Livro percorre 40 anos de denúncias do movimento negro
Em Gramática negra contra a violência de Estado: da discriminação racial ao genocídio negro (1978-2018), o sociólogo Paulo César Ramos percorre quatro décadas de documentos, arquivos e mobilizações do movimento negro para entender como as formas de nomear a violência do Estado foram se transformando. A pesquisa acompanha a passagem de expressões como “discriminação racial”, recorrente nos anos 1970 e 1980, para “violência racial”, nos anos 1990, e, depois, para “genocídio negro”, nos anos 2000.
Ao reconstruir essa mudança de linguagem, o autor mostra como denúncias, protestos e estratégias políticas foram acumulando novas camadas diante da violência policial. O livro também observa como grandes agendas nacionais, como eleições, Constituinte e processos de impeachment, atravessaram e, em alguns momentos, diluíram pautas específicas do movimento negro.
Publicado pela Editora Elefante em 2024, o volume tem 392 páginas e resulta da pesquisa de doutorado de Ramos. Mais do que organizar uma cronologia, a obra investiga como o vocabulário político revela transformações na maneira de compreender e enfrentar a violência de Estado.
O autor
Paulo César Ramos é doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), mestre e bacharel em sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com pós-doutorado na Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos. Também é coordenador de pesquisa do Núcleo Afro do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e coordenador do Projeto Reconexão Periferias da Fundação Perseu Abramo. Tem se dedicado ao estudo das relações raciais, violência, memória, movimentos sociais e políticas públicas. É autor do livro “Contrariando a estatística”: genocídio, juventude negra e participação política (Alameda, 2021).
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