segunda-feira, 6 de julho de 2026

Kassab abraça Caiado para salvar base do PSD em 2028

Wilson Silvestrepor Wilson Silvestre em 6 de julho de 2026
Kassab abraça Caiado para salvar base do PSD em 2028
Ilustração: Takeshi Gondo

Ao se comprometer como vice de Ronaldo Caiado (PSD), Gilberto Kassab (PSD) busca evitar que o PSD amargue um vexame histórico em sua primeira eleição presidencial. E não cabe aqui falar em expectativa de vitória. Nos bastidores do poder, todo mundo sabe que a meta de Gilberto Kassab é alcançar ao menos 10% dos votos, patamar mínimo para preservar o poder de barganha junto a Lula (PT) ou a Flávio Bolsonaro (PL).

Até aqui, a estrutura do PSD para Caiado se limitava às redes sociais e a um escritório em São Paulo. A partir de agora, com Kassab de vice, Caiado espera ao menos ser recebido por pessedistas pelo país, algo que, até a semana passada, não ocorria, como foi o caso da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), que ignorou a visita do ex-governador ao seu Estado, receosa de associar seu nome a uma pré-candidatura vista como natimorta.

A entrada de Kassab na chapa funciona, portanto, mais como um sinal de disciplina partidária. Se o presidente do partido embarcou, ninguém mais tem desculpa para fechar a porta. Outra questão que deve preocupar Kassab vai além dos modestos índices de Caiado nas pesquisas: a eleição para prefeito em 2028. O fracasso do partido na corrida presidencial tem tudo para refletir na eleição e na reeleição de prefeitos do PSD.

O risco que motiva essa movimentação é concreto. Pesquisas recentes mostram Caiado oscilando entre o terceiro e o quarto lugar, muitas vezes atrás de Renan Santos (Missão), pré-candidato de um partido sem nenhuma prefeitura, sem senadores e com apenas um deputado federal, enquanto o PSD é o partido com o maior número de prefeitos. Perder para uma legenda dessa dimensão seria um preço amargo para Gilberto Kassab, mas uma consequência clara de ter um “partido invertebrado”, que muda de lado como folha de bananeira.

Ainda assim, ninguém deve se enganar quanto às reais intenções do presidente do PSD. Seu projeto pessoal é o governo de São Paulo. A adesão à chapa de Caiado funciona como salvaguarda. Se os anéis já foram perdidos em uma pré-candidatura presidencial pouco competitiva até aqui, ao menos os dedos precisam ser preservados.

Michelle, Celina e Damares, união de rocha

Celina Leão (PP-DF) disse, neste sábado (4), durante agenda na cidade administrativa de Santa Maria, acreditar na candidatura de Michelle Bolsonaro (PL-DF) ao Senado, mas a resposta oficial só virá em agosto. A governadora está ao lado de Damares (Republicanos-DF), que convenceu a ex-primeira-dama a não deixar o PL, o que a tornaria inelegível.

Sem alternativa

A presidente do PL no Distrito Federal, deputada Bia Kicis, também não vê possibilidade de Michelle Bolsonaro desistir da candidatura ao Senado. “Não dá nem para cogitar outro nome”, resumiu. Bia é a maior beneficiária da candidatura de Michelle ao Senado, já que deverá ser a segunda opção de voto.

Lista de exigências

O Republicanos já tem uma lista de exigências para declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. A principal é o aval do PL a quatro pré-candidatos do partido aos governos estaduais: Soldado Sampaio (Roraima), Otaviano Pivetta (Mato Grosso), Alan Rick (Acre) e Lorenzo Pazolini (Espírito Santo). O bolsonarismo é forte nesses estados, mas resta saber se as lideranças do PL que têm pretensões ao Executivo abrirão espaço.

Tudo ao seu tempo

Romeu Zema (Novo) não demonstra preocupação com as pesquisas de intenção de voto. Quando é confrontado por aliados, lembra que, em 2018, saiu praticamente do zero para vencer a disputa pelo governo de Minas Gerais na reta final da campanha.

Canteiro de obras

O prefeito de Novo Gama, Carlinhos do Mangão (PL), sem muito barulho, mostra por que é querido tanto pelo ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) quanto pelo senador e pré-candidato a governador Wilder Morais. Mangão transformou Novo Gama em uma referência de desenvolvimento econômico e social. Nesta semana, ele inicia um grande volume de obras e coloca a serviço da população novos equipamentos, como caminhões, retroescavadeiras, pás mecânicas e patrolas, conquistados recentemente. Não à toa, sua mulher, Jiscilene Mangão (Agir), desponta como uma forte pré-candidata à Alego.

Nós contra eles – Ao erguer o dedo do meio contra a “elite” em pleno Palácio do Planalto, Lula (PT) mostra, aos 80 anos, que sua sétima e última campanha será marcada por uma virada à esquerda muito mais agressiva do que nas eleições anteriores.

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