Jornada de 36h terá um caminho longo para convencer empresários
A nefasta polarização entre direita e esquerda, com bolsonaristas de um lado e lulopetistas e associados de esquerda do outro, não permite o País avançar na tão sonhada justiça social. No final, quem paga a conta é a população brasileira. A elite do andar de cima dos Poderes não vive a realidade do País, isto porque o combo de privilégios e penduricalhos às custas do contribuinte nunca cessa. Portanto, ao aparecer um projeto vindo lá do topo da pirâmide em que se encontram os mandarins da República, os pagadores de impostos e empresários geradores de empregos desconfiam que não é boa coisa.
O exemplo recente é o projeto que reduz a jornada de trabalho de 44h para 36h trabalhadas semanalmente, aprovado nesta quarta-feira (27) pela Câmara Federal. É polêmica a perder de vista, sem contar a lacração entre os antipetistas e os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O projeto deve ser aprovado no Senado sem muitas delongas, afinal, é ano eleitoral e nenhum parlamentar pensa no País, mas na eleição em outubro. Entretanto, o setor produtivo, pressionado por impostos e juros altos, tende a reagir de formas diferentes diante do aumento das despesas.
A primeira opção é repassar os preços para bens e serviços, reduzindo o poder de compra do trabalhador. A segunda é substituir funcionários mais antigos e salários mais elevados por mão de obra mais jovem e barata. A terceira possibilidade é ampliar a contratação de PJs, o que não garante FGTS, férias remuneradas, seguro-desemprego e 13º salário para o trabalhador. A quarta é acelerar o processo de automação, diminuindo vagas e, consequentemente, ampliando o desemprego. Mesmo assim, o governo Lula aposta que a proposta pode produzir dividendos políticos em 2026. No Planalto, a avaliação é de que a redução da jornada ajuda a associar o presidente na melhora da qualidade de vida do trabalhador, reforçando a imagem de um governo preocupado com lazer, descanso e convívio familiar.
Kataguira: “Sem efeitos práticos”
Na oposição, porém, prevalece o ceticismo. O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), um dos principais críticos da PEC, entrevistado nesta quinta-feira (28) no programa Momento Político, do Grupo O HOJE, avalia que a principal beneficiada politicamente foi a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora da proposta. Para Kim, haverá um primeiro momento de entusiasmo popular, seguido pela percepção de que “os efeitos práticos da mudança serão menores do que os prometidos”. Lula e a Câmara teriam vendido “um terreno na Lua” ao trabalhador brasileiro.
Não é bem assim
Os números ajudam a explicar a tese da oposição. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Ministério do Trabalho, o Brasil possui cerca de 158 milhões de eleitores. Desse total, 39,4 milhões possuem carteira assinada. E apenas 14,8 milhões estão na escala 6×1.
Bolsonaro 2
“Quem defende os valores do povo nunca desembarca sozinho”, frase do senador Wilder Morais (PL) sobre o vídeo do desembarque de Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL a presidente da República. “A multidão que veio recepcioná-lo no Aeroporto JK, em Brasília, vindo dos EUA, onde esteve com o presidente Donald Trump, mostra que Flávio é o líder da direita e centro-direita que representa o carisma de seu pai, Jair Bolsonaro, e conta com a estima da maioria dos brasileiros”, disse Wilder à coluna Xadrez.
Hildo distante
O apoio de Hildo do Candango (Republicanos) ao deputado federal Daniel Agrobom (PSD) movimentou a política de Águas Lindas. A articulação já é vista como sinal de afastamento de Hildo da base do prefeito Dr. Lucas (União Brasil) e até do próprio Republicanos.
Aécio no ataque
Aécio Neves (PSDB) vestiu a roupa de pré-candidato a presidente. Em entrevista recente, partiu para cima de Lula (PT) e afirmou que Joesley Batista seria “filho” do presidente. A crítica mira a relação da JBS com os governos petistas, período em que a empresa recebeu cerca de R$ 8 bilhões do BNDES, dentro da política das chamadas “campeãs nacionais”.
Gilmar para tudo – O ministro Gilmar Mendes, do STF, pediu vista do processo que altera a Lei da Ficha Limpa, nesta quinta-feira (28). Desse modo, José Roberto Arruda (PSD) terá pelo menos 90 dias de expectativa se será candidato ou não a governador do DF.