sábado, 15 de agosto de 2026

Livro recupera a história das trabalhadoras sexuais no Brasil e questiona estigmas sobre prostituição

Luana Avelarpor Luana Avelar em
Livro recupera a história das trabalhadoras sexuais no Brasil e questiona estigmas sobre prostituição
"Mulher da vida, é preciso falar", da cientista social Carol Bonomi, conta a história da organização das trabalhadoras sexuais no Brasil e aborda temas como preconceito, direitos, feminismo e autonomia feminina

Durante décadas, a prostituição apareceu no imaginário brasileiro sobretudo associada ao escândalo, à marginalidade ou à vitimização. Pouco se fala, porém, sobre as mulheres que se organizaram politicamente para reivindicar direitos, construir espaços de representação e disputar a forma como a própria sociedade enxerga o trabalho sexual. É a partir dessa perspectiva que a pesquisadora e escritora Carol Bonomi apresenta “Mulher da vida, é preciso falar: um estudo do movimento brasileiro de trabalhadoras sexuais”, publicado pela Editora Telha.

Resultado de uma pesquisa iniciada no campo acadêmico, o livro investiga a trajetória do movimento organizado de trabalhadoras sexuais no Brasil e seus diferentes caminhos de mobilização política. A pesquisa original, desenvolvida no mestrado em Ciência Política da Unicamp, analisou cerca de três décadas de história do movimento, com atenção para suas formas de organização, reivindicações, relações com o Estado e estratégias de ação coletiva. O estudo também coloca em primeiro plano as próprias trabalhadoras como sujeitas políticas, em vez de tratá-las apenas como personagens de debates conduzidos por terceiros.

O título recupera uma expressão que carrega forte significado histórico. Em 1987, o Rio de Janeiro recebeu o primeiro Encontro Nacional de Prostitutas, organizado por nomes como Gabriela Leite e Lourdes Barreto. O encontro marcou um momento decisivo para a organização política das trabalhadoras sexuais brasileiras e ajudou a consolidar uma agenda de reivindicação de direitos. A trajetória iniciada naquele período atravessa questões que continuam atuais: reconhecimento profissional, violência institucional, preconceito, autonomia, políticas públicas, saúde, gênero e liberdade sexual.

A autora

Carolina Bonomi é doutoranda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde pesquisa a produção da categoria trabalho sexual e suas transformações contemporâneas. Mestre em Ciência Política pela mesma instituição, investigou os trânsitos políticos do movimento das trabalhadoras sexuais no Brasil. Graduada em Ciências Sociais, dedicou-se a estudos sobre sociologia do trabalho e transexualidade. Integra o Núcleo de Estudos de Gênero – Pagu (CNPq) e participou de projetos da FAPESP sobre precarização e regulação do trabalho. Atualmente, colabora em uma pesquisa internacional sobre o uso da Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) na América do Sul, investigando as experiências de acesso, uso e gestão dessa estratégia de prevenção. Atuou também em projetos sociais voltados para populações vulneráveis, como o “Viva Melhor Sabendo”, do Ministério da Saúde.

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