Maiores empresas do agronegócio reforçam investimentos em inovação

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 11 de junho de 2026 às 09:59

As principais empresas do agronegócio mantêm-se atentas ao cenário de desafios colocados na trajetória do setor e continuam investindo em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e processos. A São Martinho dobrou seu investimento em inovação nos últimos 10 anos, passando a destinar R$ 120,0 milhões a projetos inovadores, registra Fábio Venturelli, presidente da usina. “Historicamente, os investimentos anuais da companhia em inovação variam entre 1% e 3% da receita bruta, com oscilações decorrentes do porte dos projetos, como a planta de etanol de milho na Unidade Boa Vista (GO) e a usina de biometano na Unidade Santa Cruz (SP)”, detalha. Em operação desde meados de 2023, a unidade recebeu investimentos de R$ 740,0 milhões e outros R$ 250,0 milhões estão previstos para a planta de biometano, em Américo Brasiliense (SP), com início de operação no ciclo 2025/26.

No seu planejamento estratégico, a inovação está focada em melhorias incrementais de processos na agroindústria e na área administrativa e ainda “a diversificação de receitas com o desenvolvimento de novos negócios”, conforme Venturelli. Os times de gestão da inovação abrigam uma dezena de profissionais com dedicação exclusiva, enquanto a equipe de tecnologias agroindustriais recebe a colaboração de 12 especialistas em regime de dedicação parcial, envolvendo “pós-doutores, doutores, mestres e graduados em diversas áreas do conhecimento”.

Entre outros avanços, a usina desenvolveu soluções para colheita mecanizada da cana, para logística da matéria prima entre a lavoura e a indústria, além do desenvolvimento de redes 4G e 5G para conexão de equipamentos agrícolas e industriais. Mais recentemente, a São Martinho tem se dedicado ao uso da Inteligência Artificial em todos os processos de inovação, assim como na área operacional, e a aplicações em tecnologias 4.0 na área industrial. A companhia construiu ainda um Big Data para prever o comportamento de variáveis essenciais para os processos agrícolas e industriais.

 

Bioinsumos

Em estágios diversos de maturidade, parcela considerável das “dezenas de projetos de inovação”, como cita Venturelli, está focada no desenvolvimento de bioinsumos para substituição de ativos químicos no combate a pragas e doenças, controle de infestações bacterianas na usina e para adubação dos canaviais. Em parceira com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a São Martinho trabalha igualmente no desenvolvimento de inovações para o controle do bicudo e da murcha da cana, que afetam os canaviais e reduzem sua produtividade. A colhedora de cana de duas linhas, solução desenvolvida pela própria empresa em parceria com a Case New Holland (CNH), deverá incluir uma versão movida totalmente a etanol, já em fase de testes, substituindo o diesel.

 

Balanço

Até 2030, a Bayer, segunda colocada no ranking do anuário, prevê lançar apenas no Brasil mais de duas dezenas de formulações para proteção de cultivos e novas gerações de biotecnologia, antecipa André Luis Moraes, de Proteção de Cultivos da companhia para América Latina. Globalmente, a multinacional destinou em torno de € 2,6 bilhões no ano passado para o desenvolvimento de sementes de alta performance, novas biotecnologias, produtos para proteção de cultivos e ferramentas digitais, somando em cinco anos perto de € 10 bilhões investidos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).

O time de inovação inclui ao redor de 7,8 mil profissionais distribuídos em mais de 60 países, tocando projetos nas áreas de biotecnologia, agroquímicos, melhoramento genético, testes em campo e em laboratório. Somente em 2024, anota ele, a Bayer lançou em todo o mundo mais de 490 novas variedades e híbridos de sementes de soja, milho, algodão e hortifrútis.

Daqui para frente, entre outras novidades, Moraes relaciona novas moléculas para proteção de cultivos, a exemplo do Convintro Duo, ainda em fase de experimentação, mas que deve estar no mercado brasileiro na safra 2025/26, desenhado para o combate preventivo de plantas daninhas na soja.

Destinado a culturas de soja, algodão, frutas e vegetais, deve desembarcar ainda novo produto da família Plenexos, primeiro inseticida a base de cetoenol, para uso foliar e no solo. “Trata-se de um produto verde e altamente seletivo, por não afetar insetos benéficos, como polinizadores”, indica o executivo.

Em 2028, está previsto o lançamento do herbicida Icafolin, “o primeiro novo modo de ação no controle de ervas daninhas pós-emergentes em mais de 30 anos”. Já está praticamente pronta a terceira geração da soja Intacta, enquanto a quarta segue em testes de campo, “assim como duas novas biotecnologias para milho, uma delas que pode representar uma revolução para a cultura, com uma planta de baixa estatura”, conforme Moraes.

No exercício fiscal mais recente, projetos inovadores responderam por mais da metade do resultado financeiro geral da Cargill Nutrição e Saúde Animal no Brasil, o que reafirma a posição central da inovação no planejamento estratégico da empresa, de acordo com seu diretor sênior de Marketing, Inovação e Tecnologia, Marcelo Dalmagro. “Acima de 80% desse valor estão associados à nossa estratégia de lançamento de novas linhas de produtos periódicas para diferentes espécies, como bovinos de corte e leite, suínos e aves”, observa ele.

A empresa trabalha com a meta de gerar no mínimo um terço de resultado antes de juros, tributos, depreciação e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) a partir de iniciativas inovadoras. Dalmagro destaca especialmente a linha Probeef Confinamento, suplemento destinado a bovinos em sistema de confinamento lançado recentemente, por sua “contribuição relevante” para os resultados da companhia.

O executivo destaca o NeoPigg®, solução de nutrição para creches na suinocultura, que agrega proteínas modificadas de elevada digestibilidade, compostos funcionais e aditivos desenvolvidos pela Cargill. Na descrição de Dalmagro, a solução “promove maior eficiência nutricional, modulação da microbiota e resposta imune, resultando em mais saúde e desempenho zootécnico para os leitões”.

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