Lula ataca Flávio, que revida, e ambos alimentam a divisão do País
A cada nova crise, a terceira via perde mais espaço. Foi assim durante a pandemia, nos atos de 8 de janeiro e, agora, com a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, além de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Temas que deveriam estimular debates sobre comércio exterior e segurança pública acabam se transformando em mais um capítulo do confronto entre bolsonarismo e lulopetismo.
Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados afirmam que a reação americana seria consequência da leniência do governo Lula (PT) com o crime organizado e das decisões do ministro Alexandre de Moraes nos inquéritos das fake news. Lula, por sua vez, acusou a família Bolsonaro de contribuir para o desgaste das relações entre Brasil e Estados Unidos. “Vendilhões” e “traidores da pátria”, afirmou o presidente.
Pouco importa, porém, quem vencerá essa disputa narrativa. O fato político mais relevante é outro: a polarização voltou a ganhar força e tende a se intensificar à medida que a eleição de 2026 se aproxima.
A insistência de Gilberto Kassab em construir a candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) como alternativa à polarização enfrenta um obstáculo difícil de superar. O PT de Lula e o PL de Bolsonaro continuam sendo os únicos grupos com forte capacidade de mobilização popular. PSD, MDB, Republicanos e União Brasil — partidos frequentemente associados ao Centrão — podem reunir governadores, prefeitos, parlamentares e recursos eleitorais, mas não contam com militâncias tão engajadas. E esse detalhe faz diferença.
Nem Zema nem Caiado rompem a polarização
Não há dúvidas de que Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) possuem experiência administrativa e credenciais para disputar a Presidência da República. O desafio, contudo, é outro. Nenhum dos dois conseguiu demonstrar, até agora, capacidade de mobilizar a sociedade na mesma intensidade que petistas e bolsonaristas.
O nome que mais se aproxima disso é Renan Santos (Missão), embora ainda esteja distante de alcançar o nível de engajamento necessário para romper a polarização. Por isso, a chamada terceira via continua existindo mais nos discursos do que na prática. Até o momento, os fatos indicam a continuidade do cenário político que domina o país desde 2018.
Tempo escasso
Dos três pré-candidatos ao Governo de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) é quem deverá ter menos tempo de rádio e televisão. Para compensar essa desvantagem, concentra esforços em agendas pelo interior do Estado e intensifica o uso das redes sociais para divulgar propostas e fortalecer sua imagem.
Agenda cheia
Nos encontros com lideranças regionais, Marconi Perillo reforça o compromisso com os municípios onde, segundo ele, “o Brasil real vive, produz, gera riquezas e qualidade de vida”. Desde a semana passada, o ex-governador tem mantido agenda intensa no interior e, nesta semana, segue o mesmo ritmo de visitas.
Agenda de Delúbio
A terça-feira (2) foi movimentada para Delúbio Soares (PT). O pré-candidato acompanhou o presidente Lula na inauguração da sede definitiva do Campus Catalão do IF Goiano. De volta a Goiânia, participou do lançamento da biografia Lula – Volume 2, de Fernando Morais, realizado no auditório da ADUFG.
Joscilene bombou
O lançamento oficial da pré-candidatura da ex-secretária de Ação Social de Novo Gama, Joscilene Mangão (Agir), à Assembleia Legislativa surpreendeu pelo número de participantes. Segundo o prefeito Carlinhos do Mangão, cerca de três mil pessoas compareceram ao evento, entre lideranças políticas do Entorno do Distrito Federal, apoiadores e representantes de diversos segmentos.
Paz selada — Depois do atrito provocado pelo vazamento do áudio direcionado a Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) decidiram virar a página. Os dois se encontraram em Belo Horizonte e brindaram com copos de leite durante um evento agropecuário.