IPCA recua para 0,16% em junho (antes da retomada da guerra no Irã)
A inflação confirmou, em junho, a tendência de desaceleração observada desde a segunda quinzena de abril e encerrou o mês em 0,16%, a menor taxa mensal desde outubro do ano passado. Também foi a menor variação para um mês de junho desde 2023, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou recuo de 0,08% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O índice chegou a registrar alta de 0,89% nas quatro semanas encerradas na primeira quinzena de abril, mas fechou junho com redução de 0,73 ponto percentual, consolidando um movimento de queda ao longo de dez semanas.
Daqui para frente, porém, o cenário pode mudar. O agravamento das tensões internacionais, provocado pela retomada dos ataques ao Irã e pelos impactos sobre a navegação no Estreito de Ormuz, pode pressionar novamente os preços, dependendo da evolução do conflito e das decisões políticas envolvendo Israel e Estados Unidos.
Até o momento, apesar da volatilidade inicial dos mercados, a possibilidade de retomada do diálogo entre Washington e Teerã trouxe algum alívio aos investidores. Na sexta-feira (10), por exemplo, o barril do petróleo Brent recuou 2,61%, passando de US$ 78,02 para US$ 75,98, praticamente retornando ao patamar registrado antes da escalada das tensões.
Voltando ao cenário brasileiro, o IPCA de junho ficou abaixo das projeções do mercado financeiro, que esperava uma inflação próxima de 0,30%. O principal fator para esse resultado foi a queda de 0,24% nos preços dos alimentos e bebidas, impulsionada pelo recuo nos preços das carnes, leite longa vida, óleo de soja e café moído.
Essa redução deverá continuar influenciando os índices das próximas semanas, considerando a intensidade da desaceleração registrada no setor. Para efeito de comparação, entre a segunda quinzena de maio e a primeira de junho, os custos da alimentação ainda haviam subido 0,74%.
Queda dos alimentos
A desaceleração foi ainda mais evidente nos alimentos consumidos dentro de casa. Depois de registrar alta de 1,65% em maio e avanço de 0,87% até meados de junho, os preços passaram a apresentar queda mais intensa no fim do mês.
Esse comportamento ocorre porque o IPCA utiliza a média dos preços ao longo do mês. Assim, quando um produto sofre uma queda brusca, apenas parte desse recuo aparece imediatamente no índice, enquanto o restante continua influenciando a inflação do mês seguinte.
Um exemplo ajuda a entender. Se um quilo de banana cair de R$ 10 para R$ 8, a redução na média mensal não será de 20%, mas de aproximadamente 10%, já que parte do mês ainda registrou o preço anterior. Caso o valor suba depois para R$ 8,50, ainda assim a média continuará inferior à do período anterior.
Alimentação fora de casa também desacelerou
A pesquisa do IBGE mostrou ainda desaceleração nos preços das refeições feitas fora do domicílio. A inflação desse grupo caiu de 0,70% em abril para 0,15% em junho, mantendo alta, mas em ritmo bem menor.
Combustíveis e energia
Os combustíveis também apresentaram queda, recuando 0,48% em junho. Apesar disso, a redução foi menos intensa do que a observada em maio, quando o grupo havia registrado baixa de 1,95%.
Já a energia elétrica continuou pressionando a inflação, mas em menor intensidade. Após subir 3,67% em maio, as tarifas avançaram 1,53% em junho, mesmo com reajustes estaduais e a vigência da bandeira tarifária amarela.
Passagens aéreas continuam em alta
Entre os itens com maior pressão sobre o índice, as passagens aéreas registraram alta de 7,12% no mês, praticamente repetindo a variação observada na primeira quinzena de junho.
Desconsiderando alimentos, energia elétrica, combustíveis e passagens aéreas, a inflação do restante da economia continuou em trajetória de desaceleração. O índice passou de 0,35% em abril para 0,25% em maio e encerrou junho em 0,13%.
Indústria goiana perde ritmo, mas segue em crescimento
Também na sexta-feira, o IBGE divulgou os dados da produção industrial. Em Goiás, o ritmo de crescimento desacelerou, mas permaneceu positivo.
Na série com ajuste sazonal, a indústria goiana cresceu 4,0% em março, 1,6% em abril e 0,7% em maio. Mesmo com a desaceleração, o setor acumula expansão de quase 6,5% entre janeiro e maio.
Na comparação com maio de 2025, a produção industrial avançou 3,9%. As quedas na fabricação de alimentos (-6,9%), bebidas (-12,9%) e confecções (-14,0%) foram compensadas pelo crescimento de 28,5% na produção de etanol e biodiesel e pelo salto de 131,2% na fabricação de veículos automotores.
Sem esses dois segmentos, o restante da indústria goiana apresentou retração de 4,0% em relação ao mesmo mês do ano passado e queda acumulada de 2,9% nos cinco primeiros meses de 2026.
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