Lula dividido entre conter gastos ou ampliar o déficit
A tese de que “gastos públicos são bons para aquecer a economia” tende a convencer Lula a tocar em frente e dar uma banana aos cortes de gastos
O eco do resultado das urnas continua reverberando nas redes sociais entre a direita e o luloperismo. A polêmica da vez é a sugestão de boicote a qualquer estabelecimento comercial identificado com o PT. Algo novo nessa divisão em que mergulhou o País e, pelo ritmo dos acontecimentos, deve perdurar por um bom tempo. Embora seja uma uma atitude sem pé e nem cabeça, dá uma mostra o tamanho do desafio que a elite política no Congresso e, principalmente, o presidente Luiz Inácio Lula (PT) têm pela frente.
Se não bastassem os fanáticos de um lado e outro se digladiando, ainda paira sobre os brasileiros um futuro incerto devido a fatores externos. Entre os mais preocupantes, alta do petróleo, política externa com viéis ideológico e como será o caminho da economia proposto por Lula. Pelo que se lê e ouve nas entrevistas de auxiliares próximos a Lula, a aposta é para avançar com a gastança. A tese de que “gastos públicos são bons para aquecer a economia” tende a convencer Lula a tocar em frente e dar uma banana aos cortes de gastos. Não será um decisão fácil, mas se depender dos petistas históricos e radicais, o déficit público vai para as calendas. Esse negacionismo fiscal pode custar caro para Lula e seus áulicos de plantão.
Essa é a discussão mais visível no turbilhão de decisões que Lula terá que tomar a partir de agora. Ele sabe que não tem como sustentar um modelo econômico de transferência de renda sem poupança, algo que o Brasil há anos se alimenta de empréstimos no mercado financeiro. Não à toa que o déficit público já alcança 82% do PIB e que não tem mais como tirar dinheiro do setor produtivo. Se insistir, pode provocar uma recessão brutal e seu governo terminar com uma inflação estratosférica. No campo político, mesmo com uma bancada de oposição mais barulhenta, Lula não terá grandes dificuldades, afinal, ele sabe a natureza mercantilista da maioria das excelências eleitas. Não importa de qual partido, a bancada de oportunistas sempre será maioria.
Crise? Parece que não é no Brasil
A crise provocada pela reeleição de Lula não parece ter saído do mercado financeiro. No primeiro feriadão prolongado após as urnas, as cidades turísticas estavam cheias. Na tela dos pregões, o susto rendeu manchete. Nas ruas, o eleitor tratou de aproveitar o descanso. Pelo visto, nem todo mundo recebeu o resultado como fim do mundo, sobretudo quem já tinha viagem marcada.
Lado de fora
Na cidade turística de Pirenópolis, a crise econômica ficou do lado de lá do balcão. Neste último fim de semana, com feriado prolongado até segunda-feira (2), a cidade histórica seguiu abastecida por servidores endinheirados de Brasília, que não dispensaram uma escapada entre casarões e cachoeiras. Com salário alto, estabilidade garantida e a conta no colo do contribuinte, a categoria nunca ouviu falar em crise.
Mabel acena
Interessado em contar com o apoio do PL para sua reeleição, ainda mais depois do crescimento do partido nas urnas, Sandro Mabel (União Brasil) conversou nesta semana com Valdemar Costa Neto (PL). O prefeito sabe que 2028 não está tão longe e que uma candidatura bolsonarista fora de sua órbita pode complicar o tabuleiro.
PL anabolizado
Depois de Romário Policarpo (Cidadania), outro de malas prontas para se filiar ao PL é Sargento Novandir (Democrata). Vereador em Goiânia, ele concorreu a deputado estadual, mas não se elegeu, apesar dos 25.508 votos. Caso a filiação se confirme, a bancada do PL na Câmara Municipal de Goiânia passará a contar com cinco nomes, atrás apenas do MDB, que tem seis parlamentares.
Semana decisiva
Por falar em PL, a cúpula nacional da legenda bate o pé e não abre mão de indicar o senador Rogério Marinho (RN) para disputar a Presidência do Senado. Nos bastidores, a urgência em indicar logo Marinho é para evitar debandada para o lado de Alcolumbre (União Brasi-AP).
Procura-se um líder – A direita apalpa o terreno político em busca de um líder e dá sinais de distanciamento do bolsonarismo. Desde o autoexílio de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, o partido tenta se organizar, mas não será tarefa fácil.
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