IPCA surpreende IPCA surpreende mercados e recua para 0,06%. E os juros?mercados e recua para 0,06%. E os juros?
A queda nos preços da alimentação compensou o aumento nas tarifas de energia elétrica na medição realizada entre os dias 17 de junho e 15 de julho deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reduzindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) para 0,06%. Para comparação, o índice inflacionário havia alcançado 0,89% entre as duas semanas finais de março e a primeira quinzena de abril e veio recuando desde então, para 0,58% nas quatro semanas de maio e para 0,41% na marca registrada pelo IPCA-15 do mês seguinte, ou seja, entre 15 de maio e 14 de junho. O índice baixou ainda para 0,16% nos 30 dias do mês passado, em forte desaceleração e já com a contribuição da tendência de barateamento dos custos da alimentação em domicílio.
A taxa aferida nas quatro semanas finalizadas em 15 de julho último veio bem abaixo das apostas dos mercados, que vinham antecipando um IPCA-15 entre 0,17% e 0,28% para julho, conforme acompanhamento do Valor Data. A mediana das previsões havia se situado ao redor de 0,21% ou praticamente 0,15 pontos acima da inflação efetivamente observada, nada menos do que três vezes e meia mais alta do que os dados reais apontaram. A inflação acumulada em 12 meses voltou a ficar muito próxima do teto da meta inflacionária, alcançando 4,52%.
Medidas alternativas têm indicado a prevalência daquela tendência baixista para os preços em geral. A exclusão dos itens alimentação e bebidas, energia elétrica, combustíveis e passagens aéreas do cálculo do IPCA-15, num exemplo, permite averiguar como os demais preços têm se comportado na economia. Nessa estimativa, a “inflação” daqueles demais preços saiu de 0,35% em abril para 0,13% em junho, recuando um pouco mais até uma flutuação de 0,04% ao final da segunda semana de julho. Na mesma linha, excluídas as seis maiores altas e os seis itens que mais caíram, a inflação restante ficou negativa em 0,03% – o que mais uma vez reforça as análises que vêm apontando o bom comportamento dos preços como razão suficiente para justificar uma política mais agressiva de corte da taxa básica de juros.
Surtos e sustos
Daqui para frente, excluída a possibilidade de novos surtos da liderança estadunidense, não está descartada a possibilidade de que a tendência para os índices inflacionários mantenha apontando para baixo ou para variações moderadas. Os impactos de um El Niño muito mais severo, como têm antecipado as previsões climáticas, tendem a ser observados mais concretamente a partir de outubro, podendo afetar a oferta de alimentos ao longo do próximo ano, com reflexos sobre os preços ainda não estimados (até porque dependem da intensidade e da duração do fenômeno climático).
Balanço
No mercado do petróleo, os preços haviam apresentado alguma acomodação nos últimos dias, com o setor aparentemente já “precificando”, como dizem consultores e analistas do mercado, rumos e consequências da guerra contra o Irã. Até o meio da tarde, os preços do barril do petróleo tipo Brent e West Texas Intermediate (WTI), para contratos com vencimento respectivamente em outubro e setembro, vinham indicando baixas de 6,7% e de 3,8% em relação aos níveis alcançados em 17 de julho.
A ser mantido, esse comportamento mais recente poderia adiar eventuais correções nos preços dos derivados do petróleo aqui dentro, evitando ou adiando o surgimento de novos focos de pressão inflacionária neste momento, pelo menos. Diante das reações imponderáveis da suprema autoridade dos Estados Unidos, esta pode ser apenas uma calmaria enganosa.
Os preços dos alimentos e das bebidas, tomados em conjunto, deixaram para trás uma alta de 1,38% registrada nas quatro semanas terminadas na primeira quinzena de maio e ampliaram o desempenho baixista entre o final de junho e as primeiras duas semanas de julho, caindo 0,66% – lembrando que aqueles preços chegaram a apresentar recuo de 0,24% nas quatro semanas de junho. Na série do IBGE para o IPCA-15, aquele foi o recuo mais pronunciado desde a queda de 0,80% registrado em agosto de 2024 (na verdade, na medição ocorrida entre 16 de julho e 15 de agosto daquele ano).
A principal influência negativa veio dos custos da alimentação dentro de casa, que baixaram 1,14% no IPCA-15 de julho, igualmente a maior redução desde a baixa de 1,30% anotada em agosto de 2024. Até a primeira quinzena de maio, aqueles custos ainda apresentavam elevação de 1,73%. Nos 30 dias de junho, o time de pesquisadores do IBGE havia anotado uma redução bem mais modesta, mais próxima de 0,39%.
Considerando apenas o indicador de julho, a queda de 9,51% nos preços de tubérculos, raízes e legumes respondeu por dois terços da redução nos custos totais da alimentação, com quedas de 19,95% nos preços do tomate, de 10,03% para a batata inglesa e de 4,99% para a cenoura.
Em contrapartida, ficou mais caro comer fora de casa, com os custos subindo 0,55% até 15 de julho frente a uma variação de 0,15% em junho. A variação dos preços da refeição passou de 0,15% para 0,66% em igual intervalo, enquanto o custo do lanche subiu 0,30% (depois de variação de apenas 0,13% em junho).
A tarifa da energia elétrica nas residências subiu 3,03%, num avanço mais acentuado do que a variação de 1,53% alcançada em junho, num incremento compensado integralmente pelo barateamento da alimentação.
De acordo com o IBGE, a alta da energia refletiu “além da vigência da bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 quilowatts/h consumidos, (…) a incorporação dos seguintes reajustes tarifário: 19,55% em Curitiba (12,85%), com vigência desde 24 de junho; 14,89% em uma das concessionárias em Porto Alegre (5,05%) desde 19 de junho; 8,85% em uma das concessionárias em São Paulo (2,65%) vigente desde 04 de julho e 5,21% em Belo Horizonte (1,37%), a partir de 28 de maio”.
Além dos alimentos, os combustíveis experimentaram baixa de 0,90% com as quedas de 0,68% nos preços da gasolina, de 2,50% para o etanol e de 1,32% nos preços do diesel. Essa redução foi literalmente anulada pelo salto de 11,70% nos custos das passagens aéreas.
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