 0,55 pontos percentuais, o que derrubou o índice acumulado em 12 meses de 4,64% até ali para 4,44% na medição mais recente, inferior ao teto da meta inflacionária definida para este ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

O bom comportamento dos preços não chegou a sensibilizar os membros do comitê, formado pela alta direção do BC, sob a alegação de persistentes incertezas relacionadas aos conflitos geopolíticos em cena, incluindo a ofensiva do governo dos Estados Unidos na área comercial contra seus principais parceiros e todo o restante do globo e a guerra movida pelo mesmo governo, em associação com Israel, contra o Irã.

A preocupação do BC ganha cores de razoabilidade quando confrontada com o cenário internacional. O que não parece razoável, no entanto, é a sua insistência em impor à economia brasileira juros excessivamente escorchantes, para usar um pleonasmo aparente. A taxa básica de juros recuou de 15,0% até meados de março para 14,0% desde 6 de agosto, quinta-feira da semana passada. A decisão manteve os juros reais entre 8,5% e 9,0% ao ano, depois de descontada a inflação esperada para os próximos 12 meses, mantendo os custos de crédito nas nuvens num momento em que famílias e empresas enfrentam um ciclo crescente de inadimplência.

 

Mais baratos

Os preços dos alimentos entraram em julho no segundo mês de queda, registrando baixas de 0,24% em junho e de 0,67% em julho, resultado que praticamente repete a redução média de 0,66% anotada pelo IBGE entre a quinzena final de junho e as duas primeiras semanas do mês passado. Nos 30 dias de julho, a deflação dos alimentos pode ser explicada principalmente pela queda de 16,15% nos preços de tubérculos e legumes, influenciada por tombos de 33,42% para o pepino, de 19,59% para a batata-inglesa, de 29,09% no caso do tomate e de 14,41% para a cenoura. Os preços das carnes mantiveram-se virtualmente estabilizados em julho, com recuo de 0,03%, enquanto o café moído anotou redução de 2,45%. Num contraponto, os preços do leite longa vida, que vinham recuando desde as duas semanas finais de junho, apresentaram elevação de 2,47%.

 

Balanço

O acompanhamento realizado pelo IBGE mostra que o barateamento relativo dos custos dos alimentos foi observado especificamente nos produtos destinados ao consumo em casa, já que a alimentação fora do domicílio manteve-se em alta, variando 0,55% nas quatro semanas de julho – mesma taxa registrada nos 30 dias finalizados em 14 de julho. O custo, neste caso, foi puxado pelas altas de 0,42% nos preços das refeições fora e de 0,76% no custo médio do lanche.

A despeito de toda a turbulência nos mercados de petróleo e de seus derivados ao redor do mundo, os preços dos combustíveis continuaram baixando no Brasil, parcialmente influenciados pela ajuda criada pelo governo para amortizar o impacto das altas de custos nesta área, mas também com a contribuição positiva do etanol, sob o ponto de vista do consumidor.

Na média geral, os preços na bomba vêm caindo desde a segunda metade de maio, quando registrou-se baixa de 1,47% no acumulado em quatro semanas, passando a cair 1,95% no fechamento daquele mês (ou seja, nos 30 dias de maio). A redução pareceu perder fôlego nas semanas seguintes, já que as pesquisas do IBGE chegaram a anotar um recuo de 0,48% em junho. Ao longo de julho, no entanto, houve uma “aceleração” na queda, trazendo os preços nesta área para uma redução de 1,44% no encerramento do mês.

Os preços médios da gasolina, que chegaram a apresentar redução de 0,68% nas quatro semanas finalizadas em 14 de julho, intensificaram o ritmo de baixa nas duas semanas finais do mês passado, passando a cair 1,37%. No caso do etanol, que havia registrado baixa de 2,50% até o final da primeira quinzena de julho, terminou o mês com redução de 2,26%. Os preços do diesel, que haviam baixado 1,32% até o final da primeira quinzena, terminou julho em queda de 1,22%.

Entre outros derivados, o gás de botijão igualmente acelerou a baixa iniciada na primeira metade de junho (-0,48%) e chegou ao final de julho em torno de 1,13% mais barato, na média. A contribuição positiva do botijão não foi suficiente para compensar a alta das tarifas de energia elétrica residencial, ainda dentro do grupo habitação, que fechou julho em alta de 0,99%. A energia havia subido 1,53% em junho, acelerando a alta para 3,03% ao final da primeira quinzena de julho e encerrando o mês com variação de 3,09%.

Conforme o IBGE, o custo da energia exerceu “o principal impacto individual” sobre a taxa mensal do IPCA, com contribuição de 0,129 pontos percentuais. Numa conta simples, excluída a energia, os demais preços apresentaram recuo de 0,06% (graças à tendência de barateamento da alimentação).

Ainda segundo o IBGE, o aumento da energia reflete “os seguintes reajustes tarifários: 8,85% em uma das concessionárias em São Paulo (7,55%), a partir de 4 de julho; 14,89% em uma das concessionárias em Porto Alegre (0,32%), a partir de 19 de junho; e 19,55% em Curitiba, vigente desde 24 de junho”. O instituto registra ainda que, em julho, permanecia “vigente a bandeira tarifária amarela, com acréscimo na conta de luz de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos”.

Num exercício destinado a aferir o comportamento dos preços no restante da economia, quando excluídos os preços dos alimentos, da energia elétrica, das passagens aéreas (que saltaram 11,67%) e dos combustíveis, os demais custos apresentaram variação de 0,09% (o que se compara com 0,13% em junho e 0,04% até a primeira quinzena de julho). A taxa acumulada em 12 meses, descontados aqueles mesmos itens, caiu de 3,15% até julho do ano passado para 2,75% neste ano.

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