Kassab esfria com Tarcísio e foca no segundo turno com Lula
por Bruno Costa
O vínculo mais consistente do presidente do PSD com o bolsonarismo sempre passou por Tarcísio.
Um possível rompimento entre Gilberto Kassab (PSD) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) terá consequências além do Estado de São Paulo, alterando o projeto presidencial do PSD para 2026. O vínculo mais consistente de Kassab com o bolsonarismo sempre passou por Tarcísio. Sem essa ponte, o partido ganha liberdade para reposicionar o discurso e o projeto presidencial.
Como seu próprio criador disse, o PSD não é de direita, não é de esquerda, nem de centro. Sempre foi legenda de poder. Com Tarcísio distante, Kassab deixa de ter uma ligação orgânica com o bolsonarismo e passa a avaliar o tabuleiro com menos amarras. E isso muda tudo. Hoje, três nomes disputam a candidatura presidencial pelo PSD: Ratinho Júnior (PR), que ensaia disputar vaga ao Senado. Ronaldo Caiado e Eduardo Leite (RS).
Os dois primeiros focam num segundo turno, Caiado mais pró-Flávio Bolsonaro e Ratinho pende para o presidente Lula (PT). Eduardo Leite é diferente. Ele ocupa uma faixa mais na centro-esquerda e poderia, numa eventual eleição apertada, transferir votos a Lula. Se Kassab optar por essa inflexão, o PSD pode se afastar de vez do bolsonarismo e lançar uma candidatura com perfil mais progressista, mirando uma aliança com Lula (PT) em um segundo turno.
Isso não seria apenas uma escolha interna. Seria um reposicionamento estratégico. Sem aliança com Tarcísio, o melhor para Kassab seria garantir seus ministérios em um eventual Lula IV. E a depender do cenário, conquistar ainda mais espaço no governo federal. (Especial para O HOJE)