domingo, 25 de outubro de 2026

Lula e Flávio prometem um País distante da realidade econômica

Wilson Silvestrepor em
Lula e Flávio prometem um País distante da realidade econômica
O que brasileiros viram até agora foi um vale-tudo, em que Lula e Flávio prometeram o possível e o impossível, sem que a imensa maioria dos eleitores se incomodasse em conferir quais planos ficarão de pé - Ilustração: Takeshi Gondo

Os brasileiros voltam às urnas neste domingo (25) sob o fantasma de um estelionato eleitoral, pois tanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) venderam, durante a campanha, terreno na lua, no jargão popular, ou seja, algo difícil de se conquistar. Por 71 dias, nenhum dos dois apresentou proposta concreta para lidar com a dívida pública, que deve fechar 2026 em cerca de 83,4% do PIB. Somada à taxa básica de juros em 13,75% ao ano, que já levou mais de 83 milhões de brasileiros a terem o CPF negativado, segundo dados do Serasa, só para ficar nesses dois grandes desafios.

Seja por não terem ideia do que precisa ser feito, seja porque pretendem deixar tudo como está, ou mais provável, por medo de perderem voto, Lula e Flávio esconderam durante toda a campanha medidas que só devem ser reveladas após o pleito, o que configura estelionato eleitoral. Mas, para conquistar o eleitor, os fins justificam os meios. O que brasileiros viram até agora foi um vale-tudo, em que Lula e Flávio prometeram o possível e o impossível, sem que a imensa maioria dos eleitores se incomodasse em conferir quais planos ficarão de pé.

Começando por Lula, que, depois de um sono profundo de quase quatro anos no Planalto, acordou na véspera da eleição para perdoar um Brasil que tem 3,6 milhões de microempreendedores com débitos federais, uma promessa que vai custar R$ 18,7 bilhões aos cofres públicos e ainda não tem fonte de financiamento. Já Flávio promete reduzir os gastos públicos ao tempo em que garante que irá manter o reajuste real do salário-mínimo, os benefícios sociais e os pisos constitucionais, tudo sem aumentar impostos, uma combinação impossível.

Ao dobrar as promessas sem pé nem cabeça, Lula e Flávio dobraram os riscos ao ‘venderem’ um País sonhado pelos brasileiros, mas distante da realidade econômica em que se meteu.

Congresso hostil no caminho
A situação de Lula (PT) é delicada, pois além de reeleito em cima de um estelionato eleitoral, chegaria a um 4º mandato com minoria perigosa na Câmara e no Senado, com grandes chances de terminar sua carreira política como a Dilma, impichado. Mesmo com o apoio explicito do STF pesando a mão a favor de Lula, caso saia vencedor, o País vai continuar conflagrado.

Wilder no time
O senador goiano e presidente do PL em Goiás, Wilder Morais, tem sido um escudeiro constante do presidenciável da legenda, Flávio Bolsonaro. Nesta sexta-feira (24), Wilder acompanhou, ao lado dos governadores eleitos pelo PL Sérgio Moro (PR), Luciano Zucco (RS), Jorginho Melo (SC) e Douglas Ruas (RJ), o debate da TV Globo. Junto a eles, os senadores eleitos pelo PL Carlos Bolsonaro (SC) e Carlos Jordy (RJ) e o coordenador nacional da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (RN).

Números não mentem
A guerra de números das pesquisas, ora com Flávio Bolsonaro à frente de Lula, noutra empatados, não divulgam a tendência dos votos de primeiro turno. Foram 119,3 milhões de votos válidos. Desse ativo eleitoral, Flávio venceu com 56,1 milhões contra 53,9 milhões de Lula. Os votos de Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) somaram 9,3 milhões. Esse eleitor não vota em Lula, salvo um ou outro desse eleitorado, mas a maioria vai de Flávio Bolsonaro. Assim, os apoiadores do presidenciável do PL calculam que ele deva vencer com 2 a 3 milhões de frente para Lula.

Cantor Leonardo
Nesta sexta-feira (26), o cantor Leonardo entrou na campanha no Distrito Federal e declarou apoio à reeleição da governadora Celina Leão (PP). Na quarta-feira (21), o cantor sertanejo já tinha declarado apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República durante um encontro organizado por Wilder Morais (PL).

Dança dos números
Nesta sexta-feira (23), o Global Election Simulator projetava Flávio Bolsonaro (PL) com 53,1% dos votos válidos no 2º turno, contra 46,9% de Lula (PT). A plataforma americana parte do resultado de 2022, faz média das pesquisas publicadas e aplica correções próprias, entre elas um ajuste para o PL que os institutos tradicionais subestimaram em 2018 e 2022. Na véspera do 1º turno, a projeção do site apontava Flávio com 45,4% e Lula com 44,3%. A eleição ficou 47,03% a 45,16%.

Corte política – A disputa entre ministros do STF e TSE a favor de Lula aumenta a incerteza sobre a confiança de investidores estrangeiros no País. Se Flávio vencer, haverá algumas PPPs em oferta. Mas diante de um Corte parcial, fica difícil acreditar no Brasil.

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